"Carrasco do Maranhão" é condenado a 14 anos de cadeia
Recife - Lembram-se dessas fotos? Postei aqui no blog meses atrás.


É o corpo de um trabalhador rural que foi queimado com ferro em brasa, daqueles de marcar gado, por ter reclamado da qualidade da comida e dos salários atrasados por meses. As fotos rodaram o mundo e a indignação foi grande contra o proprietário da fazenda que escravizava seus trabalhadores.
Uma boa notícia que soltei na Repórter Brasil e reproduzo aqui: o fazendeiro Gilberto Andrade, acusado de ter torturado o trabalhador, foi condenado pela Justiça Federal no Maranhão a 14 anos de prisão pelos crimes de trabalho escravo, ocultação de cadáver e aliciamento de trabalhadores. De acordo com o Ministério Público Federal, responsável pela ação, a condenação se deve a uma libertação de 19 escravos ocorrida em uma de suas propriedades anos atrás. A decisão saiu no final de abril. Mas enquanto recorria da sentença em liberdade, ele foi preso no início de maio e encaminhado à Penitenciária de Pedrinhas por causa de três pedidos de prisão preventiva solicitados pelo MPF gerados por reincidências nesse crime.
Para quem tem a impressão – correta – de que a Justiça no Brasil tem dois pesos e duas medidas, um tratamento para os ricos e outro para os pobres, a condenação é um alento.
Gilberto Andrade é figurinha repetida entre aqueles que desrespeitam os direitos humanos. A libertação que originou essa condenação é apenas uma das muitas operações já realizadas pelo grupo móvel de fiscalização, formado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Ministério Público do Trabalho (MPT) e Polícia Federal (PF), em suas fazendas Boa Fé Caru, Bonsucesso e Baixa Verde, localiadas entre o Maranhão e o Pará. Ele já foi fiscalizado por denúncias de trabalho escravo em maio de 1998, setembro de 1999, novembro de 2004, maio de 2005 e fevereiro de 2008. Esta última foi o caso do homem marcado a ferro, que contou com 23 pessoas libertadas e pelo qual ele ainda será julgado.
Ainda segundo denúncia do Ministério Público Federal do Maranhão, foram localizados cadáveres enterrados nas fazendas do réu, que teria conhecimento do fato. Devido à dificuldade de identificação das ossadas, os crimes ainda estão sendo investigados.
Gilberto Andrade, além dos 14 anos de cadeia, vai ter que pagar uma multa de 7,2 mil salários-mínimos, no valor vigente à época dos crimes. De acordo com a sentença, não será possível a suspensão da execução das penas, bem como a substituição das penas privativas de liberdade por outras como doação de cestas básicas e serviços à comunidade.
O escravagista está na “lista suja”, cadastro do governo federal que relaciona os empregadores que comprovadamente utilizaram trabalho escravo. Com isso, ele perde acesso a créditos de instituições públicas e de alguns bancos privados e clientes ligados ao Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. Entre os frigoríficos que já compraram sua produção em anos passados está o Mãe do Rio, hoje nas mãos do Margen. Este grupo tornou-se signatário do Pacto Nacional este ano, comprometendo-se a adotar uma política de restrição comercial a quem se utiliza desse tipo de exploração.

É um começo…mas longo e árduo será o caminho para que se tenha justiça social neste país. Infelizmente, não se pode contar com aqueles que foram eleitos para defender e representar os interesses do povo.
Muito importante…
todos nós começarmos a nos mobilizarmos, muitas vezes achamos que não tem jeito, mas se cruzarmos os braços ai sim ficarar pior…
O problema é saber quanto tempo teremos ele na cadeia e se vai realmentepagar um centavo de muita. Infelizmente, eu duvido!
Sobre as últimas noticias da imprensa estrangeira de que a Amazônia não é propriedade do Brasil, não tem comentários a este respeito.
A hora desse cara vai chegar! E quando chegar…
Não é apenas a justiça do Brasil que tem dois pesos e duas medidas, a concepção moral do nosso povo é assim, consequência do sistema escravagista, mas um dia muda, com certeza para melhor.
Que horror!!! Se não visse tanta coisa acontecendo pelo mundo afora ficaria dificil acreditar!
Muito bom! E o trabalhador, vc tem notícia dele? Vai receber alguma indenização, tratamento médico, psicólogico, auxílio social?
Seria bom investigar se esse maldito fez alguma doação para algum político.
Para esse(s) maldito(s) fazendeiro(s) um ótimo e exemplar castigo seria :
– A desapropriação da fazenda
sem idenização, pois somente a prisão não é sufuciente para reparar o dono causado ao trabalhador.
– Cumprimento integral da pena em regime fechado.