Facão virou arma de destruição em massa

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O uso da força é um instrumento político. É claro que devido à sua natureza, se utilizado, deve ser apenas em circunstâncias extremas, pois tende a ser uma faca de dois gumes. Pode contribuir para alcançar um objetivo, mas também gerar impactos negativos sobre a imagem junto à sociedade. Mas é uma alternativa, muitas vezes desesperada, diante da incapacidade do poder público de agir diante do desespero alheio.

O diálogo e as vias legais devem ser a primeira opção, por serem menos traumáticas. Mas nem sempre o outro lado, hegemônico, está disposto a negociar – principalmente se isso significar perda de regalias (note-se que não falei de perda de direitos, mas sim de regalias). Muitos diálogos terminam em muros intransponíveis pelas vias legais. E, vale a pena lembrar, muitas das leis que impõe desigualdades foram implantadas pelas classe sociais mais abastadas da sociedade, através da ação de seus representantes políticos nos parlamentos. Por essas e por outras, creio no poder da desobediência civil.

Para fugir da barbárie, cedemos ao Estado o uso da violência. Mas o próprio Estado (executivo, legislativo e judiciário), tomado, cooptado ou parceiro de alguns grupos sociais, é instrumento de repressão social. Nesse caso, recorrer a quem?

Uma ocupação por sem-terras de uma fazenda improdutiva, que desmate ilegalmente ou que use escravos, uma ocupação por sem-tetos de um prédio mantido fechado por especulação financeira, a retomada de uma terra indígena comida pelo agronegócio, a resistência à expulsão de comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas, que sairiam para dar lugar ao “progresso” e ao “desenvolvimento”, são ações necessárias para fazer valer o direito à vida de muitas populações. Nesse ponto, devem ser consideradas como legítima defesa.

Muitas vozes se levantam para reclamar da violência resultante dessas ações, mas se calam diante de massacres, chacinas e genocídios que ocorrem diariamente sobre esses povos “bárbaros”. Que, onde já se viu, usam facões e foices, armas de destruição em massa. Distantes da civilização representada por fuzis, colheitadeiras e motoserras.

Abaixo, charge de hoje do Glauco, na Folha de S. Paulo.


  1. marcelo batista disse:

    Violéncia é sempre violéncia. Se por moto-serras ou por facões, querer justificar esse ou aquele, é sempre tamar partido. E se toma partido ja não é imparcial, então, não pode julgar.

  2. Ciro Marcondes disse:

    Caro Marcelo,

    Você acha que qualquer pessoa na face da Terra, seja juiz, jornalista ou político é imparcial?

    Sugiro que leia um pouco de Teoria da Comunicação. Imparcialidade não existe.

  3. Eliseu 32 disse:

    A fome é a maior violência possível. Quem defende que se fique impassível a isso, sem protestar, gritar, agir, ocupar, resistir, produzir, merece um final trágico.

  4. marcelo batista disse:

    Caro, Ciro, as leis não são feitas em cima de achismo. Ao julgamento cabe o pressuposto da imparcialidade. Concordo contigo que no íntimo ,seja quem for, tem a sua opinião sobre qualquer assunto, no entanto aquele que se ápta a julgar, tem que se conter ao máximo sobre as provas, só assim se faz justiça. comentar , discutir o que eu penso, vc aqui fazer o mesmo, tudo bem. Não estamos julgando e sim discutindo. Agora se escrevo ou ponho-me a julgar alguém , isso tem por obrigação , que conter análise, responsabilidade, provas, investigação, só assim será feito uma análise tecnica e digina de credibilidade.

  5. Júlio disse:

    Ai ai, que preguiça desses conservadores…

  6. jorji disse:

    Investigação, provas, etc,etc, etc,etc,etc,etc,etc,etc. Convenhamos, os povos cristãos massacraram os índios, um verdadeiro genocídio, um assassinato em massa, e ainda tem coragem de falar em amor ao próximo esse povo assassino.

  7. Renzo disse:

    Sakamoto,
    Sempre aprecio seus artigos que comentam sobre a defesa dos povos indígenas.
    Abraços

  8. chris disse:

    Julgar é tão difícil… e quem usa da violência acaba sempre perdendo a razão. O caminho certo nós já sabemos qual é, é o da desobediência civil, do ativismo pacífico porém contundente. Para mostrar isso Ghandi veio, e realmente mostrou, não com palavras, mas com sua vida.
    Resta saber quem tem força moral para fazer o que é certo, por mais difícil que seja.

  9. Gustavo disse:

    Sakamoto, acompanho o seu blog e gosto de suas opiniões. Gostaria que você fosse mais fundo nessa questão das “terras indígenas” que está se configurando uma ameaça à soberania nacional. Parabéns pelo trabalho!

