O preconceito e o elitismo no debate sobre o Vale-Cultura
O governo federal lançou o Vale-Cultura e vai tentar colocá-lo em prática dentro de um ano. A idéia, como todos devem ter lido, visto ou ouvido, é subsidiar através de renúncia fiscal o acesso dos trabalhadores a cinemas, teatros, shows, exposições, enfim. O valor (R$ 50,00/mês) não é muito, ainda mais considerando os custos dos produtos culturais no Brasil, mas já é alguma coisa. Se o instrumento vai dar certo ou não, se vai ter adesão em massa das empresas e da indústria cultural, só o tempo dirá.
Isso, é claro, levantou um debate na classe artística e entre alguns colegas de imprensa. O que é bom, pois é raro discutir o acesso à cultura pelos mais pobres para além da televisão.
Ouvi e li depoimentos reclamando que o “povão” iria torrar os 50 mangos em besteira, em livros de auto-ajuda, shows de brega ou forró, filmes blockbusters ou neochanchadas nacionais, enfim. Que deveria ser criada uma maneira do gasto ser feito apenas em produtos de “qualidade” ou da “cultura popular” dos estados. Ou seja, não deixar que se comprasse qualquer bobagem.
Tirando o lado elitista, preconceituoso e pseudo-paternalista desse tipo de declaração (já ouvi de muito empresário e fazendeiro, que faziam falcatruas trabalhistas, que retenção de remuneração serve para evitar que o peão se afunde na cachaça com o salário…), ela também inclui uma visão um tanto quanto distorcida da realidade.
Poderíamos discutir horas a fio sobre os mecanismos da indústria cultural que levam a um produto de massa se sobrepor e esmagar manifestações tradicionais e as conseqüências disso. Contudo, a preservação do patrimônio cultural tradicional não se resolve forçando o povão a consumir um baião tradicional a um tecnobrega, um grupo de cateretê a uma dupla sertaneja, um samba de raiz a um funk proibidão.
Também ouvi coisas do tipo: “esse povo precisa de um banho de Chico Buarque”. Na opinião destes, de “cultura de qualidade”. A clivagem entre o popular e o erudito (e a ignorância de fundir o erudito com o bom) é apenas parte dessa discussão. Esse tipo de pensamento, com a reafirmação de símbolos para separar “nós” da plebe, expressa mais preconceito de classe do que qualquer outra coisa. E, em um ímpeto quase jesuítico, a necessidade de catequisar vem à tona, para trazê-lo à nossa fé. Não que eles poderão entender tudo, mas poderão, pelo menos, deixar o estado de barbárie em que se encontram.
Nos grandes centros, o consumo da chamada cultura regional tradicional ganhou espaço entre os mais ricos e formadores de opinião. Virou cult. É em cima dessa análise que muitos querem resgatar, forçosamente, um passado “menos selvagem” em que a população de determinado lugar consumia esse tipo de arte da qual também gostamos. Sem se atentar que as coisas mudam, ou que a indústria cultural tem seus processos – que fazem ricos empresários que, ironicamente, bancam esses mesmos formadores de opinião.
Defender, propagar, incentivar as manifestações tradicionais é fundamental porque elas fazem parte de nossa identidade e ajudam a definir o brasil como Brasil. Mas sem desconsiderar as outras manifestações que ganharam visibilidade, também têm o seu valor e são queridas por muita gente. Bem, a discussão é bem mais complexa e não cabe em um post.
Ampliar o leque, dando mais possibilidades de escolha para a sociedade é uma coisa. Guiar o consumo cultural para preservar uma imagem que uma elite intelectual dos grandes centros tem de como deveria ser a cultura brasileira é outra.

É a segunda vez que concordo com você, Saka.
maravilhoso, disse tudo e mais um pouco.
por estes pensamentos de que nós e apenas nós somos conhecedores disto ou daquilo é que faz com que o mundo tenha tanta ignorancia e voce discreveu isto que pensam estas pessoas, muito bom seu pensamento, são de pessoas assim que a cultura e o povo precisam nao de catequisadores.
A cultura popular resistiu a massificação da cultura estrangeira impingida principalmente nas FMs, mas não teve jeito, a música popular prevaleceu, não conseguiram mudar o gosto do povo e agora esses mesmos pseudos-intelecutuais se rendem à cultura popular. Se não fosse a classe C, nós não teríamos uma cultura brasileira, já teria desaparecido, nós estaríamos cantando em inglês.
E o pior é o pessoal que come mortadela e arrota caviar apontando e dando risada para aqueles comem mortadela e são realmente felizes.
Gostaria de saber quanto desses que criticam o Vale-Cultura já levantaram o dedo contra a Lei Rouanet, a maior farra de recursos públicos do país. As empresa fazem o que querem e levam o mérito enquanto SOU EU que financia tudo.
Absurdo.
A QUEIMA DE LIVROS DA ALEMANHA DE GOEBELS, E A “OPERACAO BARBAROSSA” NO LESTE EUROPEU, NAO
CONFIRMARAM AS TEORIAS RACIAIS DE ALFRED ROSEMBERG E WALTER DARRE’. SERA QUE OS FACISTINHAS TUPINIQUIM
NAO CONHECEM HISTORIA?
Muito bem colocada as palavras do nosso amigo, Brasil numa direção melhor, combate as desigualdades sociais, inclusão social, aprimoramento de conhecimentos, é isso ai, Dilma 2010…
TEMO QUE ESTA IDEIA DE CRITICAR E REDIRECIONAR O
“BOLSA CULTURA” VEIO JUNTO COM OS CONTAINERS DE LIXO QUE A INGLATERRA NOS ENVIOU.
Caro blogueiro, definitivamente você faz parte de um seleto grupo de intelectuais desse Brasil. Vida longa aos humanistas.
É a intelectualidade bandeirante, da qual você falou posts atrás.
mais um remendo no pais das gambiarras.
é, ta certo, ano que vem é ano de eleições.
Que tal um vale-ético, um vale moral. Só não vale, o vale-tudo.
Vale-Cultura? O que o governo quer é tornar produtores culturais escravos de suas bondades, sempre com o dinheiro dos outros. Plantam escravidão enquanto gritam que quem é contra não gosta do povo, e assim ficamos cada vez mais dependentes e subservientes a um bando de burocratas incompententes.
