Transito é o que importa. Às favas com os sem-teto…

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A favela do Real Parque acordou hoje com a polícia batendo à porta para uma reintegração de posse. Sem aviso prévio, chegaram chegando: “Vocês têm duas horas para sair”. O proprietário do barranco que serve de moradia a dezenas de famílias pobres, a Empresa Metropolitana de Águas e Energia, pública e, portanto, pertencente a todos nós, queria o terreno de volta.

Quem passou o dia lá, tentando resistir, sentiu na pele balas de borracha, bombas de gás lacrimogênio, desocupação forçada, violência. Para protestar e se fazer ouvir, fizeram a única coisa possível: ocuparam a pista da avenida Marginal Pinheiros, sentido Interlagos. A interrupção causou o maior congestionamento do ano na capital paulista.

Estou esperando o texto com o depoimento de uma amiga jornalista, que mora na favela do Real Parque, e que passou o dia no meio desse redemunho. Mas não posso deixar de externar duas coisas. Primeiro, o ato em si, violento, totalitário e estúpido. Que ocorre em um local que já é o retrato acabado da desigualdade urbana do feudo paulistano: de um lado, as favelas do Real Parque e do Jardim Panorama, do outro, o Parque Cidade Jardim, empreendimento de R$1,5 bilhão que está em fase de construção. Só a maquete de R$ 800 mil custou o equivalente a 53 casas populares.

Segundo, a cobertura da mídia. A grande maioria dos veículos de comunicação deram manchetes para o congestionamento e relegaram ao segundo plano a tragédia humana que está ocorrendo agora. Colocam depoimentos de motoristas reclamando que perderam a hora para alguma coisa, xingando os “baderneiros”, mas não se ouviu direito os moradores. Eles aparecem na tela para mostrar o “drama” e desaparecem quando já deram audiência suficiente. Ninguém discute a questão da moradia na cidade, que possui milhares de imóveis vazios, inclusive do poder público, enquanto um exército mora ao relento ou submora. Cadê o governo para explicar sobre o que (não) vem fazendo com relação às políticas de habitação?

“Ah, mas o congestionamento afetou a vida de mais gente, por isso é a notícia mais importante.” O conceito de relevância jornalística se perde em justificativas como essa, desumanizando a situação. Os dois fatos são notícia. Mas o que está acontecendo no Real Parque hoje não é um caso isolado de meia dúzia de favelados e sim um exemplo da forma como o governo estadual vem tratando os mais pobres. O que está acontecendo ali se reproduz com uma triste freqüência pela periferia de São Paulo. Milhões de pessoas conseguiriam se reconhecer nessas histórias se elas fossem retratadas corretamente pela imprensa.

Mas isso interessaria a quem?

Afinal de contas, não é quem tem carro que apanhou e vai dormir no relento hoje.

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  1. Thiago Rodrigues disse:

    Hoje, ao ver uma reportagem sobre os menores de idade que moram na rua,uma frase me chamou a atenção: será que toda essa miséria de seres humanos igual à nós se tornou algo pacato e natural? Perdemos a capacidade de sofrer pelo nosso irmão de vida? Esquecemos que aquele cara que agora está sofrendo tem sentimentos e sonhos? Qual o direito nós, capitalistas acima de tudo, temos em sobrepor outros – COMO NÓS – em benefício aos nossos tão importantes interesses. Como já disse o velho Renato… O ser humano é desumano. Tenho nojo de ser Brasileiro…Tenho nojo de habitar um planeta com seres tão imundos. Aliás é como já ouvi : o maior indício de que existe vida em outro planeta, é o simples fato de que eles nunca tentaram se comunicar conosco.

  2. verônica couto disse:

    Passei o dia pensando nas imagens que tinha visto, e me perguntando: para aonde vão essas pessoas? Segundo os jornais, 1.200 barracos. Para aonde elas vão? E eram muitas, muitas, muitas crianças. Ali no meio do gás de pimenta, da correria. Onde estão vereadores, poder público, conselhos da criança e do adolescente, ongs, etc, etc.? O que a gente deve fazer?

