Bem-vindos à era das crianças por controle remoto

54 Comentários »

- Vai já para trás do seu irmão! – gritou a mãe.

E o rapazinho, do alto dos seus cinco ou seis anos, acelerou o seu sedan de brinquedo e foi para perto do irmão, que passeava em um reluzente esportivo azul. Procurei os pés dele empurrando o carro por baixo, no melhor estilo Flinstones, ou mesmo algum pedal. Nada. O brinquedinho era elétrico.

Neste domingo, fui andar de bicicleta no Parque do Povo, aqui na capital paulista, para ver se conseguia reduzir a quantidade de Sakamoto no mundo. O lugar é agradável mas, de fato, não é o “povo” em seu significado mais amplo que o freqüenta e sim uma parte mais abonada dele. Apesar de aberto a todos, não reúne uma pluralidade comparável com a do Ibirapuera, sendo praticamente um reduto da classe média alta que vive em seu entorno. O que não é uma crítica a ele ou a seus freqüentadores. Mas são poucos os lugares em que encontraria uma quantidade perceptível de crianças andando nesses triciclos high-tech.

Quando pequeno, tive um velotrol de plástico, assento rosa e guidão branco e azul, com umas fitinhas que enfeitavam os manetes. A motorização ficava na base dos dois sapatinhos pretos que eu usava por conta do pé chato. Se na minha infância existia um mimo elétrico como esse, eu nunca vi. E mesmo se tivesse visto meus pais não teriam dinheiro para comprá-lo.

Ainda bem. Fico imaginando a geração de crianças que vai crescer com um carrinho elétrico. Certamente, farão menos exercícios que seus amigos que andam de triciclos, serão menos saudáveis – fisicamente falando. Brinquei muito de videogame quando criança, mas também andava de bicicleta, descia a rua com carrinho de rolimã, empinava pipa, jogava taco. Creio que meus pais conseguiram balancear bem os dois tipos de atividades e eu tive sorte de crescer em um bairro afastado do centro, em que a rua me pertencia mais do que eu aos muros da minha casa.

Contando a história a um amigo ele me revelou que o buraco é mais embaixo, pois em lojas especializadas já é possível encontrar esses mesmos carrinhos elétricos com controle remoto. Ou seja, pais guiando os filhos a um toque de botão. Fico sem entender se isso faz parte da paranóia de segurança urbana ou de uma definição de “conforto” que não entra no meu dicionário porque esbarra no significado de “bom senso”. Ou ainda de um tipo de prazer em considerar o próprio filho ou filha um brinquedinho – talvez compensando alguma carência de infância. E eu que achava estranhas aquelas cordinhas presas ao cinto da criança, com um sistema de recolhimento de cabo semelhante aos usados para levar os totós para passear.

Talvez isso não tenha nenhum efeito na formação da criança, talvez seja inofensivo. Mas se já é estranho privar a criança de um mínimo de exercício físico, é mais esquisito ainda privá-la da autonomia de guiar o seu carrinho. Que tipo de pessoas estamos gerando com isso? Cidadãos mais obedientes, com uma vida assepticamente programada?


  1. Mate um pitbull e salve uma criança disse:

    “Se na minha infância existia um mimo elétrico como esse, eu nunca vi. E mesmo se tivesse visto meus pais não teriam dinheiro para comprá-lo.”
    Pelo jeito você veio de família humilde. Mesmo assim entrou na USP, sem cotas…
    Ha, já sei!! É que os negros são ainda mais humildes, né?

    • Gilson disse:

      comentário totalmente sem nexo e fora do tema abordado pelo texto.

    • Mate um pitbull e salve uma criança disse:

      Gilson, pare de puxar o saco do Sakamoto… Além do mais, só acha que o meu comentário não tem nada a ver com o assunto quem não acompanha este blog…

    • Marisa de Nazaré disse:

      Realmente, o seu comentário é totalmente sem nexo. O texto do Sakamoto é ótimo, você é que está fora de fuso…

    • Mate um pitbull e salve uma criança disse:

      Mais uma que deve estar fazendo faculdade pelo ProUni…

    • Zuca disse:

      Entrei na ECA-USP sem cotas, vinda de escola pública que não tinha nem portão, quiçá aula, sem um puto para pagar cursinho, trabalhando das 07h às 18h, usando tempo de almoço e trajeto de ônibus para estudar. E na minha infância minha família num tinha um puto sequer para comprar uma tábua pra fazer carrinho de rolimã, imagina carrinho elétrico. Generaliza menos. Assim vc erra menos.

