Nas próximas eleições, precisamos da Lei da Abobrinha

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A Lei da Ficha Limpa se tornou peça-chave nesta eleição. Por isso, tomando carona em seu sucesso, seria ótimo se também tivéssemos uma Lei da Abobrinha. Com ela, aqueles que disseram barbaridades contra os direitos fundamentais durante seu mandato teriam que se justificar diante da Justiça Eleitoral antes de disputarem mais um cargo público. Afinal de contas, não estamos falando de qualquer ofensa, mas sim de soterrar aqueles preceitos que garantem um mínimo de dignidade ao ser humano. Certamente, isso iria controlar a espada afiada que muitos têm entre os dentes e que, vira e mexe, corta e mutila mais do que a violência física. Muitas vezes sob o véu da imunidade que recobre o púlpito nos parlamentos.

OK, OK. Errar é humano. Fazemos besteira a toda a hora e não nos damos conta disso – da mesa de bar às festas de família, elas são perdoadas pelo fato das pessoas à nossa volta se darem conta de que aquilo era, simplesmente, besteira. Mas alguns erros, por sua natureza bizarra, a importância social de seu autor e a certeza de que arrependimento é algo que passou longe de sua cabeça, merecem ser lembrados. Selecionei alguns exemplos do que já foi publicado neste blog e vou trazer mais nos próximos posts. Há uma capivara de casos que foram relatados pelos colegas jornalistas nos últimso quatro anos.

Em 27 de março de 2007, o vereador paulistano (hoje candidato a deputado federal) Agnaldo Timóteo (PR-SP) defendeu o turismo sexual e a exploração sexual juvenil.  Ele havia subido à tribuna para criticar a forma como estava sendo feito o combate ao turismo sexual. Para ele, o visitante que vem ao país atrás de sexo não pode ser considerado criminoso. “Ninguém nega a beleza da mulher brasileira. Hoje as meninas de 16 anos botam silicone, ficam popozudas, põem uma saia curta e provocam. Aí vem o cara, se encanta, vai ao motel, transa e vai preso? Ninguém foi lá à força. A moça tem consciência do que faz”, declarou. “O cara [turista] não sabe por que ela está lá. Ele não é criminoso, tem bom gosto.” Para Timóteo, há “demagogia e frescura”: “Meninos de 16 anos votam, transam, constituem família. E meninas não deixam de fazer sexo. Sexo é bom.”

Claro! Cada um no seu lugar. Meninos votam, meninas fazem sexo…

Outro exemplo: Centenas de trabalhadores e patrões lotaram, em agosto do ano passado, a Câmara dos Deputados para acompanhar os acalorados debates sobre o projeto que prevê a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com aumento do valor da hora extra e sem redução salarial. Em entrevista à rádio CBN, Nelson Marquezelli (PTB-SP, candidato à reeleição como deputado federal, defendeu que os deputados devem manter a jornada do jeito em que está para evitar que os empregados aproveitem as horas a mais de lazer para encher a cara:

“Se você reduzir a carga horária, o que vai fazer o trabalhador? Eles [os defensores da mudança na lei] dizem: vai para casa para ter lazer. Eu digo: vai para o boteco, beber álcool, vai para o jogo. Não vai para casa. Então, você veja bem, aí é que tá o mal: ele gastar o tempo onde ele quiser, se nós podemos deixá-lo produzindo para a sociedade brasileira.”
Preste atenção neste trecho “ele gastar o tempo onde ele quiser, se nós podemos deixá-lo produzindo para a sociedade brasileira”. Ou seja, nós, os iluminados, temos o dever de manter esses indolentes perdidos acorrentados ao trabalho.

Somos um povo politicamente desmemoriado. Prova disso é que todo mundo que rasgou com suas palavras os direitos mais básico do brasileiro, como a dignidade, não serão questionados pelos eleitores por conta disso. Ou melhor, receberão um salvo-conduto para repetir o que disseram a partir do ano que vem sem um pedido de explicações.

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Conflitos pela água aumentam 32% em 2010, diz CPT

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A Comissão Pastoral da Terra divulgou dados parciais sobre os conflitos no campo no país nos sete primeiros meses do ano. Um dos destaques da entidade, ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), são os 29 conflitos pela água (envolvendo 25.255 famílias) – número 32% maior que o igual período de 2009, quando se registraram 22 conflitos – envolvendo 20.458 famílias. Conflitos pela água são aqueles gerados por dificuldades impostas ao acesso a esse recurso natural ou causados pela expulsão de pessoas por conta de projetos envolvendo a construção de barragens, por exemplo.