Xi… Meu “incompetentes” ganhou um “n” a mais de bônus.
O acesso à Cultura é sempre bom, principalmente quando se trata de valorizar a NOSSA CULTURA. Eu não entendo porque as escolas incentivam o haloween e não prestigiam o nosso Dia do Saci. Vivemos elogiando outros países e no entanto vivemos ridicularizando o nosso País. Sujamos nossas ruas, nossos rios, nossos transportes e por aí vai.
Cultura não é só para ser vista.
Vamos dar caviar no domingo pra quem não vai ter nem para o arroz com feijão da segunda.
Primeiro devemos acabar com os analfabetos, com os pseudo alfabetizados, melhorar em muito nossa educação, com escolas em tempo integral conjugada com esportes, e ai sim a cultura estara atrelada a tudo isso.
Falar da cultura de escolha é olhar a superfície de um pântano, este apenas reflete o azul do céu, o Brasil é carente de cultura de base (aquela que forma o carater de quem decide e escolhe), você pode oferecer Mosart, Hegel ou mesmo pornografia para os asnos, o máximo que se consegue é vê-los mascar o material impresso.
O importante é não permitir a proliferação da mentalidade do asno, fornecer educação de base, orientação desde o berço, levar a criança a um desenvolvimento de opção consciente.
O adulto preparado absorve e fornece cultura e nem precisa de R$ 50,00 para fazer isso.
Cultura não depende de conceitos ou preconceitos, toda informação armazenada no conhecedor, no capaz ou qualificado o conduz a livre escolha, o que lhe cabe é assimilado e o que não lhe cabe o é da mesma forma, porém posto em prática somente o que conscientemente ele descernir.
Esse tipo de conscientização é estatisticamente útil, as consideradas bobagens por preconceito lhe serão entretenimento, ao passo que as mesmas “bobagens” aos despreparados é determinação subjetiva, meio de vida, prática abusiva, consequências da ignorância e da ausência total da liberdade de escolha.
Ora.., dirão os entendidos locais, “…eles podem escolher…”, respondo que o asno também pode o problema é que ele não sabe escolher.
Quem tem preparo busca a cultura enquanto que os que não o disponibilizam simplesmente assimilam o que lhe impingem, principalmente quando há interesses escusos na intenção de fornecer cultura.
Basta notar as indicações de candidatura acima, é essa a cultura pretendida num plano bem elaborado dos interessados nesse tipo de cultura (cultura indutiva, inconsequente e oportunista) manobra que entrará no esquecimento tão logo seja satisfeita a meta pretendida.
NUNCA LI TANTA MERDA NUM SO LUGAR!!!
Pois é toda vez que o governo tenta beneficiar a população, lá vem alguns reclamando, as pessoas subestimam a cultura que os brasileiros tem e querem ter, é mais fácil assim dominar né
Bom. Eu entendo que alguma coisa deveria ser feito, por outro lado, tudo que provém do povo tem mais autenticidade e portanto melhor patrocínio sem que alguém peça. Os endinheirados estão a procura de um ou bens cultural que possa perpetuar a participação do povo como principal retorno desses investimentos. Uma coisa muito boa nesse sentido são as Viradas Culturais no Rio e São Paulo que não têm de ambas as partes uma continuidade com a própria manifestação do povo como renascimento.
Gostei de todos os pontos de vista apontados acima. Muito inteligente a leitura do amigo Sakamoto, porem pouco elucidativa quanto ao medio-longo prazo.
É verdade, alguma coisa tem que ser feita pra acabar com a desigualdade e incentivar o acesso a cultura pelas classes de baixa renda (povão). Mas será que esta é a melhor solução que podemos chegar? Será que é este mesmo o melhor custo beneficio aos cofres públicos? Pra que dar o peixe ao invés de ensinar a pescar?
O Robin Hood Brasileiro (Lula) tem feito grandes avanços em varios aspectos da vida do brasileiro. Não concordo com seus métodos, principalmente com o estado paternalista em ascenção — não quero me tornar a Venezuela. Mas tenho que dar o braço a torcer pois ninguem cresce sozinho. Precisamos de urgencia, e é isso que as politicas do Robin vem mostrando.
O que é bom pro Brasil é bom pra todos. Assim teremos um povo mais bem informado e quisa culto.
Caro Sakamoto: será que Vale a pena amanhecer? Estamos em 2009 pensando em 2010. Quando chegar 2011, estaremos pensando em 2012. Quando…? Ou seja, quando este imenso e belo país acordará de seu dourado berço esplêndido e acalentado a séculos pelos infames, vís administradores(políticos) deste povo indolente e anestesiado no vã desejo de algum dia ser um deles, quando? E se chega lá…” nunca se ouviu nada na história desse país!”
Olá Sakamoto. O ideal é cada qual dispor de sua capacidade financeira e participar – com igualdade – da parte da cultura que lhe interessa. Pela 1ª vez o Brasil caminha para atingir esse ideal, mas se precisa aparar muitas arestas. Minha comunidade é formada por um milhão de habitantes e nossa única biblioteca pública possui acervo exclusivo ao ens. fundamental. Quer mais cultura que uma biblioteca? Pois bem. Aqui em Campo Grande, RJ. Apareceu a 1ª livraria em 2008. E somos a capital cultural do país!. No lugar da crítica vazia, parti para a ação fundando a Biblioteca Comunitária Muniz, Manoel e Joana. Comecei só em fev/2008, doando 300 livros. em julho/09, o acervo cresceu para 57 mil obras. A Prefeitura cedeu 2 salas do Centro Esportivo Miécimo da Silva, mas como não corportavam o acervo, sugerí a criação de uma biblioteca exclusiva dos esportes, esta com apenas 32 livos até o momento. A midia começou a fazer confusão entendendo que os milhares de livros eram todos esportivos e com isso, vários jornais e agora TVs têm me procurado agragando forças. em 3/7/09, apresentei projeto por incentivos fiscais em nome de minha pessoa física, que foi aprovado pela SEC do Rio. Agora disponho de R$122.500,00 para avançar com as bibliotecas. Por incrível que pareça, mesmo bastando preferir destinar um pouco do valor destinado ao pagtº do ICMS, está difícil conseguir adesões, pois os empresários preferem pagar os impostos integralkmente, assim numa indiferença à existência de uma biblioteca robusta, com qualidade e, integarlmente paga pelo Governo do Estado. Estou agregando forças publicando esses comentários em todas as possibilidades midiáticas e espero que a razão prevaleça. Como se vê, a cultura tem muitos meandros e, o primeiro deles é que os empresários estão se lixando.
