Yeda, Aracruz e o exército a favor do "progresso"

A foto acima traz a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), entrando em um ônibus da Aracruz – empresa líder mundial na produção de celulose branqueada de eucalipto, usada na fabricação de papel – para um evento. Estou sem o autor, mas ela está circulando na internet, principalmente em blogs e sites gaúchos.
A Aracruz tem uma longa ficha corrida de agressões ao meio ambiente e invasões de terras indígenas e quilombolas. Pertinente à agenda da governadora tucana, de liberdade para o agronegócio a qualquer custo.
Há oito anos, denunciei um projeto da Aracruz para construir um terminal marítimo para escoamento de madeira na Bahia que causaria sérios problemas ambientais. Lembro de ter tomado pancadas de arautos do “progresso” em prol da empresa. É difícil criticar comportamentos de quem é bem a$$e$$orado.
Duas histórias ilustram bem como o poder econômico de uma empresa se infiltra em nosso cotidiano:
Outdoors que recontam a história
Eles vieram ao mundo patrocinados por empresas e organizações da região Sul da Bahia, área de vastas plantações de celulose em forma de eucalipto. E apesar dessas fotos serem tão interessantes e dizerem tanto sobre a época em que vivemos quanto Isabelas, elas não ganharam o mesmo espaço na mídia.
Parte da grande indústria ligada à agropecuária e ao extrativismo, bem como seus arautos defensores, perderam o pudor totalmente. Quando expande seus domínos às áreas cujo capital ainda não alterou as relações sociais, ocupa terras de populações tradicionais, pilha os recursos naturais e globaliza os lucros advindos da exploração da mão-de-obra barata.
Há discurso terrorista contra os povos indígenas. Vá para Roraima e para o Mato Grosso do Sul, por exemplo, e perceba, através dos argumentos contra eles, o estrago das campanhas pelo “progresso” feito no imaginário popular. E a História continua sendo escrita e reescrita pelos conquistadores. No ritmo em que vão as coisas, se for deixar a elaboração dos livros didáticos na mão desse povo aí do outdoor, não me surpreenderia que fossem feitas algumas atualizações.
“Em 22 de abril de 1500, o proprietário rural português Pedro Álvares Cabral, quando aportou no Sul da Bahia, estabeleceu comércio com os caciques da tribo Aracruz, trocando miçangas por toras de eucalipto – o que foi altamente lucrativo para os locais. A primeira missa foi celebrada com a presença de dezenas de operários – entre os turnos da tarde e da noite – de forma a não prejudicar a produção…”


Publicidade indevida
Anúncios com cara de reportagem têm sido cada vez mais comuns na mídia impressa. Já comprei uma revista da Editora Abril e me deparei com uma matéria, bem produzida, diga-se de passagem, sobre a produção de eucalipto, matéria-prima da celulose. Ao final, em um quadradinho acanhado, menor que um papel de bala, aparece que aquele conteúdo foi feito sob encomenda da Aracruz Celulose. Sem o “Informe Publicitário” que aparecia no topo das revistas antigamente quando elas publicavam anúncios com cara de matéria, que a ganância comeu, provavelmente.
Até entendo a crise financeira pela qual passam muitos veículos de comunicação, mas há certas concessões que parecem ser uma boa idéia, e no longo prazo jogam a credibilidade do veículo na lama. Vender uma marca como se fosse informação independente é enganar o leitor. Até porque a “matéria” defendia que o eucalipto não causa impacto ambiental, o que é contestado por pesquisadores da área.
Espera-se da Aracruz (sem trocadilhos) tentar lavar sua imagem, que sofreu sérios danos por conta de sua invasão de terras pertencentes a comunidades indígenas e quilombolas no Sul da Bahia. Mas é dever de uma empresa que faz jornalismo não deixar ser usada para lavagem de reputação de empresas – ainda mais oferecendo ao leitor gato por lebre.