    • Mate um pitbull e salve uma criança disse:

      Zuca, mas é justamente sobre pessoas como vc que o meu comentário se refere. O que vc entendeu?

  2. disse:

    desculpe a sinceridade, mas texto desnecessário! perda de tempo.

    Digamos que eu seja ‘abonado’, e tenho 1 filho, e ele ande com uma bike elétrica, sem pedalar. isso não o faz menos saudável. Há uma geração que teima que esse tipo de evolução não é legal, mas cara.. qual é o problema de evoluir ? tentar deixar as coisas mais divertidas.

    em relação a saúde, nossa geração ainda acha que comer carne de animal é uma coisa normal, olha quantas outras coisas mais importantes precisam ser alteradas antes de alterar esse tipo de coisas que sei texto aborda.

    enfim, respeito seu ponto de vista, mas não concordo!

    • André disse:

      Cara, vc viajou hein!!!

      “Ainda acha normal comer carne”??? Pare com isso. É só ver o formato dos seres humanos. A carne, mesmo que pouca, é mais do que necessária.

      Somos carnívoros: Olhos na frente do rosto para “enxergar a presa” (veja que estou falando como um exemplo hein).

      Ou vc tem olhos ao lado do rosto (= animais vegetarianos para “ver o predador”). Pq se tiver, não gostaria de te conhecer. Deve ser bem estranho!!!

      Nâo é pq a espécie não caça mais, que a forma de se alimentar mudou.

      Quer ser vegetariano? Blz, manda ver, mas não critique os demais por simplesmente seguirem o que realmente é normal.

      Pelo amor viu!!! Esses vegetarianos radicais hein!!!

  3. Mate um pitbull e salve uma criança disse:

    Pior do que os brinquedinhos “high tech” é a fila de 100.000 pessoas esperando vaga para fazer radioterapia. Isso sim é que ferra com a saúde das pessoas…

    • Arnaldo Mazzolin Junior disse:

      Cara!!!!!!não seria aproriado dizer: “Mate um Padre e salve uma criancinha” porque o volume de menores assediados por eles é tão grande quando os ataques de pitbulls?

    • Mate um pitbull e salve uma criança disse:

      Ha, mais um daqueles donos de pitbull metidos a machão…

    • Arnaldo Mazzolin Junior disse:

      Equivoco seu rapaz!!!!!!!
      Você parece ser bem frustrado na vida pois a tudo que se escreve você reage agressivamente, se mais inteleigente notaria que há nop meu texto um tom de ironia, quis na verdade, fazer uma brincadeira irônica, e vc dá patadas, macho deve ter sido teu pai, pois gerou um pitbull enrustido, só me basta ser homem…..rs

  4. Ricardo disse:

    Odeio ir visitar minha mãe e encontrar meus dois sobrinhos o dia inteiro amontoados em cima do sofá e com o controle remoto da tv na mão. Eu adorava assistir tv quando criança, na casa da minha avó, que lá em casa nem eletricidade havia. Se eu pudesse, também teria passado minha infância hipnotizado pela telinha. Ainda bem que nasci pobre e pude me divertir brincando na maior liberdade como qualquer criança deveria fazer. Hoje tenho este bendito/maldito computador e passo o dia inteiro em frente a ele. Tecnologia é coisa boa, não duvido. Mas é preciso saber usar com sabedoria.

  5. JOTA disse:

    QUE COMENTARIO MAIS INUTIL,ESTE DO PITBULL.

  6. JOTA disse:

    A MENINADA HOJE SÃO UM MONTE DE ALIENADOS,COM ESTE MONTE DE FACILIDADES DE BRINQUEDOS ELETRICOS QUE IMPEDE DE PENSAR .