Muito bem, Sakamoto. É isso ai. Muitos preconceios cercam Lula e, agora, também a implantação do vale cultura. Já basta o número excessivo de criadores artísticos que enriqueceram com orçamentos super-faturados em cinema, teatro e etc. O caso do filme Chatô é bem emblemático. Dinheiro perdido (10 milhões que, atualizados são 30), completou 10 anos em maio. E não vi nenhuma indignaçõa na classe artística-cultural. Há monologos cujo ingresso custa 60 reais. Qual é? O vale cultura não deve se direcionado, muito menos para espetáculos intimistas (um ou dois intérpretes no palco) que custam mais de 50 reais o ingresso, apesar dos patrocínios. Seu portador pode e deve usá-lo em cinemas, teatros, compras de livros, de DVDs legítimos, etc, sem pré-seleção oficial ou oficiosa. .
É muito facil chamar a classe C de asno e denegrir tudo proveniente dela.Porém, estas mesmas pessoas esquecem que na periferia existem crianças e adolescentes tentando aprender algum instrumento da chamada música erudita, e mesmo assim sem o apoio necessário.Enquanto isso, playboys e patricinhas se esbaldam em raves.
Alguns já pré-determinam que cultura é música clássica, mpb e tudo que é dificil de ser digerido e de ser compreendido.Para mim, algo culto é algo que tem conteúdo e pode ser usado e demonstrado e acima de tudo compreendido.
Poucos sabem mas no tempo em que imperava a música clássica, as quatro estações de Vivaldi, foi justamente criada para as classes mais baixas,por conter algo que estava no cotidiano,algo bem mais simples do que um Bach por exemplo.
Assim, como a MPB também surgiu (música popular brasileira).
Ou seja, em todo movimento artístico sempre vai existir um movimento complexo mais restrito e outro mais simples para atender as multidões.E de tempos em tempos com a mudanças dos valores e padrões, o que era do “povão” torna-se classico e assim por diante.
Ninguem pode simplesmente dizer que todo Rap é lixo, só porque vem da periferia, nesse tipo de música para quem esta nessa realidade, demonstra o seu cotidiano de maneira prática, é compreensivel e entendido pela classe C e D, pois é a realidade deles.Assim como os demais estilos.
Ter cultura é está ciente de uma realidade, de preferência a que você vive.Aceitar tudo o que é dado, sem entender, simplesmente porque “está na moda” não é cultura é alienação.
Concordo plenamente com o Dr. Leonardo. A minha cidade tem cerca de 48.000 habitantes, não temos cinema, teatro, etc. A única forma ter gastarmos os R$50,00 com cultura, seria em uma locadora de DVDS ou viajarmos cerca de 2:00 horas para írmos ao cinema ou teatro na cidade mais próxima. Só com a viagem gastariamos cerca de R$10,30 o que nos sobraria muito pouco para a cultura.
Para nós que não temos acesso a cinema e teatro, livros e DVDS são ótimas opções para nós.
Temos que respeitar a cultura regional, pois em lugares como a minha cidade, quando temos alguma apresentação de algum grupo da nossa região é uma festa para nós.
Cinquenta reais é muito pouco diante de tanto dinheiro que é investido em teatro, cinema, publicações literárias, etc. Vemos tanto na mídia que muitas vezes na hora de se prestar contas os valores são super-faturado.
Muito boa a idéia,precisa realmente ser mais divulgada e ampliada.
Quanta reclamação!
Se o governo faz alguma coisa para o povão,logo vem um monte de picaretas reclamar. Quando o governo entrega milhões nas mãos dos bem abastados, aí sim tá fazendo a coisa certa. Vamos deixar de hipocrisia. O povão tbm tem direito a receber a sua parte.
Eh a parte que nos cabe deste latifúndio chamado Brasil…!
Enquanto o povo naum se politizar, ler, se informar, seja do jeito que for e da maneira que der, para tentar mudar algo neste país e começar a questionar sobre seus direitos e deveres do poder público, ficará difícil.
O povão tem todo direito de se divertir tb.
Concordo com vc. E acho estranho que a falha de são paulo, o jornal das moscas, dê espaço hoje na sua capa de domingo apenas para os apectos negativos do vale cultura ( se é que eles existem) sem se aprofundar no lado positivo e na possibilidade de acesso que ele permitirá a milhões de pessoas que não tem altenativas culturais. A propria criação do vale já é algo digno de elogios, pois fará milhões de pessoas que o receberão a pensar e quaestionar sobre o que é cultura!
Não é um lindo começo ?
ops, desculpa, na empolgação atropelei a gramática:
…fará milhões de pessoas que o receberá ( receberá o vale) a questionar….
esse sakaroto só fala m…
Valeu Saka. Precisamos de pensadores sobre a real situação do país. Isso ajuda na tomada de decisões e atitude no dia-a-dia.
Excelente iniciativa do governo federal.
Tomara que funcione bem.
É evidente que o acesso a atividades culturais é limitado pela falta de grana da população.
Meggy, você já ouviu falar em metáforas??
Desde Roma e antes é assim que funciona; “O POVO QUER CIRCO LHE DÊ CIRCO”!!!!
mais uma vez, perfeito…..
Penso assim: primeiro a educação, depois vem a melhora das escolhas culturais. Como o nível da educação não é lá essa maravilha, o povo escolhe isso que está aí. Acho descabido esse dirigismo do gosto do povo. Deixem as pessoas consumirem o que gostam.
Gostaria de fazer um adendo, cultura regional tradicional, na maioria das vezes é uma parte da cultura defendida por uma parte da sociedade tende a carcaterizá-la como única e verdadeira. Ora, na formação de uma identidade (eu prefiro processo de identificação, uma vez que nunca está acabado, mas sempre em constante reestruturação) sempre existem lutas para aceitar ou rejeitar algumas manifestações como as “verdadeiras” ou as “falsas” e nessas lutas existem muitos outros fatores em jogo, como o político, o econômico, o da moral ocidental cristã e suas nuances para proibir o que lhe contesta etc.
