Trabalho escravo: 37 mil libertos em 15 anos

42 Comentários »

Brasília - Há dois anos, um trabalhador teve o rosto, braços e tórax queimados, repetidas vezes, com ferro de marcar gado em brasa em uma fazenda no Pará. Seu crime? Ter reclamado dos três meses de salários nunca pagos e da falta de comida decente para ele e os colegas. A sessão de tortura teria sido realizada pelo próprio dono da fazenda com a ajuda de capatazes. Para mostrar quem manda e quem obedece.

Este é um caso extremo, mas serve para ilustrar a que ponto chegam as condições degradantes a que são submetidos os trabalhadores escravizados em todo o país. Mais de 37 mil deles, em 2600 estabelecimentos rurais, foram libertados desde 1995 (quando foi criado o sistema de combate a esse crime) em ações de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público do Trabalho e Polícia Federal.

Desmatavam a floresta amazônica para a implantação de propriedades rurais, limpavam pastagens, faziam cercas para os bois do patrão. Catavam tocos e raízes preparando o terreno para chegada de soja, milho ou algodão. Produziam carvão vegetal para abastecer fornos de siderúrgicas. Cortavam cana. Mas também trabalhavam em canteiros de obras de hidrelétricas ou costuravam as roupas que compramos (por pouco) no dia-a-dia.

Para discutir como o Brasil vem enfrentando o trabalho escravo, o que vem dando certo nesse combate e o que falta fazer para que esse crime contra os direitos humanos seja extirpado, representantes da sociedade civil, empresas, governo e organizações internacionais estão se reunindo, entre os dias 25 e 27 de maio, no Encontro Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, na Procuradoria Geral da República, em Brasília.

A abertura contou ontem com a presença do ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Brito, dos ministros Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) e Carlos Lupi (Trabalho), da vice-procuradora gerla da República, Débora Duprat, do responsável pela Organização Internacional do Trabalho para América Latina e Caribe, Jean Maninat, entre outros. O mestre de cerimônias foi o ator global Wagner Moura, membro da ONG Humanos Direitos. O tom entre todos foi parecido: houve avanços importantes, mas ainda estamos longe de mostrar que esse crime não compensa.

Sabe-se que a escravidão contemporânea é sustentada por aqui por um tripé: impunidade (que dá a liberdade para explorar sem reservas pela certeza de que punição é coisa para pobre), ganância (e a busca por economizar dinheiro com a dignidade do trabalhador para concorrer em um mercado cada vez mais globalizado e a pobreza (que empurra milhões para aceitar qualquer emprego). Combater esse tripé significa atacar um crime, mas também rever nosso sistema de Justiça, nossos padrões de consumo e nosso modelo de desenvolvimento. Ou seja, na luta contra o trabalho escravo reside a grande batalha deste início de século: crescer economicamente e, ao mesmo tempo, garantir que isso seja feito para benefício de todos, sem a degradação do ser humano ou do meio ambiente.

Recentemente a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO) criticou o combate ao trabalho escravo em entrevista à revista Veja. Fez o mesmo ontem em artigo publicado pelo jornal Estado de S. Paulo, apontando razões ideológicas para a ação dos funcionários públicos responsáveis pela libertação de pessoas. Não é a primeira vez, nem será a última, em que ela afirma deplorar a escravidão, mas contesta que as condições encontradas pela fiscalização configurem esse crime.

Os produtores flagrados por esse crime reclamam que o governo viu trabalho escravo em colchões que não atendiam às medidas recomendadas, na falta de azulejo no banheiro ou na inexistência de área de descanso para empregados. Mas não comentam que a fiscalização também encontrou, nas mesmas fazendas, pessoas presas a dívidas ilegais, aliciadas em outros cantos do país sob promessas fantasiosas, tendo que comer alimentação estragada e brigar com o gado pelo acesso a água, em alojamentos precários montados dentro de currais, sendo ameaçados, espancados, retidos, exauridos. Se as pessoas soubessem ler os documentos públicos ou se informar junto aos órgãos competentes, saberiam que não é uma autuação pro azulejo que configura escravidão (o que seria ridículo), mas é um conjunto delas configurando a inexistência de respeito à dignidade e à vida humana.