  10. marcelo batista fer. disse:

    Jorji, povos, independentes de serem ou não cristãos, sempre sobrepuljaram outros, em busca de território.No entanto, a muito tempo por aqui temos visto a conciencia valorizando os indios. Pegue o exemplo dos indios americanos, ou australianos, povos que ja estão culturalmente sociabilizados,e que ao mesmo tempo mantem suas caracteristicas culturais. Porque aqui temos que ficar nessa hipocrisia, que o indio tem que continuar um bicho do mato, quando a realidade mostra que ja não o são? 3 ou 4 mil indios em uma área der quase meio Alagoas, é mais fácil uma tribo dessa chegar próximo a extinsão,que conhecerem toda a área desta reserva. nossos indios hoje se são explorados , podem ate ser, mas por ongs e países que tem interesses escusos em nosso território.

  11. Wal disse:

    Fala isso pro cara que foi fazer uma palestra e levou uma facada…

    Aqueles “indios” estavam lá pra proteger seu modo de vida primitivo, caçando nas matas, pescando e nadando no lago, né? Só falta um vestiário para deixarem suas camisas sociais, o estacionamento pras land rovers e um caixa eletrônico para que possam cuidar das suas aplicações com o dinheiro do garimpo e extração de madeira ilegal.

    Que conversa pra boi dormir, sô!

    No Brasil, são inimputáveis crianças, idiotas e companheiros, índios ou não…

  12. jorji disse:

    Marcelo, sou ateu, mas simbolicamente falando, sempre disse que a lei do mais forte é a lei de Deus, a realidade é pura questão biológica. Em relação aos problemas indígenas, te garanto que vão ser extintos, seja por miscigenação, ou pelos valores cristãos, diga-se, nefasto.

  13. marcelo batista ferr disse:

    Algum cristão ja pisou-lhe o pé, Jorji? Quanta raiva.Isso não constroi nada, parece aquele indio de facão na mão.

  14. Danielle disse:

    é muito fácil falar quando não é um amazônida ou muito menos mora aqui…eu nasci e vivo aqui neste Estado, onde aconteceu este fato….convido àqueles que veem a amazônia pela tv globo, a virem pra saber que há pessoas morando, não é só bicho e plantas, temos sérissimos problemas, por termos ..há graves violações contra nosso povo…nossos indios nao sao mesmo mais aqueles “selvagens” que tanto querem ver, mas ainda, sao gente, e nunca vao deixar de ser, e alem de tudo eles tao defendendo com unhas e dentes aquilo que os querem tirar a força….imagine, tirarem vc a força de onde vc nasceu e cresceu, sem direito a nada??? vc ter que sair de um local onde vc cresceu, criou raizes culturais??
    Enfim, aqueles que apedrejam esses indios a vim ver a amazônia como ela é, nao como é imposta por estes programas de tv…que como diz o titãs “só nos deixam mais burros”…

  15. Diogo Gabriel disse:

    Sakamoto, seria muito bacana se as pessoas que julgam esse caso sem habitar a região, entendessem um pouquinho da revolta desses índios. Imagine só, se nós mesmos nos revoltamos com o que é tirado ou roubado de nós, agora aplicamos esse exemplo para o meio de sobrevivência dos índios, como caça, pesca, moradia, ect. É altamente vergonhoso mesmo ousar em destruir milhões de hectares, pa dar espeço a energia, lembrando que pagamos aqui no norte a energia mais cara do Brasil. Não vale mesmo a pena destriur a dignidade destes seres que também são humanos. Sua observação sobre o caso é gloriosa, sinto um alívio muito grande pela sua preocupação pelo povo que “quase” são esquecidos.
    Torço pelas suas conquistas! Já virei fã.
    Abraço

  16. Rafael disse:

    Engraçado considerar que funcionários de empresas, desarmados, sejam atacados com facões, e que os atacantes estejam agindo em legítima defesa. Engraçado também considerar que os índios estejam sendo removidos para dar lugar ao agronegócio, em especial no governo que vem batendo recordes em demarcações, gerando inclusive problemas sérios para a nossa defesa territorial. Também é de se admirar que se ache justas as invasões dos sem terra utilizando-se de foices, facões e demais ferramentas de trabalho – normalmente as ferramentas de trabalho são cortantes e pontiagudas. Dificilmente vemos rastelos, pás quadradas, etc. É mais comum vermos a foice do que o martelo. As fazendas que eles invadem são todas utilizadoras de mão de obra escrava? Desmatam ilegalmente? Vemos a perseguição que a Vale do Rio Doce vem sofrendo, e não parece justo que tal empresa, legal, que gera empregos, um volume imenso de impostos, e que ajuda a segurar nossa balança comercial, seja achacada por motivos tão mesquinhos, por pessoas de interesse tão duvidoso. É bom para o Brasil que a via campesina destrua o material de pesquisa da Aracruz ?
    Ao que parece, textos como este querem que o Brasil seja como a África, com total subdesenvolvimento, guerras étnicas, chacinas, fome, doenças. Abaixo o capitalismo! Esse discurso já foi, só um tolo não percebe que o comunismo acabou, pois não respondeu as necessidades do povo. Veja a União soviética de Stalin. Pouca gente sabe que ele matou muito mais gente que Hitler. Veja a situação de Cuba. Veja a China, onde a população só agora vem melhorando de condições, com a abertura do mercado.