Dessa forma tem de se tomra cuidado para não solidificar algo maleável como os processos culturais de uma região.
Nada que é feito por imposição gera bons resultados. A visão da elite acerca de cultura e do que pode ser bom para ser oferecido ao povo é ambígua e distoante. A dita elite cultural desconhece em quase todo o teor as manifestações culturais populares desse país-continente. Como querem determinar o que é bom para o povo, se desconhece justamente aquilo que brota no seio dele? È muita pretensão, preconceito e arrogância…
A elite brasileira tem mania de querer tutelar o povo.
Às vezes tenho a impressão de que passa da hora de tutelarem a elite brasileira.
“E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate. E xeque-mate”.
[...] Aperta na frase pra ler o texto inteiro Ampliar o leque, dando mais possibilidades de escolha para a sociedade é uma coisa. Guiar o consumo… [...]
Independente de como o agraciado irá usar os seus cinquentinha, a idéia é boa. Sendo com forró suado ou com espetáculos em teatros. Não acredto que seja o melhor desmenbramento do assunto para se discutir, pois o destino da grana será de livre abítrio do peão. E para se definir o pequeno número de possibilidades culturais que se destinaria esta quantia, não teríamos a necessidade de sair do bairro dele. Aquele leque de opções, tão abrangente no colossal mundo das artes e entretenimento que quantias superiores podem proporcionar não alcança o nosso pseudoconsumidor. Ficaria mais restrito à sua realidade, à locadora da esquina mesmo, se ali houvesse uma. Como também não haveria a possibilidade de se controlar o destino da verba, se a mesma fosse entregue atrelado ao salário. Tornaria uma extensão do soldo. Mas o que eu acho pertinente é rever a educação na sua origem, capacitando o indivíduo a fruir diante de qualquer obra de arte, seja qual for o meio, o material ou a linguagem de expressão usada. Isso sim é uma boa discussão. Dar elementos, ferramentas para o indivíduo desenvolver uma massa crítica, respirar disernimento e assim fazer a escolha por prazer em beber desta ou daquela fonte de cultura.
Agora o Calypso decola.
Sou contra mesmo essa história de controlar onde o dinheiro vai ser gasto, deixa o povão decidir. Senão vão começar a frequentar os mesmos lugares que frequento; e aí, só o capeta sabe pra onde vai o nível dos estabelecimentos. Pronto. Falei
P.S.: Socializaram a cultura brasileira, hahahahahahaha!!!!!!
Desmerecer a cultura popular é comportamento típico da nossa “elite” caquética.
Na verdade esta “elite” despreza o nosso povo e tudo o que se relaciona a ele… inclusive sua expressão artística.
O brasileiro é extremamente criativo e nossa cultura popular é riquíssima… Há arte de primeira qualidade brotando nas periferias mais pobres das grandes cidades brasileiras.
É fato também que uma arte contestadora… não agrada a esta “elite” branquicela do olho azul.
Na cabeça oca da nossa “elite” bizarra… arte é apenas mais um dos privilégios dos ricos e “cultos”.
Mas como é burra, vulgar e segregacionista nossa “elite”.
É isso aí Siboba, Socializaram a cultura. O próximo alvo são as multinacionais. O último a sair que apague a luz.
BRASIL: A NEOVENEZUELA, A CAMINHO DO BOLIVARIANISMO TOSCO E BURRO.
Para Fábio Passos:
É verdade, a cultura popular brasileira não é pros louros de olhos azuis. Ela é pra raça predominante, a de “mouros de olhos pretos”, aqueles que pagam para participar de uma festa popular ridícula financiada com o MEU rico dinheirinho. Abaixo o carnaval. Pronto Falei.
P.S.: Você fala da cultura de periferia, mas não deixou os mulekes da rua de trás grafitarem o seu muro… safadinho…..
Si boba,
Na verdade a cultura popular brasileira é prá quem tem algo na cachola… e bom gosto também.
Tem coisas que “seu rico dinheirinho” nunca vai poder comprar.
Uma pena… prá você.
Veja-se que há muitos Si Bobos por aí, que adoram falar “coffe break”, “networking”, “brain storming”, ou seja, são colonizados culturais, mas agora querem censurar o que o povão vai ver e ouvir com o Vale-Cultura.
Haja paciência com tanto preconceito…
Olha só que barato… como a arte popular é via de expressão do mais justo desejo de justiça:
Patativa do Assaré
“Nordestino sim, Nordestinado não”
http://www.fisica.ufpb.br/~romero/port/ga_pa.htm
”
Nunca diga nordestino
Que Deus lhe deu um destino
Causador do padecer
Nunca diga que é o pecado
Que lhe deixa fracassado
Sem condições de viver
Não guarde no pensamento
Que estamos no sofrimento
É pagando o que devemos
A Providência Divina
Não nos deu a triste sina
De sofrer o que sofremos
Deus o autor da criação
Nos dotou com a razão
Bem livres de preconceitos
Mas os ingratos da terra
Com opressão e com guerra
Negam os nossos direitos
Não é Deus quem nos castiga
Nem é a seca que obriga
Sofrermos dura sentença
Não somos nordestinados
Nós somos injustiçados
Tratados com indiferença
Sofremos em nossa vida
Uma batalha renhida
Do irmão contra o irmão
Nós somos injustiçados
Nordestinos explorados
Mas nordestinados não
Há muita gente que chora
Vagando de estrada afora
Sem terra, sem lar, sem pão
Crianças esfarrapadas
Famintas, escaveiradas
Morrendo de inanição
Sofre o neto, o filho e o pai
Para onde o pobre vai
Sempre encontra o mesmo mal
Esta miséria campeia
Desde a cidade à aldeia
Do Sertão à capital
Aqueles pobres mendigos
Vão à procura de abrigos
Cheios de necessidade
Nesta miséria tamanha
Se acabam na terra estranha
Sofrendo fome e saudade
Mas não é o Pai Celeste
Que faz sair do Nordeste
Legiões de retirantes
Os grandes martírios seus
Não é permissão de Deus
É culpa dos governantes
Já sabemos muito bem
De onde nasce e de onde vem
A raiz do grande mal
Vem da situação crítica
Desigualdade política
Econômica e social
Somente a fraternidade
Nos traz a felicidade
Precisamos dar as mãos
Para que vaidade e orgulho
Guerra, questão e barulho
Dos irmãos contra os irmãos
Jesus Cristo, o Salvador
Pregou a paz e o amor
Na santa doutrina sua
O direito do bangueiro
É o direito do trapeiro
Que apanha os trapos na rua
Uma vez que o conformismo
Faz crescer o egoísmo
E a injustiça aumentar
Em favor do bem comum
É dever de cada um
Pelos direitos lutar
Por isso vamos lutar
Nós vamos reivindicar
O direito e a liberdade
Procurando em cada irmão
Justiça, paz e união
Amor e fraternidade
Somente o amor é capaz
E dentro de um país faz
Um só povo bem unido
Um povo que gozará
Porque assim já não há
Opressor nem oprimido
“
Perfeito, texto perfeito.