Dá o troféu Frango para a Yeda Crusius também. Pelo amor de Deus!
Índios vagabundos têm é que trabalhar. A Aracruz tá é certa. Tem que tomar a terra deles mesmo e dar para quem trabalha!
Pedro Álvares Cabral não poderia ter trocado miçangas por toras de eucalipto, pelo simples fato de que o eucalipto não é originário do Brasil, portanto, no ano de 1500, não existia eucalipto no Brasil..
Não é à toa que se fala tão mal do ensino no Brasil. Se os adultos que acessam a Internet – e a maioria, por conseguinte, tem dinheiro para comprar computador – escrevem as besteiras que escrevem, o que dirá dos meninos.
Geenntee ! vamos pensar quantos milhões de árvores nativas seriam abatidas se não fossem as plantações de eucaliptos ! É a suprema burrice atacar as plantações de eucaliptos. É ser favorável ao desmatamento desenfreado. E o pior é que o lula também acha isso.
Aqui na fronteira do Brasil com o Uruguai por ser faixa de fronteira eles usam laranjas pra comprar terras, enquanto os deputados por eles patrocinados nas eleicoes tentam derrubar o limite de faixa de fronteira, terras essa que ilegalmente ja estao plantadas… Sera que so os pobres vao tomar sopa e comer guizado de eucalipto? ou a classe media tambem??!!! O que sera que vai acontecer com o aquifero guarani?!!!
Legal aproveitar o gancho, onde citei a invasão da via campesina à Aracruz, da matéria sobre índios e facões, para escrever essa matéria. Apenas uma coisa não justifica a outra, ok? Se forem provadas as acusações sobre a Aracruz, ela deve ser punida, mas, só se forem provadas, não adianta fazer inquisição. Mesmo isto sendo verdade, não justificaria atacar um operário, um engenheiro, ou o que fosse, com facões, as “armas de destruição em massa” que os padres da igreja católica ajudam os índios a obter. Até porque estariamos misturando as informações, e o negócio do facão é com hidroelétrica, não com eucalipto.
Os índios tem que possuir suas reservas, e ao que parece, elas estão sendo demarcadas “a rodo”. Não é interessante que setores econômicos sejam prejudicados porque índios, ou quilombolas, ou seja lá quem for, se sintam prejudicados. Na verdade, pelo que pode-se ver na maioria das vezes, eles se sentem prejudicados como forma de obter alguma vantagem financeira, e quando a obtem, refrescam-se os ânimos. Vale lembrar, ainda, que o Brasil inteiro, era território dos índios antes do “proprietário de terras” usando as palavras da matéria, Pedrão Alvares Cabra Macho “descobrisse” o Brasil em 1500. Vamos parar tudo, torcer para que os países dos antigos imigrantes aceitem seus descendentes de volta (vai ser dificil definir qual país vai ficar com quem, já que miscigenamos tudo). E vamos pedir também para quem ficar que não use papel, e que os índios remanescentes desativem suas impressoras e voltem a utilizar folhas de plantas para sua higiene pessoal.
Os indios da reserva indigina no Espirito Santo nem daqui são.
Estou pasma com tanta cretinice que foi escrita aqui. Sabem oque é ver milhares de árvores serem desmtadas e, em lugar, um Deserto Verde se instalar?? NEM PASSARINHO pousa nessa praga de eucalipto. Não existe vida. é duplamente pior que monoculturas “normais”. Morei no município de åracruz, no ES, e vejo agora a Fonte de água de Santa cruz , que está simplesmente secando.
Algum IMBECIL disse que os índios não são “nem daqui”. Informe-se melhor e verá de onde vêm essa empresa, de onde vem essa árvore de %!@$&@#
Comunidades quilombolas, que vivem agora cercadas por plantações de eucalipto, sofrem por não terem espaço pra plantar. E é certo que muito sangue foi derramado pra aquisição de terras, sim. Ou vocês acham que essa galera é boazinha? Isso tudo é um grande filme de terror.
PAGAMOS para sermos roubados. Terras, água, cultura.
Estudei em escola pública na região, e posso afirmar que as propagandas da Aracruz que dizia ser a empresa patriocinadora da educação, é uma grande piada de mau gosto. E, e eventos de meio ambiente, sempre eram apresentadas palestras com o papel de lavagem cerebral nos estudantes. Discursos ridículos. “mantemos áreas de preservação de mata atlantica”. Sim, sim.. do tamanho do sitio da vovózinha.
“Somos fonte de emprego para centenas de moradores da região”. Isso eu não posso negar. Pois é fato que várias pessoas foram empregadas, sim. Garis, Motoristas, cozinheiros… pessoas que ganham dois salários mínimos mas que se tivessem tido educação, seriam cientistas, quem sabe? Mas não. mantenha o povo burro e dê a ele um emprego e um cala-a-boca, e está tudo bem.
Enquanto isso, os filhos dos gerentes e trabalhadores “superiores”, estudam – com bolsa!! – numa escola ótima, e particular, financiada pela empresa.
Colonialismo, isso sim. continuamos como há seculos atras, só mudaram os discursos.