São Paulo, Cuiabá, Brasília e um calor do cão

8 Comentários »

Por conta de questões urgentes do trabalho, tomei café da manhã em São Paulo, almocei em Cuiabá e jantei em Brasília. De forma involuntária, essa patada ecológica movida a querosene de aviação é mais uma das minhas humildes contribuições ao aquecimento global. Portanto, é mais do que oportuno dizer que nas três cidades o calor tem reinado. Mesmo para os cuiabanos com quem falei, acostumados ao calorzinho abafado, a situação não era normal.

O fato é que, cotidianamente, vivemos em nossas cidades poluídas um test drive do inferno. Se é quente para mim que moro em casa de alvenaria, imagine para quem vive sob teto de zinco ou estuda em escolas de madeira. O problema de torcer por uma chuva que exorcise o capeta e limpe o ar é que ela sempre encontra cidades impermeabilizadas por asfalto e concreto, com infra-estrutura insuficiente de escoamento de águas pluviais, além de moradias precárias em situação de risco (enquanto há prédios e mais prédios fechados para especulação imobiliária, sem função social…). É claro que na lista de prioridades da metrópole – pelo menos na dos que a governam ou sobre ela noticiam – o engarrafamento causado por uma enchente é sempre mais relevante que o desabamento de cortiços ou a inundação de uma favela.

Imaginem então isto aqui em 100 anos, com três, quatro graus a mais de temperatura média anual, resultado do aquecimento global causado pela nossa própria ignorância e voracidade por recursos naturais. Além disso, quando boa parte da Amazônia virar um grande pasto, entrecortado por plantações de grãos e de dendê, e o Cerrado se tornar um imenso canavial, o calor de hoje vai ser brisa amena de primavera. Talvez não tenhamos mais as enchentes de hoje. Mas até lá já teremos passado o limite que torna a vida nas grandes cidades suportável.

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  1. Patrick disse:

    Rapaz, se até a galera de Cuiabá tava reclamando do calor, é que a coisa tava feia mesmo. Já morei na terra linda que é o Mato Grosso e sei do sufoco.

  2. Homer disse:

    Estamos embaixo d´água aqui em São Paulo. Esquece, Sakamoto, não tem mais jeito não.

  3. Bruno disse:

    A parte engraçada é que os detratores da teoria da mudança climática ainda dizem que isso é conversinha de ambientalista. Aquele articulista da Veja fala disso toda semana no Manhattan Connection, de um jeito que eu considero irresponsável. Um dia desses chegou a falar que estatisticamente o planeta está esfriando, e não esquentando.

    • Hans Lauxen disse:

      É óbvio que faltam evidências científicas que a terra esteja esquentando por causa do ser humano ou da ação do ser humano.
      Querer acreditar e uma coisa, mas achar que quem pensa diferente é por causa de burrice ou por interesses econômicos é outra. Na Groenlandia já se praticou a agricultura em periodo recente ( em termos geológicos) e depois ela esfriou.
      E assim aconteceu em muitos periodos da terra seja aquecendo ou resfriando sem haver interferência humana. Nesse nosso periodo está havendo comprovadamente um aquecimento do polo norte e não se tem dados cientificas que seja por ação do homem. E assim há n casos de esfriamento e aquecimento de regiões.
      Acho que afirmar categóricamente que é por causa do homem é um apenas uma hipótese e não algo comprovado.

    • Bruno disse:

      Se não há evidências científicas, há mais do que razão pra começar a tratar isso como hipótese. E aí é que a burrice ou os interesses econômicos que você citou entram em cena.

      O efeito estufa é um fato, ocorre naturalmente, e continuar emitindo gases que aumentem sua efetividade é obviamente um dos motivos pra se pensar em aquecimento causado pela nossa ignóbil espécie.

  4. Sakamoto,

    Não sei se você está percebendo, mas a catástrofe natural tem castigado muito nesse início de ano. As cidades de São Luís do Paraitinga, Angra, o calor infernal do Sudeste/Nordeste, são todos consequência do aquecimento global.

    O que falar do Haiti então… 2010 começou com o pé esquerdo, principalmente na questão do clima – e não é só porque estamos no verão, pois outros países também estão sendo castigados de alguma forma.

    Parece que saímos da “Era dos Extremos Tecnológicos” para entrarmos na “Era dos Extremos Ambientais”. Se hoje a coisa já está assim, imagina daqui há dez, vinte anos, pra chutar menos….

    Abs,
    Tiago

  5. Luciana disse:

    Realmente a natureza está demonstrando seu vigor, e desontentamento com o ser humano que insiste em não repseit-ala.
    Leonardo Sakamoto, estou lhe acompanhando por voce é um grande ser humano.
    Estou contigo, sempre.

  6. Wellington disse:

    Sakamoto, filho do demo, calor bizarro…

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