Engraçado que escrevo sobre música brasileira no jornal Agora SP, adoro pesquisar sobre a história, tenho quase tudo de Gil, Chico, Tom Jobim, Jorge Ben e por aí vai. Mas o engraçado mesmo é que eu adoro escrever sobre Jay-Z, Tecnobrega, Dubstep, o reggae do Maranhão e tudo mais que está rolando por aí. Todo mundo fala que é música de merda ou sem qualidade.
Como???
Não existe música boa ou música ruim, existe música. Falo só do ponto de vista músical pois esse eu domino, quanto aos demais setores…bom, se alguem quer comprar um livro de auto-ajuda com vale cultura…problema dele, conheço varias pessoas que só leram os “classicos” e continuam ignorantes e falando que leram os “classicos”.
Com todo respeito, classico de cú é rola…
Vida longa ao vale cultura.
Só mais uma coisa. Quem reclama não precisa, quem reclama nunca deixou de comprar um disco pra comer no Fasano.
Abraço
4P Paz
O Sakamoto como bom humanista que é, desviou o assunto para “O que é cultura?”.
E, junto à isso, faz a sempre bem vinda crítica à “elite”, fazendo a legria de muita gente “séria” e “solidária” com o povo, todos muito lulitas, o suficiente para não verem, claro, melhor disfarçar, que todos os vales dados pelo governo são assistencialistas sim (ou seja, o eterno engodo).
O milagre operado no cerébro de muita gente ainda fascinada pelo Lula, é espantoso.
Pois “de um dia para o outro” começaram a idolatrar (ou elogiar) programas assistencialistas, chegando a negar que fosse, dizendo ser “O maior programa de distribuição de renda já visto”. Sem comentários.
Muitos se justificam, pela puxadinha de saco no Lula (mentindo sobre o real papel desses programas e do próprio governo Lula), alegando em “legítima” (tática) defesa, pois tem medo da volta do Serra/DEM.
Chega ser nojento como muitos intelectuais, formadores de opinião, gente que se diz “de esquerda”, “solidária” com o povo, ficar passando um pano, se omitindo, distorcendo as coisas, e usar como justificativa, a sua luta contra a mídia golpista, contra o PSDB/DEM, como se esses fossem os únicos inimigos dos trabalhadores e do povo.
Não falam uma linha do Capital, da “elite”, dos empresários, dos banqueiros, dos latifundiários, dos EUA, da cooptação, da “nova” camarilha sindical e seus partidos, novos gerentes do Capital (PT, PCdoB, etc).
A discussão não sai do joguinho eleitoral (joguinho da burguesia, ou não?) de quem governou melhor? quem fez mais “concessões” ao povo? Mas tem sido todos uma mãe para os ricos (lembra Getúlio?).
Esta falsa lutinha (PTxPSDB), que na verdade é briga de setores (de representantes) da própria burguesia.
Embora um tenha um caráter mais populista, não confundam com de esquerda, não chamem esse pessoal de “governo de esquerda” (PT,PCdoB), chamando eles de esquerda vocês até colaboram com a “idéia” que não há diferença realmente entre esquerda e direita. Pela mentirinha que contam os trabalhadores talvez nem escutem de vocês, pois já escutam das direções sindicais pelegas (patronais e vendidas) há muito tempo os conselhos e [contra-]informações.
Um abraço aos trabalhadores e lutadores.
O Sakamoto como bom humanista que é, desviou o assunto para “O que é cultura?”.
E, junto à isso, faz a sempre bem vinda crítica à “elite”, fazendo a legria de muita gente “séria” e “solidária” com o povo, todos muito lulitas, o suficiente para não verem, claro, melhor disfarçar, que todos os vales dados pelo governo são assistencialistas sim (ou seja, o eterno engodo).
O milagre operado no cerébro de muita gente ainda fascinada pelo Lula, é espantoso.
Pois “de um dia para o outro” começaram a idolatrar (ou elogiar) programas assistencialistas, chegando a negar que fosse, dizendo ser “O maior programa de distribuição de renda já visto”. Sem comentários.
Muitos se justificam, pela puxadinha de saco no Lula (mentindo sobre o real papel desses programas e do próprio governo Lula), alegando em “legítima” (tática) defesa, pois tem medo da volta do Serra/DEM.
Chega ser nojento como muitos intelectuais, formadores de opinião, gente que se diz “de esquerda”, “solidária” com o povo, ficar passando um pano, se omitindo, distorcendo as coisas, e usar como justificativa, a sua luta contra a mídia golpista, contra o PSDB/DEM, como se esses fossem os únicos inimigos dos trabalhadores e do povo.
Não falam uma linha do Capital, da “elite”, dos empresários, dos banqueiros, dos latifundiários, dos EUA, da cooptação, da “nova” camarilha sindical e seus partidos, novos gerentes do Capital (PT, PCdoB, etc).
A discussão não sai do joguinho eleitoral (joguinho da burguesia, ou não?) de quem governou melhor? quem fez mais “concessões” ao povo? Mas tem sido todos uma mãe para os ricos (lembra Getúlio?).
Esta falsa lutinha (PTxPSDB), que na verdade é briga de setores (de representantes) da própria burguesia.
