Uma história bizarra

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No final de 2004, 46 trabalhadores foram libertados das fazendas Triângulo e Terra Boa, localizadas no município de Porangatu (GO) pelo grupo móvel de fiscalização do governo federal. Ambas pertencem a Beto Mansur (PP), ex-prefeito da cidade paulista de Santos e deputado federal eleito. A propriedade chegou a entrar na “lista suja” do trabalho escravo, que enumera os empregadores que cometeram o crime e permite o corte de financiamentos públicos e privados. Mas conseguiu uma liminar na justiça suspendendo o seu nome de lá.

A repórter Ana Aranha, da revista Época, que acompanhou o grupo móvel, fez uma bela matéria sobre a ação de libertação. O esforço de reportagem valeu o Prêmio Ethos de Jornalismo.

Agora, o trabalho está sendo recompensado de outra forma. Hoje, quase dois anos depois, ela foi obrigada a retornar a Goiás para prestar depoimento em um processo bizarro que tramita contra ela. Um rapaz que foi encontrado doente na fazenda durante a fiscalização e cuja história foi contada para mostrar a precariedade da situação dos trabalhadores, agora move uma indenização contra Ana por danos morais. Teria se sentido ofendido. Os representantes do poder público presentes na ação corroboram a versão publicada na Época.

A história cheira mal. Mas o trabalho escravo no Brasil, bem como os seus artífices, também.

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