Segundo a CPT, foram 3 conflitos no Centro-Oeste, 9 no Nordeste, 11 no Sudeste e 3 no Sul. Na região Norte, foram registrados sete conflitos em 2009 e três em 2010. Mas, apesar de ter diminuído o número de casos, cresceu a quantidade de famílias envolvidas nestes conflitos. Passaram de 2.250 para 11.150 famílias (um aumento de 395%).

Para a CPT, dos 29 conflitos pela água, 11 (38%) estão relacionados com a construção de barragens e ocorreram em 14 estados da Federação, em 2010.

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Você sabe como seu candidato vota no Congresso? – parte 2

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Este texto faz parte de uma série de posts sobre votações de projetos importantes aos trabalhadores e ao meio ambiente no Congresso Nacional.

Por 13 votos a 5, uma comissão especial criada na Câmara dos Deputados para discutir a reformulação do Código Florestal aprovou o texto do relator Aldo Rebelo. A matéria ainda têm que passar pelos plenários do Congresso Nacional e ser sancionado pela Presidência da República para valer na prática, mas já causou polêmica entre produtores rurais e militantes sociais e ambientais.

O novo texto anistia quem cometeu infrações ambientais, isenta propriedades de até quatro módulos fiscais (cerca de 400 hectares na Amazônia) de refazerem as reservas desmatadas e reduz a faixa mínima de mata ciliar que deve ser preservada à beira de cursos d’água, entre outros pontos. Também proíbe novos desmatamentos por um prazo de cinco anos, algo de difícil cumprimento uma vez que a política do fato consumado já mostrou que funciona.

Vale a pena, portanto, como um serviço de utilidade pública eleitoral, listar quem votou a favor e contra essa mudança no Código Florestal na comissão especial. Com a ajuda do jornalista Rodrigo Rocha, checamos no Tribunal Superior Eleitoral quem deles é candidato nestas eleições. Não é uma sugestão de voto a favor ou contra, mas uma possibilidade do eleitor checar a opinião de seu futuro representante sobre o tema.

Votaram a favor da proposta de mudança no Código Florestal
Aldo Rebelo (PCdoB-SP) – Candidato a deputado federal
Anselmo de Jesus (PT-RO) – Candidato a deputado federal
Cezar Silvestri (PPS-PR) – Candidato a deputado federal
Duarte Nogueira (PSDB-SP) – Candidato a deputado federal
Ernandes Amorim (PTB-RO) – Candidato a deputado estadual (candidatura indeferida, mas em recurso)
Homero Pereira (PR-MT) – Candidato a deputado federal
Luis Carlos Heinze (PP-RS) – Candidato a deputado federal
Marcos Montes (DEM-MG) – Candidato a deputado federal
Moacir Micheletto (PMDB-PR) – Candidato a deputado federal
Moreira Mendes (PPS-RO) – Candidato a deputado federal
Paulo Piau (PMDB-MG) – Candidato a deputado federal
Reinhold Stephanes (PMDB-PR) – Candidato a deputado federal
Valdir Colatto (PMDB-SC) – Candidato a deputado federal

Votaram contra a proposta de mudança no Código Florestal
Dr. Rosinha (PT-PR) – Candidato a deputado federal
Ivan Valente (Psol-SP) – Candidato a deputado federal
Ricardo Tripoli (PSDB-SP) – Candidato a deputado federal
Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) – Candidato a senador
Sarney Filho (PV-SP) – Candidato a deputado federal

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O Brasil mais gordo é um país mais feliz?

120 Comentários »

A Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE apontou que 50,1% dos homens e 48% das mulheres estão com excesso de peso (na década de 70, o índice era de 18,5% e 28,7%, respectivamente). Enquanto isso, 12,5% dos homens e 16,9% das mulheres são obesos. Estamos comendo mais industrializados (bolachas, comida pronta, refrigerantes) no lugar de alimentos tradicionais (arroz, feijão, vegetais). Isso, aliado ao excesso de sedentarismo, é uma bomba relógio.

Estamos nos tornando cada vez mais, para a alegria de muitos, uma sociedade parecida com a norte-americana quanto aos hábitos de alimentação – lá os índices de obesidade entre a população adulta são alarmantes. É o nosso mundo novo, admirável, gordo, que vem semi-pronto para comer.