  17. Giovanni disse:

    Eu tenho um facãozinho aqui em casa, meio enferrujado, e estou precisando de um voluntário para amolá-lo. Me empresta seu pescoço?

    Pelo teor do teu texto, tenho certeza de que terei minha solicitação atendida. Ou não?

  18. J. Roberto de Carval disse:

    Não vale a pena comentar um artigo que já fundamentou uma opinião, tomou partido em favor de uma ideologia “óticamente linear” e periférica. Esse é um assunto para ser digerido por mentes lógicas e não partidárias. por intelectos isentos de paixões políticas sociais e dotadas de equilíbrio analítico…

  19. Ricupero disse:

    Não existe imparcialidade. Quem acha o contrário deveria ler mais.

  20. marcelo batista ferr disse:

    Rafael, meus sincéros parabéns, finalmente alguém aqui que pensa no país de verdade, e não fica na hipocrisia, da falsa moralidade, e no apoio a transgressão da leia e da ordem. Parbens Rafael por perseber que indios ,brancos, negros, quilombolas, imigrantes naturalizados, todos são BRASILEIROS,e como tais dever seguir as leis igualitariamente. Infelizmente alguns com pretesto da defesa da minoria, só fazem apoiar as coisas ruins e nunca as boas. Ainda tem gente que acredita que todos nossos índios vivem da caça e pesca, isso não quer dizer que não são gente, são e tem seus direitos, até mais que a maioria do povo brasileiro, mas hoje é bem fácil que um indio nasça e morra sem conhecer toda a sua reserva, tamanha a desproporção área/habitante, que vemos nessas reservas.

  21. marcelo batista fer. disse:

    Diogo, se vc morra na região e conhece o projeto Belo Monte atual, sabe que esta usina não ira desabrigar nenhum indio,pois a reserva deles é muito maior que o reservatório.Talves alguns que habitem a futura área alagada sejam remanejados, mas para dentro de sua própria casa/terra. agora pergunto-te, é bom ter ai ligado um computador , um ar condicionado, uma tv, geladeira, sabia que hoje muitos indios tem isso, sem falar que só andam de Camionete mitsubishi 4×4, e vivem mais do nosso dinheiro/funai, do que de peixe e açai? Pois é, as boas coisas da modernidade querem, mas desde que sejam feitas usinas para isso em terras dos brancos? Terra indigena tambem é brasil, e pelo interesse nascional, seja a terra do branco ou do indio, ela tem que servir a pátria.

  22. Mimi disse:

    Sakamoto: incrível a sua inconsequência! Embora você não tenha tido coragem de dizer abertamente que achou correta a ação dos índios com seus facões sobre o engenheiro, era a esse fato que você se referia, creio que vc não vai negar. Acho que a violência contra indivíduos desarmados é sempre covarde e errada, mesmo que seja feita só com as mãos e pés, você não acha? Não acredito que somente as armas de destruição em massa devam ser evitadas, mas sim todo uso da violência para intimidação e imposição de idéias. Quanto à sua defesa ao direito de toda pessoa (vale para todas indiscriminadamente, não?) usar qualquer tipo de arma para agredir aquele que ela julga que a prejudica, ou apenas representa quem a prejudica, bem, o dia em que aceitarmos como válidas a violência das agressões, dos sequestros, das chantagens, então com certeza todos nós teremos nos tornados verdadeiros selvagens.

  23. greibio alves dias disse:

    O uso da forca e um instrumento politico de uso exclusivo do Estado. So pra lembrar.

  24. jorji disse:

    Marcelo, pense um pouco mais, olha para o seu próprio umbigo, todos somos capazes de matar, seja com facão ou não.

  25. marcelo batista fer. disse:

    Jorji, ser capáz de matar, não quer dizer que deva fazê-lo. A situações e situações. O pressuposto é que matar, atacar, violentar, alguém desermado e inocente, sempre será crime.
    Jorji olhe para seu próprio umbigo, todos somos capaz de amar. Ame não mate.

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