  7. Arnaldo Mazzolin Junior disse:

    Sr. Sakamoto é uma pena que só aparecem os comentários que mais lhe agradam, pois enviei dois a respeito da redução de jornada de trabalho e não os vi.
    Pare e pense: Já há no Brasil uma geração formada, chamada geração do computador? Nós ja vivenciamos experiencias para podermos falar a respeito se a falta de exercício físico prejudica a saúde? Quando se fala a respeito de algo que não aconteceu, que não há comprovações, praticamos um exercício de “achologia”, que é a mesma coisa de um cachorro correr atrás do rabo, é papo de quem não tem o que fazer e fica surfando no bidê, que nunca colocou a bunda numa cadeira dentro da indústria, ou de alguma organização com fins lucrativos, num país capitalista, onde a concorrência é a grande característica e que não há espaço para crianças criadas pela avó com todynho. Se faz necessário perceber que o cenário muda a todo o instante e que o que é importante ou imprecindível num momento, passa a não ser mais no momento seguinte, o trem anda, o seu velotrol era coisa sofisticada em sua época, da mesma forma em outras épocas o tico-tico era o charme…..o que é evolução? O que é o bem e o mal? Vá para uma linha de produção qualquer, faça uma experiência de dois meses e veja o quanto suas perguntas podem não refletir algo real, se o parque do povo é frequentado por uma classe social diferente da do Ibirapuera que mal há nisso? Isso irá afetar a cabeça ou a constituição física de um povo? Tenho um volume muito grande de amigos que nunca tiveram atividade física alguma e são saudáveis……..será que não dá para abordar assuntos de gente grande? Sr. Sakamoto ponha os pés no chão….excesso de todynho pode ter feito mal….

  8. Romulado disse:

    Sabe o problema? A classe média acha que a felicidade está em ter e não em ser. Pais não ficanm com seus filhos e, para compensar, dão coisas caras.

    Triste…

    • Rodrigo disse:

      Concordo plenamente. As criancas de hoje se comparam aos amiguinhos não pelo que sabem fazer, mas pelo que tem … tem tudo que é pokemon, mas quando alguem chama “Vamos brincar …!”, responde que a mãe ou pai nao deixa pq suja … Vai entender .. dão o brinquedo, mas não pode brincar.

      O que importa eh ter, não brincar. Qualquer que for o brinquedo, tecnológico ou não.

      Alguns estão bradando contra, afirmando que esses brinquedos que a criança não brinca é a evolução. Evolução dos brinquedos creio eu.

    • Renata disse:

      Vc matou a charada!!!

      Vou mais além… seja a a classe q for, os valores se inverteram… qm se importa em SER alguma coisa???
      Aí, no futuro essas crianças vão se tornar um bando de compradores complusivos, infelizes (pq TER para eles nunca será o suficiente!) e daí pra se adquirir uma série de transtornos físicos fica fácil fácil… É fácil por filho no mundo e deixá-los cargo de babas eletrônicas, isto é, dos brinquedinhos, do computador, e da TV.

      Põe triste nisso…

  9. ABraga disse:

    Há tempos vejo sua foto no site da uol e sempre que tenho tempo dou uma olhada no seu blog, mas hoje senti vontade de participar, tenho sobrinhos, afilhados, todos eles adoram esses brinquedos eletronicos, porém, se eu der uma bola pra eles, pronto, passam a tarde toda se sentindo “Pelés” ou “Ronaldos”, eu acho que muito do que rola hoje em dia é devido ao fato de que esses brinquedos tornam mais fácil a vida dos adultos e não das crianças necessariamente, é mais fácil largar os filhos na sala com um game do que ir ensiar a soltar pipa no meio do parque, por isso que tem tanto adolescente classe média “viajante” no mundo, vivem em um mundinho de faz de conta.

  10. José Carlos disse:

    Eu também tive uma infância pobre, e adoraria com certeza ter uma telinha para ficar o dia inteiro,sem pertubar os pais,ali sentado comendo hot dog e tomando refrigerante, solitariamente.Mas como não tinha estas modernidade empurrada pela propaganda, eu tinha que exercitar minha criatividade junto com amigos,onde aprendi a conviver com as diferenças,etç. Tinha que queimar calorias jogando futebol com bola feita de meia velha, fazer aquele marabalismo para comer no pé, goiabas, pêssegos, abacates, laranjas e ameixas. É claro,nem sempre na minha casa,as veses na dos amiguinhos de escola.Fazer trilhas no mato para pegar amora e ir nadar pelado na lagoa era um sacrifício ( que tenho saudades )Sentar na beira do rio tietê em Santana do Parnaiba, e pegar lindas traíras e tilápias para o jantar éra muito chato,afinal ela não vinha congelada nem em caixinha,e não dava pra ver o prazo de validade.É, eu não tinha video game e nem controle remoto. Em compensação, tinha boa saúde e muita felicidade, e os amigos daquela época, continua!!

  11. Daniel disse:

    pessoal tá fazendo um uso de narcóticos pesado. O cara faz um texto falando sobre um dos milhões de aspectos de uma das milhares de sociedades do mundo e tem gente que quer uma análise geral da saúde mundial. Ai, né.