É claro que isso causa efeito colaterais além dos pneus de gordura e das veias entupidas de colesterol. Apesar das propagandas pregarem o contrário (e viva a liberdade de expressão sem responsabilidade…), não há recursos naturais suficientes para a universalização do estilo de vida norte-americano, já adotado de forma cega por nós e pelas classes abastadas das demais metrópoles mundiais e que vai ganhando membros com o crescimento econômico. Se consumindo o que a gente já consome, o planeta está desse jeito, imaginem se todos os habitantes da Terra tivessem um padrão de consumo desnecessariamente alto, próximo daquele dos Estados Unidos pré-crise? O colapso ambiental e social viria muito antes do que imaginamos.

Como já disse aqui, não estou defendendo que nos organizemos em comunidades isoladas, cultivemos juta para fiar nossas roupas, boldo e pariparoba para garantir uma reserva médica e restrinjamos nosso lazer a cânticos cumbaiá em torno de fogueiras. Avançamos tecnologicamente e nos beneficiamos disso – por mais que esse “progresso” seja doloroso. E é exatamente por isso, pelo acúmulo de conhecimento sobre o meio em que vivemos, que é possível e lógico reformular nosso padrão de vida. Consumir o que é necessário, repensando o significado de “necessário” – o que inclui a necessidade de processamento do alimento, que gasta energia, produtos químicos, embalagens, enfim. Afinal de contas, o debate sobre o meio ambiente emerge no século 21 como uma discussão sobre a qualidade de vida, não tratando apenas de rios poluídos e derramamento de petróleo, mas também da atual idéia de progresso – alta tecnologia aliada a uma postura consumista -, que não está conseguindo dar respostas satisfatórias à sociedade.

Nossa qualidade de vida aumentou ao termos menos tempo para fazer nossas refeições e, consequentemente, optarmos pelo caminho fácil de nos entupir de produtos menos saudáveis, mas mais rápidos? Ou, por outro lado: a entrada de classes mais pobres no consumo através de uma avalanche de carboidratos industrializados vendidos como status social na TV deve ser comemorada?

Postei aqui tempos atrás um trabalho do fotógrafo Peter Menzel e do jornalista Faith D’Alusio sobre as diferenças de dietas em diferentes lugares do mundo. Em Hungry Planet: What the World Eats (Planeta Faminto: O que o Mundo Come, Editora Ten Speed Press) mostram como se alimentam 30 famílias em 24 diferentes países. Da fome à obesidade, as fotos são um bom ponto de partida para a discussão sobre desigualdade social. No que pese os enormes avanços no combate à fome que ocorreram nos últimos anos, se a comparação fosse feita dentro das fronteiras do Brasil, a disparidade ainda seria grande, pois teimamos em encontrar quem não come como deveria por aqui. É claro, o que significa um gosto amargo a mais por estamos na mesma sociedade.

(Lembrando que US$ 1 = R$ 1,75.)

Alemanha: Família Melander
Gasto semanal com alimentação: US$ 500,07

Estados Unidos: Família Revis
Gasto semanal com alimentação: US$ 341,98

Itália: Família Manzo
Gasto semanal com alimentação: US$ 260,11

México: Família Casales
Gasto semanal com alimentação: US$ 189,09

Polônia: Família Sobczynscy
Gasto semanal com alimentação: US$ 151,27

Egito: Família Ahmed
Gasto semanal com alimentação: US$ 68,53

Equador: Família Ayme
Gasto semanal com alimentação: US$ 31,55

Butão: Família Namgay
Gasto semanal com alimentação: US$ 5,03

Chade: Família Aboubakar
Gasto semanal com alimentação: US$ 1,23

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Para a Economist, o Cerrado é um vazio a ocupar

19 Comentários »

O Cerrado é um dos biomas mais desmatados e desprotegidos. Parte do milagre agropecuário ocorrido por lá também se deu com a pilhagem da terra, o desmatamento ilegal, a superexploração do trabalho, a expulsão de comunidades tradicionais e a contaminação de rios e lençóis freáticos. É no mínimo irônico que a Economist, a revista de maior prestígio no mundo econômico, “ignore” isso em sua reportagem de capa desta semana.

Publico, abaixo, texto do coordenador do Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis da Repórter Brasil, Marcel Gomes, sobre o tema:

A nova edição da prestigiosa revista inglesa The Economist leva mais uma vez o Brasil à capa, agora com reportagem e editorial sobre a agricultura nacional. Em ritmo de samba-enredo, os artigos cantam em prosa e verso o sucesso do campo brasileiro, que em trinta anos transformou o país de importador a exportador de alimentos. A reportagem, intitulada “O milagre do cerrado”, narra a partir de fazendas no Piauí e na Bahia como regiões pobres do país passaram a produzir toneladas de soja e algodão através do emprego de alta tecnologia.