Mas por que tanto esforço para defender quem reduz trabalhadores a instrumentos de trabalho?
Considerando que esse tipo de mão-de-obra é usada para garantir competitividade ao produtor, a sua adoção representa, na prática, concorrência desleal com relação àqueles que operam dentro de formas contratuais de trabalho. Contudo, muitas entidades de produtores têm defendido o associado envolvido no crime, ignorando uma ação comercial lógica, que seria retirá-lo do grupo ou suspendê-lo enquanto apresentasse pendências, para evitar uma contaminação da imagem da entidade e do setor e, conseqüentemente, perdas econômicas. Mas, em verdade, o que é preservado com essa defesa não é um interesse comercial particular, mas algo mais profundo: a classe social dos proprietários rurais.
Apesar de serem poucos os empreendimentos que usam trabalho escravo, são muitos os que empregam sem os direitos garantidos por lei ou que superexploram a força de trabalho, gerando lucros ou facilitando a competição.

Por isso, da mesma forma que o combate à escravidão contemporânea tem sido ponta-de-lança para a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores rurais (ele pressionou pela ampliação da estrutura de inspeção do trabalho e de punição de infratores, o que é útil a toda a sociedade, por exemplo) a defesa dos empresários que utilizam esse expediente tem servido de bandeira para a manutenção do status quo no campo.

Um caso emblemático é o da proposta de emenda constitucional número 438/2001 que prevê o confisco de terras em que trabalho escravo contemporâneo for encontrado. Aprovada no Senado e em primeiro turno na Câmara, ela está engavetada devido à pressão de representantes do setor agropecuário no Congresso, a chamada “bancada ruralista”.

Por mais que a proporção de empregadores que utilizam trabalho escravo contemporâneo seja pequena diante do universo de produtores rurais, esses representantes políticos são contrários à proposta. Pois, para eles, o que está em jogo é a propriedade da terra, considerada inviolável por parte dos seus representados – os proprietários rurais. A sua manutenção e concentração é condição fundamental para possibilitar o negócio agropecuário, pois, além de ser capital, é o locus onde se produz riqueza através do trabalho. A “PEC do Trabalho Escravo” é, pelo ponto de vista de membros da classe ruralista, um risco à sua própria existência e, portanto, lutar contra a sua aprovação representa mais do que manter a exploração de formas não-contratuais de trabalho.

Em tempo: Gilberto Andrade, o proprietário rural acusado de ter queimado o trabalhador de que falei no início deste texto, é um dos raros casos de condenação e prisão por esse crime no país. O interessante é que ele não foi julgado ainda pela libertação desse trabalhador, mas por outra ocorrida em uma de suas fazendas – uma das várias libertações que ocorreram em suas terras.


  1. Ricardo Mendes disse:

    Texto longo,mas fundamental.

  2. Eurly França disse:

    Sou leitora assídua do seu blog, do site da Repórter Brasil, da OIT…, enfim, onde quer que trate sobre o mundo do trabalho, lá estou e estarei. Sou auditora fiscal do trabalho (RJ) e uma das responsáveis pelo conteúdo do site da nossa entidade de classe AFAITERJ. Dessa forma, não é raro encontrar referências ao seu admirável trabalho em nossa página. Vale a pena conferir a parceria.
    Site: http://www.afaiterj.org.br

    • ABULAFIA disse:

      Auditora fiscal do trabalho e sindicalista! Isso mesmo: defenda o seu quinhão!

      Você sem dúvida é bastante isenta para comentar esse assunto!

    • Renato disse:

      Caro Abulafia,

      O assunto é sobre trabalho escravo, se a sra Erly não utilizar trabalhadores escravos em alguma propriedade dela então ela possui isenção sim para comentar sobre este assunto.

      O fato de ela ser ou não sindicalista (o que ela não afirmou que é, somente disse que é responsável pelo conteúdo do site da entidade de classe dela) não a desabona para tecer comentários aki neste blog.

      O grande problema de nossa população é que muitos sabem ler mas poucos sabem interpretar 1 texto de forma a entender o que determinada pessoa escreveu. És digno de pena.

  3. Renata Ju disse:

    Sakamoto, seu blog ficou fora do ar um tempo. Não duvido que tenh sido ataque de ruralista…

  4. César disse:

    Eles vão ter cotas nas universidades?