  12. mate um ignorante e protejam os cachorros! disse:

    Sakamoto, infelizmente uma boa parte dos endinheirados não pensam se o filho está fazendo exercício ou aprendendo por si só. Buscam o próprio conforto e são adeptos da lei do mínimo esforço.

    • Mate um pitbull e salve uma criança disse:

      Outro dono de pitbull metido a machão…

    • Gizelle disse:

      deixem os cachorros e as crianças… eles sempre conviveram bem… melhor fazer como o amigo lá em cima disse: matem os padres!

  13. Felipe Ponde disse:

    Em uma sociedade do controle, o que seria de se esperar?

  14. Hermes disse:

    Nao se tem a devida ideia do que tudo isso significa. Ja estava previsto na Biblia que tudo isso aconteceria. Pais e filhos entorpecidos pelo deuses falsos da tecnologia. Mais um sinal, que nao podemos ignorar 2012. 2012!

  15. Lúcio Xarão disse:

    A nova geração é uma gracinha, são crianças obesas em seus carrinhos elétricos, mimadas pelos pais, que não têm paciência para jogar futebol com os fllhos.
    Daí enchem as crianças com tecnologia, com a finalidade de torná-los mais controláveis, pois assim não dão trabalho.
    Sem falar naquelas crianças que passa o dia inteiro dentro do shopping, essas não têm direito a banho de sol, já que enclausuradas neste ambiente consumista, entram de manhã e só saem a noite.
    A sociedade está prejudicando a juventude, em troca de um consumo exacerbado.

    • Gizelle disse:

      pessoas! deixem de inveja! trabalhem e comprem brinquedos elétricos para seus filhos tb!!! e frequentem o parque do povo! qta demagogia…

  16. carla disse:

    Ja vi amiga minha de trabalho se enfiar em dividas para comprar um destes veiculos motorizados para que o filho nao fique doente .
    Ai pergunto:
    Quando ele tiver 15 anos e te pedir um carro que vc nao pode comprar como será?
    A relação consumo e compra de amor entre pais e filhos esta em todas as camadas sociais.
    Quanto a exercicios esta faltando sim, ha uma grande quantia de crianças obesas nao se brinca mais de pega-pega , esconde- esconde, jogos de tacos e outras atividades que as crianças de algumas décadas atrás brincavam.
    Nao tenho nada contra novas tecnologias nem contra os tais carrinhos, mas tenho a favor de criança correndo e brincando.

  17. m disse:

    Deixa a criançada curtir, seu reacionário. Te garanto que com todos os avanços da medicina e culto ao corpo da geração saúde eles vão ser um milhão de vezes mais saudáveis que você na sua idade.

  18. maria disse:

    Engraçado. O mundo evolui tão rápido tecnologicamente, e a evolução social fica a ver návios. A evolução tecnológica deveria, no meu ponto de vista, possibilitar justamente mais tempo livre para as pessoas. No entanto, é justamente o contrário que acontece. As pessoas têm cada vez menos tempo e cada vez mais pressa. Generalizando, mais pressa inclusive de não de dedicarem aos filhos, pois não têm tempo nem para elas mesmas. Acabam terceirizando o papel de pais. Os mais pobres, as crianças ficam o dia inteiro em crechês – quando ficam, e os mais abastados têm as babás e há “aquelas” que ficam abandonadas à mercê de sua própria sorte. Então os pais, para ” compensarem” esta ausência, acabam por se render ao que há de mais novo em tecnologia para proporcionar ao filho uma “suposta” recompensa por esta falta de tempo. Não digo que a maioria dos pais tenha consciência do que está fazendo. Querem realmente o melhor para seus filhos. Quem não quer?
    Mas será que a maioria dos pais sabe o que é realmente melhor para seus filhos? Não sei, não. O texto para mim, reflete este sistema absurdo no qual tentamos a todo tempo nos inserir e habituar-se a ele. Crianças que interagem mais com eletrônicos do que com outras crianças. A probabilidade destas crianças serem individualistas e preocupadas com o próprio umbigo é muito grande. Algumas destas crianças já são “adultos” hoje. E são pais! Li recentemente uma notícia de que um bebê de quatro meses morreu de fome enquanto seus pais estavam cuidando de uma ” menina virtual”, numa lan-house na Coréia do Sul. Este é só um exemplo.