“Entre 1996 e 2006, o valor total da produção agrícola do país aumentou de 23 bilhões de reais para 108 bilhões de reais, ou 365%. O Brasil aumentou suas exportações de carne dez vezes em uma década, ultrapassando a Austrália como maior exportador do mundo. Tem o maior rebanho bovino do mundo depois da Índia. É também o maior exportador mundial de frango, açúcar de cana e etanol. Desde 1990 sua produção de soja aumentou de quase 15 milhões de toneladas para mais de 60 milhões”, diz o texto, para em seguida perguntar:

“Como o Brasil conseguiu essa transformação surpreendente?”. Para a revista, a resposta a essa questão é importante porque pode ajudar nações mais pobres, sobretudo as da África, a repetirem o desenvolvimento agrícola brasileiro. Segundo os editores, o segredo do milagre agrícola nacional passa por características naturais – terra arável e água em abundância – e pelo desenvolvimento de uma tecnologia agrícola própria. Sobre esse último aspecto, houve contribuição fundamental da Embrapa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, cujos estudos geraram técnicas para tornar mais fértil o solo do cerrado e adaptar culturas temperadas, como a soja, a zonas tropicais.

Como se pode facilmente notar, The Economist escolheu contar só um lado da história. Nenhuma palavra sobre a destruição ambiental do cerrado, a exploração dos trabalhadores e as ameaças que o agronegócio tem levado a populações tradicionais e indígenas. Também não há nada sobre a concentração fundiária e de renda que marcou a modernização agrícola do campo brasileiro desde a década de setenta e a fase de liberalização comercial, nos noventa.

Se a revista inglesa tivesse interesse em mostrar dados, eles estão disponíveis. No ano passado, o Ministério do Meio Ambiente divulgou um estudo revelando que 47,8% por cento de área original do cerrado já havia sido desmatada até 2008. O Cerrado ocupa um quarto do território nacional, possui 5% de toda a biodiversidade do planeta e é responsável por 70% da vazão das bacias do Paraná-Paraguai, Araguaia-Tocantins e São Francisco. A devastação não deve parar por aí. O professor Manuel Eduardo Ferreira, do Laboratório de Processamento de Imagem e Geoprocessamento (Lapig) da Universidade Federal de Goiás, estima em pesquisa publicada em 2009 que, caso o ritmo de devastação do cerrado pelo agronegócio se mantenha, quatro milhões de hectares das chamadas “savanas brasileiras” irão ao chão por década.

Para além da questão ambiental, o tema trabalhista também guarda informações importantes sobre os problemas da expansão agrícola. Entre 2003 e 2009, o Oeste baiano, principal área de avanço do agronegócio no estado, apresentou 43 casos de propriedades flagradas com trabalhadores em situação análoga à escravidão. Os flagrantes se relacionam a casos verificados no algodão, pecuária, carvoaria, soja e milho, entre outras atividades. O problema, é claro, não se restringe à Bahia. Entre 2003 e julho de 2010, 33.598 trabalhadores brasileiros foram resgatados pelos grupos de fiscalização do governo, muitos deles de fazendas altamente tecnológicas como as descritas pela The Economist na reportagem.

Não se trata aqui de puxar a orelha do jornalista inglês. Talvez só mesmo um brasileiro seja capaz de compreender como podem conviver tão facilmente, em relativa harmonia, o antigo e o moderno, a escravidão mais desumana e a tecnologia de ponta. Mas há que se fazer um contraponto. Os dados e as histórias que maculam o “milagre do cerrado” brasileiro estão aí, disponíveis para quem quiser consultar. A não ser que se escolha não consultá-los.

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Eleições: Lula, Dietas, Maconha e Jesus

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As altas taxas de popularidades do governo do presidente Lula (79% de acordo com a última pesquisa Datafolha divulgada hoje) estão criando (mais) situações inusitadas do pessoal que quer pegar carona em sua imagem. Os casos de candidatos a postos do poder executivos já são bem conhecidos, mas não tinha me atentado para o mesmo na eleição às Assembléias, Câmara Distrital e Congresso.

