BNDES precisa exigir garantia do Friboi antes de virar sócio

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Deu no jornal Valor Econômico de hoje:

A JBS, controladora do Friboi, que se tornou o maior frigorífico de carne bovina do mundo, pode ganhar um sócio de peso. A BNDESPar, braço de participações em empresas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), negocia uma injeção de cerca de R$ 1,4 bilhão na empresa. O dinheiro seria usado num aumento de capital da JBS, dentro do pacote para financiar a compra da americana Swift, fechada no mês passado. Se a operação for concluída, a BNDESPar poderá ficar com uma participação entre 15% e 19% do capital da JBS, segundo estimativas feitas pelo Valor. Segundo o jornal, as conversas já estão adiantadas.

Como eu já tratei neste blog anteriormente, o Friboi é um dos maiores compradores de carne do país, inclusive no Mato Grosso – estado cuja fronteira agrícola está em plena expansão. De acordo com um estudo do Banco Mundial, cerca de 75% da área desmatada da floresta amazônica está ocupada com pasto. A pecuária é a ponta de lança do agronegócio na região, limpando (ou grilando) a terra que depois poderá ser comprada, sem árvores e populações tradicionais, por sojicultores e canavieiros.

Em 2004, constatou-se que o frigorífico era um dos compradores de gado de propriedades rurais que estavam na “lista suja” do trabalho escravo – cadastro do governo federal que relaciona os empregadores que comprovadamente utilizaram esse tipo de mão-de-obra. No dia 21 de maio, ele se tornou signatário do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, após dois anos de vigência, sob pressão de redes de supermercado como o Wal-Mart. Com isso, se comprometeu a deixar de comprar de fazendas escravagistas.

O BNDES declara que utiliza a “lista suja” para conceder empréstimos e financiamentos, assim como já faz o Banco do Brasil, o Banco do Nordeste e do Banco da Amazônia – só para citar instituições estatais.

Nesse contexto, espera-se que nosso banco de investimentos, ao se tornar sócio dessa empresa, tenha certeza de que ela não está comprando carne que tem o desmatamento da floresta, a grilagem de terras, a expulsão de comunidades tradicionais e o trabalho escravo, infantil ou degradante no DNA de sua carne.

O frigorífico Bertin, outro grande exportador, para conseguir recursos do IFC, o braço de investimentos no setor privado do Banco Mundial, teve que realizar um estudo de impacto sobre a ampliação de sua atuação no Pará. Afinal de contas, a região conhecerá um crescimento da demanda por gado causado pelo aumento de sua capacidade de abate. O estudo, criticado pela sociedade civil, não contempla todas as possilidades de danos sociais, ambientais e fundiários. Mas é, em si, um avanço com relação ao passado, em que nada se cobrava e tudo se podia.

A assinatura do Pacto Nacional foi um passo importante dado pelo Friboi, mas é necessário que a empresa dê outros. Não é porque a empresa é o maior frigorífico mundial que ela deve ser motivo de orgulho para o Brasil. Mas sim o tratamento que ela reserva à sua terra e sua gente.


  1. Rui disse:

    Como carne pra cacete. Mas essas notícias me dão azia…

  2. Fernando disse:

    Nao tenho duvida que o BNDES vai fazer o seu due diligence para ter certeza que a JBS esta cumprindo com suas obriagacoes trabalhistas e ambientais… hoje em dia a criacao de gado ja tem tecnologia o suficiente para convicer em armonia com a mata sem uma necessidade de desmatamento. Todos os paises desenvolvidos ja desmataram tudo que podiam e agora tentam minar nosso crescimento com esses argumentos. E’ importante ter um balanco entre desmantamento e expansao agricola/economica no nosso pais. Nao e’ porque uma arvore e’ cortada isso e’ necessariamente ruim. Vai reclamar com os EUA ou a Europa que nao tem mais uma arvore original em pe’ mais… mas la ninguem passa fome… oque e’ melhor algumas arvores a menos ou uma populacao interia a mingua. Nao da para se desenvolver sem comprometer um pouco do nosso tao amado verde, mas na minha opiniao existe um meio termo, e esse radicalismo de que arvores nao podem ser cortadas e’ uma irresponsabilidade de quem nao ve que o Brasil precisa cerscer a acima de tudo

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