  19. Nani disse:

    Bom, enquanto mãe eu posso dizer que tudo isso que vc escreveu é verdade. Quando eu era criança eu tb tive uma “motoca” vermelha, azul e branca, eu tb brinquei na rua de pega-pega, de esconder, de bicicleta…fico triste quando penso que meus filhos, que hoje estão com apenas 1 ano e 7 meses, não poderão fazer tudo o que eu fiz, nem terão a liberdade que eu tive.
    Infelizmente não dá pra deixar um filho brincando na rua porque a gente não sabe se algum “doido” vai atropelá-lo ou simplesmente levá-lo embora, sabe-se lá para qual finalidade. E então, ainda que de forma equivocada, a gente tenta suprir a falta do pega-pega, do esconde-esconde, da “pelada no campinho lá na rua de trás”, com essas “maravilhas tecnológicas”, mentindo pra gente mesmo que isso será o suficiente para ocupar o tempo da criança. E a gente se engana mais ainda achando que aquele brinquedo novo e super moderno, fará com que ela perca a curiosidade de saber como é que sair brincando por aí, descobrindo coisas, inventando brincadeiras…
    Mas as crianças são espertas e tão logo experimentam e desvendam todos os mistérios da máquina, despertam sua avidez pelo mundo “lá de baixo”, que eles observam pela sacada do apartamento.
    Além disso, quando a gente sai pra um passeio matinal na praça, quase é preciso um semáforo tantos são os carrinhos que a gente encontra. Todo mundo tem. Meus filhos não tinham, até hoje. Mas ontem precisamos terminar o passeio mais cedo porque eles seguiam cada criança que passava por eles andando em seus pequenos automóveis e choravam cada vez que tentávamos explicar que aquele brinquedo não era deles. Mas como se explica isso pra 2 crianças com pouco mais de 1 ano e meio? Pouco resta para curtir a natureza, além de passeio na praça, no parque. Então qual o caminho certo? Ficar em casa e não comprar um carrinho ou comprar um carrinho e poder aproveitar uma manhã de sol, sem lágrimas?
    Não sou a favor de que uma criança tenha tudo o que vê. Na verdade eu queria que eles tivessem uma infância como eu tive, com amigos como os que eu tive, mas os tempos são outros. Mas quando eu era criança, eu queria também ter aquela boneca linda e aquele par de patins da última moda e todos aqueles brinquedos que meus pais não podiam comprar. Se eu não posso dar aos meus filhos as duas coisas – a liberdade e o conforto – que ao menos eu possa dar a eles um passeio na praça ou no parque, numa manhã ensolarada, cada um dirigindo seu carrinho.

  20. Rosa Maria Pacini disse:

    Eu tenho um irmão que em decorrência da poliomelite acabou se tornando cadeirante. Atualmente com 72 anos, ele se recusa a “andar” de cadeira elétrica. Quando eu sugeri que ele adquirisse uma, ele me respondeu:”eu já não posso mexer as pernas e você quer que eu também inutilize meus braços”. Ele faz fisioterapia 3 vezes por semana para não atrofiar seus membros. Quando menino, apesar da poliomelite, brincava na rua com as demais crianças e jogava futebol na posição de goleiro. Apesar de a minha família ter tido condições financeiras de proporcionar-lhe todo o conforto e poupá-lo de esforços meus pais optaram por estimulá-lo a superar seus limites. Isto ajudou a fortalecer sua determinação e a tornar-se um adulto produtivo e vitorioso. Ocorre que os pais que SÓ DãO aos filhos presentes tecnologicamente sofisticados e/ou os deixa à frente da TV ou do computador a maior parte do tempo não têm noção dos prejuízos que isto pode acarretar às crianças. Muitos desses pais adotam essa postura por ignorância, mas conheço alguns que o fazem por preguiça e comodismo; cuidar das crianças como se deve dá trabalho, requer paciência e disposição, mas acima de tudo exige muito amor e comprometimento com uma educação de qualidade.

  21. FA. disse:

    O que eu acho mais engraçado é o fato de que todos divergem de um mesmo assunto em opiniões e experiencias próprias, quando na realidade deixam de enchergar o real problema por de trás de cada uma das cituações citadas a cima. A violencia aumentou!?; A mais carros nas ruas!?; A desigualdade social afeta cada vez mais a população!?; Cotas disso cotas daquilo!?; “Saúde”!?; Padrões de beleza!?; Padrões de vida !?; “CERTO” ↔ “ERRADO”!?
    Vamos cair na real, achar razão ou culpado é facil, ninguém gosta de assumir o próprio erro. Ao invés de ficarem aqui sentados discutindo sozinhos perante a uma tela. Por que não se juntar e apontar os verdadeiros pontos a serem melhorados, ir direto na fonte de todos os problemas, mostrar que o povo tem sim o “DEVER” e o “DIREITO” de zelar por aquilo que considera indispensável em suas vidas.