Por exemplo: aqueles adesivos de campanha colados na traseira de automóveis. Alguns candidatos de partidos da base governista excluíram suas próprias fotos deixando apenas a imagem do presidente da República. Mais ou menos o que acontece no horário eleitoral gratuito em rádio e televisão, em que o presidente aparece mais do que qualquer outro candidato a deputado estadual.

O pior é que isso tende a funcionar, pois as propagandas dos candidatos que optaram pela tática Photoshop-me-tira-daqui não possuem condições de serem eleitos síndicos de prédios, quanto mais deputados.

Já há muitas discussões de marketing e comportamento político sobre a eficiência da transferência de votos, então não vou chatear vocês com isso. Mas vendo os anúncios colados nos carros, me lembrei de quando trabalhava em redação grande.

Existe um mantra de que, se você quer vender revista, coloque Jesus na capa. Afinal, só Jesus salva. Outros temas sempre perseguidos, pois são campeões de venda: Drogas, Jesus, Dietas e mais Jesus. Lembro de um caso em que uma revista mensal colocou Jesus na capa e vendeu horrores perto do Natal. Um ano depois, o que fazer? Repetir a capa? Ia ser muito feio. A solução foi dar a história de um dos apóstolos de Jesus . Vendeu bem de novo.

De certa forma, nós como jornalistas, sob a justificativa de dar o que o povo quer, já adotamos em nosso dia-a-dia o que o marketing político lasca e abusa. Quem sai perdendo nos dois casos é a sociedade, que acaba tendo reduzida a possibilidade de pluralidade. Algo desejável, seja ela decorrente da publicação de pautas diferentes do que aquilo que “vende” (mesmo sob o risco de sermos acusados de dar o que o povo não quer…), seja derivado de ouvirmos o que pensam de verdade os candidatos. Pois já sei o que pensa o presidente.

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Dilma assina compromisso contra o trabalho escravo

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A candidata à Presidência da República Dilma Rousseff assinou a Carta-Compromisso contra o Trabalho Escravo, comprometendo-se a tornar o tema uma das prioridades de seu governo caso seja eleita.

Quem assina a Carta se compromete, entre outros pontos, a apoiar a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que prevê o confisco de imóveis onde for encontrado trabalho análogo ao de escravo (PEC 438/2001), que tramita no Congresso Nacional, e a renunciar ao eventual mandato caso seja descoberto trabalho escravo em suas propriedades, além de exonerar qualquer pessoa que ocupe cargo público de confiança que se beneficie deste tipo de mão-de-obra. O conteúdo completo do documento e o acompanhamento das adesões estão disponíveis no site www.compromissopelaliberdade.org.br.

Antes de Dilma, Plínio de Arruda Sampaio (PSol) e Ivan Pinheiro (PCB) já haviam assinado a Carta-compromisso, considerando os candidatos ao governo federal. Ao todo, 18 candidatos a governos estaduais já aderiram à Carta, muitos deles líderes nas pesquisas de intenção de voto.

Todos os candidatos à Presidência da República e os principais candidatos aos governos dos 26 Estados e do Distrito Federal foram convidados a assinar a Carta-Compromisso. Antes do primeiro turno das eleições, será realizada uma coletiva de imprensa para divulgar o balanço de quem assinou o documento e quem se recusou a fazê-lo.

Em 1995, o Estado brasileiro reconheceu a existência de escravidão contemporânea em seu território diante das Nações Unidas e criou grupos móveis de fiscalização para resgatar trabalhadores. Desde então, mais de 38 mil foram libertados no país. Apesar dos esforços e avanços empreendidos por órgãos governamentais, entidades da sociedade civil, empresas e movimentos sociais, milhares de brasileiros continuam tolhidos de sua liberdade de ir e vir, despidos de seus direitos ou de sua dignidade.

A Carta-compromisso contra o Trabalho Escravo é uma iniciativa de organizações da Frente Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo (para candidatos a governos estaduais e do Distrito Federal e à Presidência da República) e da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (para candidatos à Presidência da República) e está sendo executada pela ONG Repórter Brasil. A campanha contribui para pautar o tema durante as eleições, além de estabelecer um canal direto de diálogo (e eventual cobrança) entre a sociedade civil e os futuros administradores públicos.

Em 2006, a primeira versão da carta-compromisso foi assinada pelos três principais candidatos à Presidência da República e por candidatos a governos estaduais que foram posteriormente eleitos. Políticas públicas adotadas durante suas gestões tiveram origem na carta, como a aprovação de leis que restringem a compra de mercadorias produzidas com trabalho escravo.

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Apenas 50 bolivianos entraram no país no 1o semestre. Será?