Embora um tenha um caráter mais populista, não confundam com de esquerda, não chamem esse pessoal de “governo de esquerda” (PT,PCdoB), chamando eles de esquerda vocês até colaboram com a “idéia” que não há diferença realmente entre esquerda e direita. Pela mentirinha que contam aos trabalhadores, sacanagem maior, talvez nem escutem de vocês daqui, mas infelizmente já escutam das direções sindicais pelegas (patronais e vendidas) CUT, Força, CTB, CGT, etc, há muito tempo, os conselhos magníficos e instrutivos (contra-informações).
Um abraço aos trabalhadores e lutadores.
A arte popular como expressão do inconformismo:
Amálgama Brasil – Augusto Boal
http://www.youtube.com/watch?v=WhrUx_9Tg78
Augusto Boal… no FSM2009:
“Augusto Boal Centro do teatro do oprimido FSM2009 part1″
http://www.youtube.com/watch?v=K2ono3A_yyw
“A mídia tem dono… e reflete as idéias de seu proprietário…”
Vejam também a parte 2.
Cicero,
Sabe que eu também tô esperando a revolução.
Mas enquanto ela não vem… este vale cultura é bom sim.
Lá no Revolutas tem arte popular de primeira…
“Hip-Hop: Rimas da Libertação”
http://www.revolutas.net/index.php?INTEGRA=1199
É do Coletivo Lutarmada.
Um barato:
”
Brotando do chão da periferia
A indignação se transforma em poesia
Que desvenda os olhos
E destapa os ouvidos
Pra fatos esquecidos ou que estavam escondidos
Como a guerrilha do Araguaia no regime militar
Pedaço da nossa história que a imprensa não pôde contar
Hass Sobrinho, Osvaldão, Elza Monerat
Quando ouvir nosso som você vai se lembrar
Dos pretos estadunidenses
No instante seguinte
Ao assassinato do pastor Martin Luther King
Vai lembrar do seqüestro do embaixador suíço
Trocado por 70 presos políticos
Dos quartéis, dos presídios direto pro exílio
E no Chile de Allende foram acolhidos
Obra assinada pela VPR de Lamarca, companheiro de Iara Iavelberg
Vai lembrar de Conselheiro defendendo Canudos
E do verdadeiro MR8 de outubro
Dos versos de Gil Scott-Heron e de Zé Ramalho
Esse som reverencia Apolônio de Carvalho
No Brasil e na Europa, exemplo de conduta
Mais de 60 anos dedicados à luta
Revolução! Se liga, sangue bom
Com criatividade e indignação
Revolução! Se liga, sangue bom
Vou rimando e com a rima buscando a libertação
– Abaixo a ditadura
Última frase dita por Zequinha antes de acabarem com a sua vida
Ele morreu por mim, por você, por todos nós
Esse rap é pra fazer ecoar a sua voz
Pra espalhar pro mundo o exemplo da Comuna de Oaxaca
É o poder popular no país de Zapata
Como o povo de Caracas que dos morros descia
E abortava um golpe de Estado que ainda nascia
Imagine só 30 pretos armados
Ocupando a assembléia do Estado
Da Califórnia, pra garantir o direito à autodefesa
Esse som é pra fazer lembrar dos Panteras Pretas
E de Ho Chi Mihn comandando no Vietnã
A guerra de guerrilhas que humilhou o Tio Sam
Esse rap é um resgate, é pra que ninguém se esqueça
De Gregório Bezerra e da Revolta dos Malês, de 2006, dia 8 de março
Laboratório da Aracruz, tudo em pedaços
Lá se foi pro espaço 20 anos de pesquisa
E viva a mulherada da Via Campesina
Revolução! Se liga, sangue bom
Com criatividade e indignação
Revolução! Se liga, sangue bom
Vou rimando e com a rima buscando a libertação
Aliança do balanço com a vontade de mudança
Quem escuta o nosso som raciocina enquanto dança
Quero que esse rap invada as vielas
Ecoando o grito de libertação de Marighella
Que soe em defesa das nossas comunidades
Como Zumbi defendeu o Quilombo dos Palmares
Que invada os lares dos milionários
Como o Movimento Revolucionário Tupac Amaro
Fazendo refém diplomatas do mundo inteiro
Exigindo em troca a liberdade de seus companheiros
Que venha na lembrança atos de rebeldia
Enquanto você dança e ouve a minha poesia
Sobre Les Marrons e a revolta dos escravos
Libertando o Haiti em 1804
Minhas rimas são documentos subversivos
Traduzindo a luta de Banto Steve Biko
A batalha diária do povo palestino
A luta anti-imperialista de Sandino
Que seja o hino da luta anti-capital
Que seja feminino, masculino e plural.
Revolução! Se liga, sangue bom
Com criatividade e indignação
Revolução! Se liga, sangue bom
Vou rimando e com a rima buscando a libertação
“
[...] http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/gilbertodimenstein/ult508u600784.shtml [...]
Ta, mas você quis dizer o que, então?
Algumas críticas ligeiras às leituras conservadores do projeto. Muito bem. Mas as críticas, ainda mais, são necessárias, e muito, para desmistificar o reacionarismo deste governo que se pretende progressista (Reforma Agrária, em duas palavras).
Meu questionamento em relação a esta política, e não apenas a esta, é simples: Por que o presidente petista (não digo nem escrevo mais seu nome), se está realmente interessado em ampliar o acesso à Cultura à população mais carente não abre centros Culturais? Por que não melhora a qualidade do ensino fundamental e médio? Por que não libera mais verbas para o ensino público superior ao invés de vender a Educação aos barões da universidades privadas (em duplo sentido)? Por que não regulamenta a Lei Rouanet ao invés de permitir que os grandes empresários da Indústria Cultural (e você utilizou o termo no post, deve acreditar que existe? Ou é só mais uma paranoia da ‘elite’ Cultural?) se apropriem descaradamente do dinheiro público?
Qualquer apoio não crítico a esta política é acreditar que nada de melhor poderia ser feito.
Para mim o Bolsa Cultura, é Vale-Homem-Aranha, ou como disse o Dimenstein, é Bolsa-Circo. Mais uma atitude populista do presidente que quer resolver o problema da Educação com o ProUni (o movimento é duplo: não olhar para a Educação básica e dar dinheiro para os barões do ensino superior) e o da Cultura com Vale-Cinema.