    Somente para fechar deixo meu humilde desprezo perante a frase que emcabeça esta pagina “Vagabundo que faz greve deveria ser demitido”
    Sinceramente de todos os argumentos que li aqui hoje, este é de longe o pior, é por pensamentos assim que a coisa está da forma que está, se não houverem protestos e manifestações contrarias aos atos dos quem deteem o poder, jamais haveram mudanças..

    A todos uma otima noite.. e deixo como uma dica cultural: assistam ao filme “V de vingança”, que acredito que para os quais conseguirem perseber a mensagem por trás de tal obra consiguiram de alguma forma reformular a forma com a qual pensar.

  22. Regina disse:

    Visitar loja de brinquedos dá uma excelente idéia do que vem pela frente. Moro nos Estados Unidos, um lugar com um mercado lúdico muito diversificado. Vejo dúzias de brinquedos inteligentíssimos, estimulantes, divertidos. Mas também algumas barbaridades.
    Por exemplo, um pacote com umas 50 “comidinhas” de plástico, para brincar de casinha, onde se incluem refrigerantes, pacotes de batatas fritas iguais às do McDonalds, bacon frito, muitos bolos confeitados. Verduras e frutas deve ter umas cinco, somadas.
    Outro brinquedo inacreditável – um porquinho que vai inflando até estourar quando superalimentado. A meta é, justamente, que ele estoure de tanto comer.
    Pode?

  23. thompson disse:

    leo, não sei, mas me parece o tipo de conceito que funciona, justamente, conceitualmente – pra crônica… as gerações anteriores não tinham carrinho elétrico e nunca se morreu tanto do coração, nunca se teve tanta obesidade e depressão… um cronista de 50 anos atrás talvez falasse que na época em que tinha que correr atrás e pular do bonde é que era bom etc e aquelas nostalgias que não têm fim nem voltam mais, não?

  24. Miriam disse:

    O problema Thompson é que a atual geração deu um salto em direção a realidade virtual diferente de qualquer outra. O salto dos últimos 20 anos foi algo que nunca ocorreu na história da humanidade. Corpo e mente estão avançando de forma diferente. Onde isso vai dar? Não sei.

  25. Vivian Prado disse:

    Eu acho legal brincar com crianças por controle remoto. O filho é meu, eu faço o que quero com ele.

  26. Emilio Salum Filho disse:

    ue..crianças que brincam de controle remoto? voces acham estranho?? Vindo elas de pais que pegam elevador pra se exercitarem em academia? as crianças são puramente um reflexo da sociedade oras

  27. Joao Renato Brajal disse:

    Leonardo,

    Outro dia fiquei sabendo que é comum em colégios de são paulo os motoristas representarem os pais nas reuniões pedagógicas, já que os pais são workaholics. Desse jeito tem mesmo que otimizar o tempo brincando com carrinho elétrico.

    No entanto, também deve haver os pais que se divertem brincando com o carrinho de controle remoto -ou alguém aqui acha agradável a puta dor nas costas de ficar empurrando o moleque horas a fio – e depois fazer aulas de tênis junto com o pimpolho -para ficar no estereótipo de médico abonado. E no final de semana, talvez, levar o menino enquanto faz trabalho assistencial na creche da associação espírita.

    Leonardo, acho que dessa vez, ao contrario do que vc normalmente faz tão bem, o seu texto não humaniza a questão abordada.

    abs,
    João

  28. Patý disse:

    Nossa minha infancia foi ficar na rua em frent de casa jogando bola (futebol, basquete, volei), jogando taco, bolinha de gude, andando de patins, bicicleta, carrinho de rolimã, brincando de pega-pega, esconde-esconde, pulando amarelinha, pulando corda, pega-ladrão, rouba bandeira, isso qdo estava sol ou pelo menos sem chover, pq qdo chovia pra não perdermos o fds ou as ferias jogavamos banco imobiliario, jogo da vida, detetive ou ladrão, ou simplesmente jogavamos video-game (era mega drive ou nintendo nem pensavamos no tal PS). Cara que mara que foi minha infancia eu tinha , e tenho, amigos reais e não virtuais, eu ia no parque nos domingos de manhã…Crescia muito bem sem a tecnologia, hoje trabalho 8 hs em frente a um computador, gosto dele, gosto sim, amo essa tecnologia, mais se pudesse voltar a ficar na rua com meus amigos com certeza me sentiria bem melhor, as crianças de hj têm amigos virtuais, sem akele cara a cara sem o afeto do contato real, e conversando com pessoas q elas nem sabem quem são.