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De acordo com dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, 22.188 autorizações de trabalho a estrangeiros foram concedidas no primeiro semestre deste ano – um crescimento de 18,85% em relação ao mesmo período de 2009.

Os profissionais mais beneficiados com autorizações temporárias foram trabalhadores de embarcações ou plataformas estrangeiras, de assistência técnica, de cooperação técnica, de transferência de tecnologia, além de artistas e esportistas. Já a maioria das autorizações permanentes foi concedida para administradores, diretores, gerentes e executivos com poderes de gestão – o pessoal graúdo. Do ponto de vista legal, os recordistas em entradas foram países como Estados Unidos, Reino Unido e Filipinas.

Uma informação salta à vista: a Bolívia aparece apenas na 40ª posição, com 50 trabalhadores. OK, a lista mostra quem veio de forma legalizada. Mas sabemos que centenas de pessoas vindas do país mais pobre da América do Sul entraram ilegalmente para tentar uma vida melhor por aqui – principamente na região metropolitana de São Paulo. Muitos, aliás, acabaram sendo explorados em subempregos – bem, quem lê este blog sabe do que estou falando.

Pessoas invisíveis, que não aparecem nas estatísticas. Mas que teimam em existir.

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Acompanhe o debate entre os candidatos a vice-presidente

6 Comentários »

Acompanhe, a partir das 10h30, o debate Folha/Uol entre os candidatos a vice-presidente da República. Considerando que, na história recente do Brasil, tivemos dois vices que se tornaram presidentes (José Sarney e Itamar Franco), é bom saber quem são e o que pensa aqueles que podem assumir o mais importante emprego do país caso alguma coisa dê errado…

(Deixei a janela com o vídeo embutido ficou aqui durante o dia. Agora, para acessar o debate, clique aqui.)

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Você sabe como seu/sua candidato(a) vota no Congresso?

51 Comentários »

Estou inaugurando (para ajudar na discussão eleitoral) uma série de posts sobre votações de projetos importantes aos trabalhadores e ao meio ambiente no Congresso Nacional.

Há pouco mais de seis anos, no dia 11 de agosto de 2004, a Proposta de Emenda Constitucional número 438/2001 foi à votação na Câmara dos Deputados. A PEC prevê o confisco de imóveis em que trabalho análogo ao de escravo for encontrado e os destina à reforma agrária ou a programas de habitação urbana.

Dos 513 deputados, 344 compareceram à sessão. Como se trata de alteração na Constituição, eram necessários 308 votos. O resultado foi 326 a favor, 10 contra e oito abstenções.

A proposta que já foi aprovada pelo Senado Federal aguarda, desde então, votação em segundo turno. Ela é considerada por setores do governo federal e da sociedade civil um instrumento importante na luta contra essa forma de exploração do trabalho.

Vale a pena, portanto, como um serviço de utilidade pública eleitoral, listar quem votou contra e quem se absteve. Com a ajuda do jornalista Rodrigo Rocha, checamos no Tribunal Superior Eleitoral quem deles é candidato nestas eleições. Não é uma sugestão de voto a favor ou contra, mas uma possibilidade do eleitor checar a opinião de seu futuro representante sobre o tema.

Votaram “Não”
Abelardo Lupion (DEM-PR) – Candidato a deputado federal
Alberto Fraga (DEM-DF) – Candidato a Senador (Candidatura aguardando julgamento)
Benedito de Lira (PP-AL) – Candidato a Senador
Bosco Costa (PDT-SE) – Candidato a deputado federal
Dilceu Sperafico (PP-PR) – Candidato a deputado federal
José Carlos Araújo (PDT-BA) – Candidato a deputado federal
Kátia Abreu (DEM-TO) – Senadora
Luis Carlos Heinze (PP-RS) – Candidato a deputado federal
Moacir Micheletto (PMDB-PR) – Candidato a deputado federal
Ronaldo Caiado (DEM-GO) – Candidato a deputado federal

Abstiveram-se
Eduardo Sciarra (DEM-PR) – Candidato a deputado federal
Elimar Máximo Damasceno (Prona- SP)- Não é candidato
Enéas (Prona-SP) – Falecido
Félix Mendonça (DEM-BA) – Não é candidato
Ricardo Barros (PP-PR) – Candidato a Senador
Ronaldo Dimas (PR-TO) – Candidato a deputado federal
Sergio Caiado (PP-GO) – Candidato a deputado federal
Zonta (PP-SC) – Candidato a deputado federal

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