  3. Franciele Busico disse:

    A midia eh nojenta… percorri todos os telejornais nessa noite e, os comentarios sobre a truculenta desocupacao sao todos por ai mesmo, como bem disse o Leonardo, so conta o quanto o transito dos paulistanos foi complicado, que marcas foram batidas durante o dia, etc!!! Eh um absurdo, que vergonha dessa cidade, dessa administra’c~ao p’ublica…

    Bem, vou aproveitar para informar que acabo de falar com uma pessoa muito querida que faz parte do movimento Favela Atitude, do Real Parque e Jardim Panorama, que me pediu que comunicasse em locais democr’aticos como esse blog que foi decidido em assembleia agora pouco que amanh~a, quarta-feira, 12-12-2007, as sete horas da manha, os moradores do Real Parque se reunir~ao em frente ao Projeto Casulo (entrada da favela) para se organizarem para sairem para fazer uma manifesta’c~ao pac’ifica na prefeitura (Centro) sobre a quest~ao da moradia.
    Divulguem, participem! (obrigada e desculpem pelos problemas com o teclado, que n`ao me permite acentuar corretamente as palavras).

  4. Rafael de Sá Menezes disse:

    Cara, estou conhecendo este blog agora, meus parabéns pelas notícias! Estou meio sem tempo comentar agora, mas espero acompanhar as novaS! Saudações!

  5. Pedrão disse:

    Sintetizou meu sentimento ao parar em frente à banca de jornais hoje e ver a cobertura da mídia.
    Já ia escrever um texto sobre este assunto. parabéns.

  6. Ricardo disse:

    Dois lados da moeda: primeiro o crescimento desorganizado de sp. Pessoas invadem locais sem a menor estrutura reivindicando por melhorias… é fácil chegar em qualquer lugar e dominar ilegalmente o território, começando a pedir água, luz, telefone… não que não tenham direito, mas o governo deveria organizar esse crescimento e a chegada de imigrantes de qualquer parte do país. O outro lado, e mais absurdo, está nos empreendedores imobiliários. Responsabilidade social não é esperar o governo retirar os moradores a força, mas sim proporcionar condições que façam com que os moradores saiam para algum lugar determinado. Se um empreendimento custa R$ 1bi, e o lucro depois das vendas seja 5 vezes mais, pq não organizam um espaço com moradia para essas pessoas expulsas? Pq não fazem um programa para levar a pessoa de volta a sua terra, caso queiram? Simplesmente pelo fato de estarem míope ao ser humano e focados em dinheiro… o custo de um programa social para uma empreendedora é ínfimo dentro dos gastos que têm nas construções de suas mansões suspensas… e os custos seriam repassados para aqueles que compram esses apartamentos, custos estes que pra eles não faria diferença… e outra, as empresas que mais têm ação valorizada em bolsa são aquelas que comprovadamente possuem programas sólidos de responsabilidade social… é só uma questão de se humanizar e pensar em um todo, não só em si mesmo. Tudo tem uma solução, basta termos vontade…

  7. josé francisco disse:

    Isto é obra o excelente governador de são paulo, e candidato a presidente da república, assim como seus aliados no senado: sergio guerra, artur virgílio etc…
    coitado dos pobres nas mãos destes caras! Estes sujeitos pensam que enganam alguém. Reprovaram a cpmf, não porque são bonzinhos, e estão preocupados com os mais pobres. e sim por questões políticas pensando em fazer o sucessor do lula em 2010. tanto isto é verdade, pois não são os pobres e miseráveis que mal tem o que comer, que movimentam contas em bancos. Os grandes beneciados foram os empresários. Mais eles não perdem por esperar, 2010 vem aí e daremos o troco nas urnas.

  8. X disse:

    MENTIRA!!! MENTIROSO!!! NÃO DESINFORME AS PESSOAS JAPONÊS!!!

    AQUELES LIXOS HUMANOS ESTAVAM CONSTRUINDO BARRACOS DE FACHADA!!!

    JÁ TINHA ATÉ FAVELADO VENDENDO BARRACO LÁ!!!

    TEM É QUE MANDAR ESSE LIXO HUMANO DE VOLTA PRO NORTE E NORDESTE!!!

    CHEGA DE NORTISTA E NORDESTINO!!!

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