O que mais me incomoda no projeto não é de forma alguma dar dinheiro às camadas mais necessitadas (aliás, ele não dá nada, apenas devolve o dinheiro à população, ao invés de investir em benefícios públicos, como seria a obrigação do Estado), é tratar Cultura, como foi explicito o presidente em discurso, e seu Ministro da Cultura, como mercadoria. Alegram-se todos ao perceber que pode-se movimentar a economia a partir da Cultura. É só disso que se trata, aliás, movimentar a economia, sempre e a qualquer custo. Provavelmente impulsionado pelo Vale-Homem-Aranha, aconteceu dia 27 o “Primeiro Seminário Nacional da Indústria da Cultura” (http://tiny.cc/Q2V9g). A política petista em relação a Cultura não é política, é entrega deliberada. Eis a posição do Ministro:
“O Vale-Cultura poderá ser utilizado para qualquer gênero artístico, não apenas para aqueles menos comerciais, que teriam menor capacidade de divulgação ou atração de público. E é bom que seja assim, enfatiza o ministro da Cultura, Juca Ferreira:
- Olha aí o dirigismo… Não me induza ao dirigismo… – brinca Ferreira. – O modo como vai se dar o consumo deve ser do livre arbítrio do consumidor. Isso vai até ser saudável para os setores. Eles vão ter que se preocupar mais em se comunicar melhor com suas plateias. O público vai passar a ter um poder de barganha maior”. (http://tiny.cc/EHXH2)
O que eu entendo desta declaração é a seguinte norma neo-liberal: A disputa (para o ‘consumidor’ de Cultura) é livre, quem vender melhor o peixe ganha o consumidor. Claro que nesta concepção qualquer relação com a realidade social, o nível e qualidade de Educação do ‘consumidor’ médio, a relação dele com sua própria Cultura, e o alcance de cada lado (da Indústria Cultural e do resto), não são considerados. Como a maior parte das políticas petistas, o neo-liberalismo, a falsa impressão de igualdade durante a disputa, são aceitos como verdade.
E uso ‘consumidor’ entre aspas porque acredito que uma concepção verdadeira de Cultura entende o indivíduo não como produtor OU receptor de Cultura, mas em uma interação de mão dupla que enriquece a ambos. Cinemarketing e Ivete Sangalo, como disse antes, não proporcionam isto, mas o contrário. O aprofundamento da distância entre o indivíduo e a Cultura da qual ele faz parte.
Veja, as acusações simplistas que você faz de ‘paternalismo Cultural’ são não mais do que, 1) a aceitação de que a Indústria Cultural existe como fenômeno ‘natural’, ou seja, que não existem ganhos políticos com ela e que ela não é produzida para ganhos políticos, 2) planificar os produtos da Indústria, com a arte e Cultura de verdade, sejam elas polulares ou eruditas (seja lá qual for esta distinção).
Não acho que existe boa vontade na política, o que pode existir é imbecilidade do presidente, do que eu não duvido. O efeito positivo mínimo que isso pode ter, que é tirar as pessoas de casa e ‘obrigá-las’ a investir dinheiro em outra coisa (há aqui também uma discussão necessária sobre a obrigatoriedade do trabalhador em se investir em Cultura), não é maior do que a venda do conceito de Cultura que, ao invés de ser discutido, como qualquer conceito em uma democracia, é simplesmente aplicado. Aqui caberia uma longa discussão sobre o que significa Cultura para um povo. No básico: a Cultura é a relação do povo com sua própria tradição. A partir do momento em que um governo vende esta relação (e é isso que o Bolsa-Cultura faz, lança um vale cinquenta reais para a livre selva neo-liberal e a Indústria Cultural muito provavelmente vencerá esta fácil, prova disso é que quase ninguém reclamou do ‘benefício’ ainda), ao invés de aprofundá-la e enriquecê-la com investimentos na Educação – que é no fundo, a iniciação do indivíduo aos valores morais de sua própria Cultura – e na Cultural verdadeira, o incentivo ao conhecimento da história dos diversos povos que constituem esse país, o incentivo a troca destas Culturas e a, no limite, a identificação maior com a coletividade que o indivíduo constitui.
No mais, me parece esperança petista, já vencida, há tempos.
[...] a reposta que publiquei à postagem de Leonardo Sakamoto, em aparente resposta à postagem de Gilberto Dimenstein sobre o Vale Cultura do [...]
não sei se concordo considerando o custo da cultura. há várias peças se não gratuitas a no máximo 20 reais. cinema realmente está bem salgado. mas há vários concertos gratuitos. os eventos nos sescs custam 15 reais ou menos. dá pra fazer bastante com 50 reais na cultura por mês. beijos, pedrita
Essa farsa é equivalente a obrigatoriedade do ingresso do negro às universidades, finalidade “eleitoreira” e burlesca.
Ao contrário de VENDER ingressos às universidades para 10% dos brasileiros que, de fato, ficaram automaticamente dicriminados deveriam ter-lhes dado real oportunidade de competirem com os “loirinhos” e mesmo poderem chegar até 100% de ocupação universitária em igualdade de condições.
O Brasil continua sendo o picadeiro do mundo e os palhaços somos todos que sustentam essa corja de malditos que debocham do povo atirando-lhes migalhas e fazendo publicidade hipócrita que custa cem vezes o que gastam com as verbas destinadas ao manuzeio das massas infelizes que a aceitam sem conhecimento de causa.
Tenho duas sugestões bem agradáveis para ajudar a esclarecer ainda mais a questão. A primeira e a leitura de um texto do grande Bourdieu, chamado: Gostos de classes e estilos de vida. A segunda sugestão é assistir ao filme: Gosto dos outros…
Bom ponto de vista Sakamoto!
Você leu a coluna do gilberto demais alguma coisa na folha?
Ele não quer o vale cultura sendo usado para que o povo tenha acesso a musica sertaneja e nem ao samba.No vale cultura dele deverá haver: não vale para musica sertaneja e nem samba!
O PHA tá tirando uma onda hilária com a cara desta ricaiada avarenta que tem ojeriza de pobre com acesso a cultura…
“PiG (*) e elite branca
odiaram o Vale Cultura”
http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=15083
Leiam porque é muito divertido… e verdadeiro.
Primeiro, o povo precisa de comida, depois de festa.
A banda calipso vai adorar a iniciativa!
