BNDES não irá alterar política por excluídos tão cedo

9 Comentários »

Que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social é fundamental para o país, ninguém questiona. Por isso verificar que uma das maiores instituições financeiras mundiais fomenta mais o desenvolvimento econômico do que o social é preocupante.

Em audiência com movimentos sociais e organizações da sociedade civil na última quarta (25), o presidente do banco Luciano Coutinho afirmou que a instituição possui políticas de responsabilidade ambiental e social, que “estão longe de serem avanços satisfatórios”.

Longe de serem satisfatórios, na minha terra, significa insatisfatórios…

Mesmo após esse momento autocrítica, ele não prometeu nenhuma mudança nas políticas do banco. Reproduzo o relato de Verena Glass, aqui da Repórter Brasil, que estava la:

Representantes de comunidades e populações atingidas por empreendimentos financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) se reuniram esta semana com o intuito de pressionar por mudanças na conduta do principal banco estatal brasileiro de fomento. Após três dias na capital fluminense para o encontro organizado pela Plataforma BNDES – rede de mais de 30 organizações e movimentos sociais que acompanha os impactos da atuação do banco, eles ouviram do presidente do banco, Luciano Coutinho, apenas uma promessa de “reiterar o compromisso de levar a sério o documento [elaborado pelos participantes com demandas sociais]“.

Na audiência entre as partes, Luciano Coutinho não deu abertura para as demandas de reorientação política e econômica sugeridas pela sociedade civil. Segundo o presidente do BNDES, a instituição tem desempenhado um papel fundamental no setor produtivo – muitas vezes evitando que empresas quebrem, o que, segundo ele, “seria pior”. De acordo com ele, o banco tem atuado nos setores sociais e ambientais dos projetos onde tem participação societária e tem financiado apenas projetos com licenciamento ambiental. Advertiu ainda que “se a empresa omite ou distorce [dados sobre os impactos], isso é um problema de interlocução entre nós”.

A possibilidade de debate sobre a redirecionamento do crédito e a priorização de investimentos em projetos de desenvolvimento social em detrimento dos apoios ao setor macroempresarial parece não encontrar espaço na agenda do atual presidente do BNDES. De acordo com João Roberto Lopes, coordenador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Luciano Coutinho reafirmou total alinhamento com o atual modelo.

“É difícil conversar com o senhor, que financiou a nossa desgraça”, desabafou Cleide Passos, ribeirinha atingida pelas obras de construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia, que recebeu R$ 6,1 bilhões do BNDES. A família de Cleide foi uma das desalojadas pela obra, e hoje enfrenta grandes dificuldades em função da impossibilidade de praticar a agricultura de subsistência. “O senhor está financiando a nossa morte; é a nossa desgraça que o senhor assinou”, acusou a ribeirinha, que não conteve o choro e teve que sair da sala para se acalmar.

De acordo com João Roberto, apesar de um pequeno avanço no quesito transparência – o BNDES passou a publicar, trimestralmente, dados sobre os financiamentos ao setor privado referentes aos últimos 12 meses, mas retira da pagina eletrônica as informações anteriores a cada nova publicação -, todas as demais demandas, e principalmente um estreitamento do diálogo com as entidades da sociedade civil, pouco avançaram e não apresentam nenhuma realização concreta.

O BNDES prometeu um retorno sobre as demandas ainda este ano.

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  1. [...] This post was mentioned on Twitter by Maíra Kubík Mano, Repórter Brasil. Repórter Brasil said: #BlogdoSakamoto BNDES não irá alterar política por excluídos tão cedo http://is.gd/54NgX [...]

  2. Ciro Lauschner disse:

    Dessa reportagem uma coisa me deixou estarrecido.
    Essas represas não indenizaram as pessoas atingidas?
    Essa senhora que falou sôbre o financiamento da desgraça pelo BNDES está impedida de plantar sua lavoura de subsistência, por quem?
    O governo não providenciou nenhuma ajuda a essas pessoas?
    Se isso for confirmado estaremos frente a um caso monstruoso e o governo Lula deve ser responsabilizado judicialmente e seu discurso de inclusão dos pobres é uma falácia.
    E se não for verdade, quem estás manipulando essas pessoas para tentar barrar o progresso, via uso dos pobres?
    Com que interêsse estão usando essas pessoas?
    São perguntas que essas reportagens nunca respondem.

  3. Juca disse:

    BNDES é uma piada, sempre foi.
    Empresta e quase nunca recebe.
    Recebe dos pequenos, dos grandes, que pegam milhões, esquece.
    Todos em Brasilan city sabem disto, menos tú, ó grande SakaRoxo.

  4. Leonardo disse:

    Já que estamos falando em prejuizo de pobres, recomendo a leitura da reportagem da revista Carta Capital, número 573 (25 de novembro de 2009) ,páginas de 26 a 30. Ali, tem-se uma ideia adequada da ação dos latifundiários do Brasil, particularmente de sua rainha no Congresso, a senadora Kátia Abreu.
    Quando se diz que a classe dos ruralistas é a única categoria profissional que não evolui, tendo estacionado nos tempos das capitanias hereditárias, é a mais pura verdade. Leia e constate qua as práticas são as mesmas praticadas muito antes dos tempos de nossos avós. E o que a reportagem mostra é apenas uma faceta da classe ruralista.

  5. Ciro Lauschner disse:

    Leonardo:
    Citar publicações que não merecem a menor credibilidade como essa Carta Capital não contribui para nada a não ser para criar antagonismos desnecessários e perfeitamente dispensáveis. Aliás essas revistas sectárias são o mesmo que os jornais ingleses sensacionalistas que precisam fazer auê para justificar sua existência

  6. Peter disse:

    Cara, obrigado pela informação.

  7. laise disse:

    O BNDES deveria ser um poderoso instrumento para sanar a gritante injustiça social no Brasil

  8. Edilson Sampaio Irene disse:

    Enquanto isso, manchetes de jornais como esta:” Piauí entre estados com maior índice de trabalho infantil”( DIÁRIO DO POVO DO PIAUÍ-31/10/2009 ) Envergonham nosso país. A denúncia é da OIT.

  9. alfredo sampaio disse:

    Leonardo( o próprio?), quer dizer que a contribuição dos seus que vieram no inicio do século passsado não agregou nada à classe dos ruralistas? Não evoluiu em nada? Adoro o seu poder de sintese e de encerramento da discussão. Descobrimos que atividade rural continua igual à época das capitanias hereditárias. Ponto periodo!!!
    A propósito quando Vc. vai eleger o novo ganhador do Troféu Frango? Tens o meu voto.
    AS

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