    • Rose disse:

      Que comentário triste…. Em pleno século 21 ..Pessoas que são marcadas como boi porque querem receber por seu trabalho honesto .. e a preocupação dos filhos da classe média é… “terão cotas” ??Deveriam ter … assim poupariam as pessoas que querem construir um país a partir desta balbúrdia de ouvir essas bobagens que os paulistinhas uspianos de classe média falam por ai..

    • Mure disse:

      Parabéns pelo blog, Sakamoto. Acompanho desde a época do IG.

      Pra Rose: mas qual é problema com os paulistas e a USP? Reconheço que o comentário do César foi imbecil e tudo o mais, mas, convenhamos que de não se pode afirmar que ele seja paulista ou que tenha frequentado a USP. Aliás, o próprio Sakamoto tem/teve vínculos com a USP. Que preconceito idiota o seu. Concordei com você até a parte dos “paulistinhas uspianos”.

  5. Thiago disse:

    Infelizmente talvez haja uma inércia na equipe de comunicação do próprio MTE ( Ministério do Trabalho) para fazer notório a população brasileira as reiteradas ações do Grupo Móvel por todo o Brasil. Não são casos pontuais que existem; todos os dias diversas situações de degradância dos trabalhadores se configuram pelo país a fora. E acho que um campo de atuação ainda não foi observado pelo poder público: o trabalho urbano. Muitos trabalhadores urbanos passam por similares situações vexatórias, exploratórias que configuram condições bem piores do que as que estavam submetidos os escravos brasileiros nos séculos passados.

    • Renato disse:

      Caro Thiago,

      A questão não é tanto de inércia da equipe de comunicação, mas falta de vontade política para fz essa divulgação de forma + veemente perante a sociedade brasileira.

      Não querem “magoar” ainda + os grandes latifundiários e seus representantes no congresso, a tão conhecida “bancada ruralista”.

      Agora eu me pergunto, quem dentro do atual momento político (eleições presidenciais chegando) não gostaria de desagradar de forma alguma esses senhores acima citados ?

  6. Leonardo, parabéns pelo trabalho como jornalista. Estou no jornalismo há 17 anos e sempre acreditei na ideia de que essa atividade é intrínseca ao questionamento do poder. Vejo isso sem seu blog, comprometido com questões sociais, por vezes mascaradas ou ignoradas por parte da imprensa brasileira. A questão do trabalho escravo é uma que merece pouca ressonância por parte da mídia tradicional. Na Baixada Santista, onde resido, um deputado federal foi acusado, há alguns anos, de trabalho escravo em suas fazendas. A imprensa local se calou. Soubemos por causa de uma reportagem da revista Época. Grande abraço!!

  7. jefferson disse:

    Legal a reportagem, mas me tire uma dúvida!!??
    vejo em propriedades rurais, trabalhadores sendo tranportados em carroças, onibus com acentos estragados, porem em condições de uma pessoa se sentar, isso é claro é considerado escravidão, tambem vejo nas cidades, pessoas sendo transportadas como porcos em onibus coletivos, o que torna mto mais perigoso, pelo numero de pessoas e pelo ambiente!! o que caracteriza isso???

    • Renato disse:

      Caracteriza falta de fiscalização do órgão competente. Aew já não é + da alçada do MTE, e sim do DMT (Departamento Municipal de Trânsito) de cada cidade.

  8. Valério Luchetti disse:

    Fico estupefato ao constatar que ainda se tolere tal tipo de prática .
    Pior é saber que há entre os que legislam e os que governam autores de tais práticas . A coerção física é moral inerente ao trabalho escravo deveria ser enquadrada como crime hediondo .
    Uma vez devidamente constatado ,quem dele se utiliza além da prisão inafiançável deveria perder os direitos políticos por um período e ter confiscada a propriedade para fins de reforma agrária .
    É um absurdo que com o grau de consciência atual se tolere tão grave desvio de conduta e haja quem defenda a pauperização da mão de obra em nome da ‘ eficiência produtiva ‘ e de custos de produção .
    VERGONHA NA CARA JÁ !!!
    Fim a essa prática vexatória e ignominosa .