Como disse o Siboba, não devemos ditar como os pobres vão gastar o vale-cultura…. Já pensou, Osesp no Municipal, e a tiazinha descascando uma mexirica no meio da apresentação? Assim não dá!!!!!!
E viva o Calypso, pois mantém essa raça nojenta bem longe do povo decente.
Sakamoto,
Postei no meu blog um longo artigo em que discuto essas questões ligadas ao Vale-Cultura.
Tenho uma visão bem crítica da sua posição, embora a respeite.
Caso você ou seus leitores se interessem em ler, serão bem-vindos.
Só tem comunista nojento (termo meio redundante, ma vá) aqui… E do pior tipo: os que comem no Mc Donald’s no shopping mais próximo depois de ter batido uma fominha assistindo tv a cabo (Lost)…. Há! Fui! Pronto. Falei.
“OS COMUNISTAS, POR MAIS QUE LUTEM, SERÃO ETERNAMENTE DEPENDENTES DO CAPITAL. ETERNAMENTE.” – Philip Kotler
“A MELHOR PROPAGANDA ANTI-COMUNISTA É DEIXAR UM COMUNISTA FALAR.” – Paulo Francis
“POR QUE NO TE CALLAS?” – Juan Carlos de España
[...] “Ampliar o leque, dando mais possibilidades de escolha para a sociedade é uma coisa. Guiar o consumo cultural para preservar uma imagem que uma elite intelectual dos grandes centros tem de como deveria ser a cultura brasileira é outra.”. LEONARDO SAKAMOTO aqui [...]
Esse negócio é velho,pao”bolsa esmola”e circo “vale-cultura”,os Romanos jà usavam essa extratégia para controlar as massas,na época nem do voto precisavam,agora o alvo é comprar o voto das massas.
[...] post intitulado “O preconceito e o elitismo no debate sobre o Vale-Cultura“, o jornalista e blogueiro Leonardo Sakamoto debate, entre outros aspectos do novo [...]
O tema é delicioso. Toda oferta é política. Em toda iniciativa política há a idéia de retorno. Cultura esponânea e cultura consumida não se opoem mas são muito distintas. Esse vale vale por que chama a atenção para iniciativas culturais de consumo. Quem tem seus ídolos, que os sigam. Gospel, Caetano, Barretos, Chico César (de Odeio Rodeio) Elomar (de Amor, dinheiro não!). Sempre houve coisas boas e ruins. Entretanto monitorar e manietar a democracia.
[...] Blog do Sakamoto: [...]
cansou das notícias censuradas?
vc quer uma imprensa e jornalismo isento?
acesse:
http://www.midiasemmascara.org/
Bom comentário. Escrevi um texto com o mesmo ponto-de-vista, e outros argumentos, em http://amigointernauta.blogspot.com/2009/08/gilberto-dimenstein-um-bem-intencionado.html
Queremos o Vale-livros.
NOTÍCIAS RECENTES:
http://www.midiasemmascara.org/
tudo sobre a ditabranda “ditadura”:
http://www.bolsonaro.com.br/jair/
Eu quero:
O Vale-cachaça, Vale-maconha, Vale-crack, Vale-merla, Vale-coca, Vale-puta-que-pariu, Vale-papel-higiênico, pois preciso limpar o c*.
Desculpe, Sakamoto, mas o povo não pode curtir baião tradicional? Isso é que é comentário preconceituoso, elitista, “catequizador”.
Você quer defender essa “música popular” que rola nas rádios, mas nem sabe quem é que apoia essas rádios que tocam tecnobrega, “funk”, “sertanejos”, “pagodeiros”, axezeiros, forró-calcinha, ídolos bregas “de raiz” etc.
Você desconhece as alianças que José Sarney e Antônio Carlos Magalhães fizeram com políticos e empresários simpatizantes ao presenteá-los com rádios FM, que se tornaram justamente as mais ouvidas do “povão” em suas regiões? E que essas rádios FM, controlada por verdadeiros “coronéis”, são responsáveis pela dita “verdadeira cultura popular” que você, ingenuamente, defende?
E a Rede Globo, cujo Domingão do Faustão amplia ainda mais o raio de alcance dessa suposta música popular, mesmo aquela supostamente discriminada pela mídia, como é o tecnobrega. Gaby Amarantos apareceu no Faustão. Mr Catra apareceu no Caldeirão do Huck. O documentário de Waldick Soriano foi dirigido e idealizado por uma atriz da Rede Globo. Vai ignorar isso?
Será que é elitismo pedir que o povo curta sambas de raiz, música caipira de raiz, baiões tradicionais? Será que é elitismo isso? Não creio. Isso é tão somente devolver ao povo o que a ditadura com sua mídia golpista e brega-popularesca lhe tirou. Porque a música que as populações pobres produziu antes de 1964 era de altíssimo nível, não era tola nem patética como são os bregas e neo-bregas de hoje.
Você é que acaba sendo elitista, porque sua avaliação sobre música popular sugere que o povo só faz música medíocre, e nós temos que fingir crer que isso é maravilhoso. É uma música apátrida, sem cara, sem pé, nem cabeça, uma colcha de retalhos que reúne a gororoba das rádios, e que nenhuma produção de conhecimento nem de valores sociais efetivos realiza para nosso país.
Essa “música popular” que rola nas rádios e que posa de “injustiçada” é, sim, a MÚSICA DE CABRESTO BRASILEIRA, porque se baseia na cultura do cabresto aplicada à música popular. Seu valor é unicamente de lotar plateias com facilidade, o que parece hoje natural e espontâneo, mas foi trabalhado há mais de 20 anos com muito, muito marketing, que ninguém percebeu.
A Música de Cabresto Brasileira se usa dessa choradeira de “vítima de preconceito” para iludir a intelectualidade. Mas preconceituosos, na verdade, são aqueles que apoiam essa suposta música popular, e não aqueles que, vendo sua evidente mediocridade, a rejeitam. Porque quem apoia quer adotar uma “solidariedade” hipócrita ou paternal, com o povo pobre, mas sempre julgando o povo pelo que há de pior e de abjeto, mas fingindo que tudo isso é maravilhoso.
Penso que,qual quer incentivo è vàlida.Pois os brasileiro precisa parar com a bobagem ! De que tudo que politico faz , è favor ,pode ser um grande passo para irrequecimento cultural