    Santa Tecnologia ou Não, Só sei de uma coisa, não troco minha infancia pela infancia dos meus primos ou dos filhos de alguna amigos, e olha falo da minha infancia e só tenho 20 anos, ou seja , nem se passou tanto tempo assim e olha como tudo mudou.

  29. Lorinha disse:

    Parabéns Sakamoto! O texto é excelente e trata de uma realidade constante, a qual precisamos está alertos e realmente avaliar aonde vamos chegar pessoas altamente movidas a tecnologia e altamente desumanos.

  30. solange disse:

    “Que tipo de pessoas estamos gerando com isso? Cidadãos mais obedientes, com uma vida assepticamente programada?”
    Olhando p/ o “modelo” das crianças e jovens da atualidade (incluo os meus), com certeza não formaremos cidadãos mais obedientes dessa forma. Não tem como controlar os pensamentos e rebeldia pré-adolescentes e adolescentes pelo controle remoto. Eles têm vida própria e o excesso ou a ausência de “controle”/instrução na formação poderão desencadear os extremos do comportamento. Atualmente, temos visto que as receitas de bolo modernas p/ criar filhos têm falhado muito e com a falta de tempo dos pais (por realmente necessitar trabalhar mais para sustentar os governos) produz uma geração formada pela mídia (tvs, músicas…). Que bom seria que a mídia produzisse mais peças que formassem ao invés de deformarem o público.

    • Danilo disse:

      PERFEITO !!! DEFORMAREM O PUBLICO…..JA SÃO 10 ANOS EM QUE OS PRIMEIROS MESES DO ANO A MENTE DAS PESSOAS É CARREGADA DE INFORMAÇÃO INUTIL….BBB……E É SEMPRE ASSIM….NOS ANOS DE ELEICAO…..SE FALA DE COPA DO MUNDO E OLIMPIADAS…..COMO SE DIZIA ANTIGAMENTE….PAO AOS IGNORANTES…..PORQUE ASSIM ELES NÃO IRÃO MAIS PROTESTAR.

      O GRANDE PROBLEMA É QUE O BRASIL É FEITO DE PESSOAS REBELDES QUE NÃO MOVEM UM DEDO PRA PROTESTAR CONTRA SEUS GOVERNANTES, O MEXIMO QUE FAZEM HOJE EM DIA É MANDAR E-MAILS CHEIOS DE CRITICAS.

  31. Cintia disse:

    Eu acho que a questão de falta de exercício físico (devido ao carrinho elétrico) não é tão agravante, afinal, como mencionado no texto, quem tem condições de possuir tal brinquedo é um “reduto da classe média alta”, que provavelmente tem acesso a nutricionistas, aulas de natação, karatê, etc, etc, etc.
    O problema, na minha opinião, é que a criança se acostume a fazer tudo sem esforço! É só apertar um botão e ela brinca. Ou, pior ainda, é só os pais apertarem um botão para que ela possa “brincar”. Pessoas que aprendem que esforço e tarefas árduas podem sempre serem repassadas a terceiros por meio de oferecimento de (mais) dinheiro, passam a ver outras pessoas como produtos, e não indivíduos.
    E, infelizmente, a coisa está chegando às escolas também. Muitas acrescentaram aulas de “como investir na bolsa de valores”, ou seja, ganhar dinheiro eletrônico por meio de uma “boa aposta” com o mínimo de esforço possível.

  32. Gersão disse:

    Na minha infância eu brincava no meu quintal, na rua e no campinho em frente da minha casa jogando bola , bolita , bicicleta, carrinho de lombada(rolimã), esconde-esconde, pega-ladrão, também tive um velotrol que era o maior barato na época , e quando chuvia, ela era o motivo das nossas brincadeiras, era que mais animava , pois aqui chove trimestralmente, então era, e é uma festa até hoje.
    Acho que ser simples ou simplesmente gostar do simples, é uma boa, mas não ser radical a ponto de não conseguir viver sem essa estória técnologica que é tudo, é bom mas tudo dentro do seu limite.
    Então , estou satisfeito com a infancia que tive, vidinha que meus filho tem aqui, sem muita tecnologia, pois eles ainda não ligam pra isso, mas me refiro ao lugar onde moro, pois há um bosque a 100 mts daqui onde levo eles pra passear ver as araras, papagaios ou uma cutia que atravessa as trilhas de areia ou pescar um peixinho por diversão em um rio com uma praia despoluida isso a 1000 mts de onde moro, de um lugar onde não tem poluição, nem barunho , nem violência, nem assaltos, “moro num pais tropical, abençoado por Deus”, eu e minha familia.
    Acho que as pessoas deveriam rever os seus conceitos e preconceitos de vida.

