Comissão deve reafirmar apoio à fiscalização do trabalho

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A Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) irá se reunir na tarde desta terça-feira (31), em Brasília, contando com a presença dos ministros Carlos Lupi (Trabalho) e Paulo Vannuchi (Direitos Humanos). Em pauta, o caso da fiscalização na fazenda Pagrisa, em Ulianópolis (PA), onde mais de mil trabalhadores foram resgatados da escravidão na lavoura de cana-de-açúcar no início de julho.

Recentemente, Lupi e a secretária nacional de Inspeção do Trabalho, Ruth Vilela, sofreram ataques por parte de deputados e senadores que apóiam a empresa durante uma visita não-cordial de uma comitiva, que incluiu até o proprietário da fazenda, ao Ministério do Trabalho e Emprego.

O contra-ataque do patronato e de seus comandados políticos têm uma explicação: grandes distribuidoras de combustível, como Petrobras e Ipiranga, estão deixando de comprar etanol da Pagrisa enquanto a empresa não regularizar sua situação trabalhista. As distribuidoras e seu sindicato são signatários do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.

Ou seja, toda a movimentação da Pagrisa, que envolveu até a Ordem dos Advogados do Brasil no Pará, está ocorrendo porque a indignação da sociedade agiu de forma certeira, atingindo a parte do corpo que mais dói ao capitalista: o bolso.

Organizações da sociedade civil, além de instituições da Justiça e do governo, devem reafirmar, durante a reunião, o apoio às ações do grupo móvel de fiscalização, que libertou mais de 25 mil trabalhadores da escravidão desde 1995.

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