Faixa de Gaza: proporção de 150 para 1

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“Não temos nada contra os habitantes de Gaza, mas estamos comprometidos em uma guerra sem piedade contra o Hamas e seus aliados”, declarou o ministro israelense da Defesa. Desde o início das recentes hostilidades, foram mais de 310 mortos do lado palestino, dos quais 60 civis, e dois do lado israelense (às 12h desta segunda). Dá 150 para 1, por enquanto, mas o saldo vai aumentar de ambos os lados e é provável que essa proporção não se mantenha. Número de mortes não deveriam ser comparadas, pois a dor não é algo mensurável. Mas isso serve para ranquear nossa ignorância e estupidez. Se fosse uma ação violenta da polícia carioca junto a favelas, mesmo as classes mais abastadas – muitas vezes lenientes com a morte dos mais pobres – já teria chamado a situação de chacina ou massacre. Nesse caso, relutamos em falar em banho de sangue.

Podemos chamar de guerra quando um dos lados é tão superior militarmente ao outro, fato que se traduz na contagem de corpos, como no caso dos ataques israelenses? O que significa “não temos nada contra os habitantes de Gaza”? Considerar normal uma taxa de, pelo menos, 20% de “danos colaterais”, ou seja, de morte de civis em confronto? Nesse sentido, para não dizer que as Nações Unidas não estão agindo, há boletins com o número de mortos. Um placar eletrônico.

Bem-vindos a 2009! Que já nasce velho.


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