  33. Viajando na maionese 2.0 disse:

    Siiimmm, tem crianças obesas demais, os pais querem controlar os filhos como se fossem brinquedos virtuais, mas… não é o triciclo motorizado a culpa disso!!! Bota velotrol e um pai imbecil q dá no mesmo. E alienação tem a ver com videogame? Uuuuhhh… tem sim… por um acaso o pessoal da minha geração, com 35 anos, q brincou na rua, etc, etc, não é alienado? Ahhh… desculpe, é q vivo no Brasil, e vcs, na França, perdão.
    Meu filho é um pestinha. No melhor sentido da palavra. Brinca com os amigos na rua, direto. E gosta de apostar corrida. De motoquinha elétrica e skate (deitado nele, na descida… é, ainda tem mãe louca q deixa isso… eu e mais umas cinco). Problema prático: qdo vou a São Paulo, ele acha q tá no interior. Sai feito louco. Claro q vou atrás, converso depois, pq sou póish-muderna, blábláblá. Então, não brinca mais com amiguinho da cidade gde no parque pq corre o risco de ser atropelado, tanto por carro como por bicicleta. O q já aconteceu, atropelamento por uma bicicleta. Só q o petiz estava parado. Só vi um idiota fugindo. Apanhou de td mundo, enqto eu corria procurar socorro. Se tivesse um triciclo desse beeem mais barato, compraria na hora.
    É, sou abonada, mas meu filho brinca na rua. Que paradoxo, não? Ooohhhh… E não agradeço ter sido pobre qdo era criança. Isso não ajudou em nada na minha formação de caráter. Pq se ajudasse, todo sindicalista, pedreiro, professor, empregado doméstico, funcionário público do baixo clero seria honesto. Tá aí turma do mensalão q não deixa mentir. Meu pai, peão, foi denunciado, junto com minha mãe, deficiente física e professora do Estado, na ditadura por um colega q ganhava menos q ele (atualmente seria uns quinhentos reais). Como diz papi, tem saudade desse tempo quem não passava fome e não ficou sem tratamento médico.
    Meus coleguinhas professores acham q deve acabar bolsa-família pq ajuda pobre a fazer filho. E q a dita foi branda, não dura, isso é invenção de baderneiro. Q a Folha e a Veja falam a verdade. E q se aumentarem as horas na escola, as crianças não vão aguentar. Não bastasse acharem, ainda falam pros alunos e mandam msg falando da “porcaria” dos direitos humanos q protege “bandido”. Ganham R$1.200,00. E não entendem pq os jornais não mostram a greve. Se pobreza gera isso, caraca, turma, bora acabar com a pobreza já!!! Meu marido é vendido ao sistema e meu filho não estuda nas escolas em q dei aula. Sim, dei, pq R$ 7,58 não é pagamento.

  34. Danilo disse:

    QUEREM UM BELO EX: PASSEI O CARNAVAL NA REPRESA, FIQUEI SIMPLESMENTE ABISMADO DE VER CRIANÇAS MONTADAS EM QUADRICICLOS, RODANDO O DIA TODO PRA LÁ E PRA CÁ, E DATALHE, A GRANDE MAIORIA CRIANÇAS OBESAS, EM PENSAR QUE 10 ANOS ATRAS EU FREQUENTAVA O MESMO LOCAL E A CRIANÇADA FICAVA O DIA TODO JOGANDO BOLA, VOLEI, NADANDO, E NAO PASSEANDO DE CARRINHOS MOTORIZADOS.

  35. Piskuila disse:

    Sakamoto

    Todos os pais querem que esse mundo se torne melhor para o futuro dos seus filhos. Só que nunca vi um pai(ou mãe) tentando tornar seu filho melhor para o futuro de nosso mundo.

  36. Mariana de Vasconcellos disse:

    Havera sempre o sentimento nostalgico daquilo que foi a nossa infancia. De uma forma, ou de outra, cada geraçao ira fazer comparaçoes para afirmar que a sua foi melhor que a atual.

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