  9. carlos rochelle disse:

    trabalho escravo moderno servir como mote para o confisco de terra acho bastante perigoso. para isso existe a justiça. não se pode generalizar e muito menos imaginar que o responsável por essa aberração seja o agro-negócio. gente de ma fé existe em todos os segmentos sociais. grande abraço.

  10. Marko disse:

    Tem q confiscar mesmo. Cara se utiliza d trabalho escravo e ainda vem querer escapar ca g ando tecnicalidades jurídicas.
    Esses reaças… vou te contar viu… mais parece q os “Clubes da Lavoura” do tempo da escravatura ( alguns diriam, a avó da UDR no século XIX ) na verdade nunca deixaram d atuar, só mudaram o nome…

  11. ABULAFIA disse:

    Trabalho escravo? Libertação? O uso desses termos é o que há de mais retrógrado e demagógico no Brasil hoje. Coisa de esquerdista primário.

    Há abusos na fiscalização. Veja-se o caso da Brenco. Fizeram um acampamento de altíssimo nível, com espaço de convivência, lazer, etc. Aliás foi feito nos mesmos moldes daquele das tropas dos EUA no Iraque (mesmo fornecedor, inclusive). E o grupo de fiscalização autuou a empresa por algo assim, como um azulejo. Uma tropa de cinquenta “fiscais do trabalho” (que começam ganhando 13 mil por mês, absurdo dos absurdos! O país não merece!), procuradores e agregados outros, e só conseguiram fazer uma autuação. PARA NÃO PERDEREM A VIAGEM. É sempre assim. Parecem zagueiros do Vasco da década de setenta.

    É bom notar que os contratados aceitam os empregos livremente. Ninguém é obrigado a aceitar trabalho algum.

    Para os que vão me atirar pedras, reconheço que há empregadores medievais e exploradores da vida humana. Há uma escória de empresários do pior nível possível, sobretudo no Norte, Nordeste e Centro Oeste. Mas chamar de libertação…poupem-me!

    Há no Brasil uma indústria chamada Ministério do Trabalho, o que há de mais anacrônico no país, que não perece porque sustenta os advogados de porta de cadeia e milhares de concursados que, incapazes de conseguirem emprego na iniciativa privada, entram para o “Ministério” para perseguirem empresários. Pacto sinistro este.

    • Maria Lourdes disse:

      Você trabalha para a Brenco desde quando?

      Acampamento de primeiro mundo? Só de for para os ratos que rodavam o dito acampamento e o cheiro de esterco que a tudo contaminava.

      Se quiser se informar mais, lê aí:

      Brenco recorreu a “gato” na época de plantio de cana para etanol
      http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=1583

      Fiscalização na Brenco termina com 17 resgatados e 140 rescisões
      http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=1310

    • Renata disse:

      “É bom notar que os contratados aceitam os empregos livremente. Ninguém é obrigado a aceitar trabalho algum”???

      Em que mundo essa pessoa vive? É assim que você explicaria também a prostituição infantil, a entrada de jovens para o tráfico nas periferias das grandes cidades? Seguindo essa linha de pensamento podemos julgar que todas as pessoas possuem as ferramentas necessárias para saber distingir um emprego decente (conhecer a lei, saber ler..) e muitas opções de emprego a sua escolha. Mesmo nos lugares mais recôndidos do Brasil. Nos mais pobres e onde há baixos índices de desenvolvimento humano.

      Prefiro interpretar essa análise como pura ignorância. Será um desafio maior se for um julgamento parcial e enviesado. Ética é um valor pessoal (do qual essa pessoa carece), e mesmo nas sociedades mais educadas, onde costuma prevalecer o respeito aos direitos humanos, não são todos os cidadãos que a possuem.

      Parabéns pelo ótimo trabalho, Sakamoto. Como jornalista também, sinto-me muito orgulhosa quando encontro iniciativas como a sua.

    • abulafia disse:

      Não trabalho para a Brenco! Mas sei de fonte segura que o que houve lá foi abuso dos fiscais. A própria reportagem que você citou diz que o acampamento da Brenco é um dos melhores do setor, mas que estava inacabado” Isso para mim é excesso de rigor.

      Outro termo engraçado que esse pessoal usa é “resgatado”. Foram resgatados x trabalhadores na empresa.

      Pergunto: resgatados e deixados em qual esquina? O que os fiscais do trabalho fazem por eles depois.

      Outra coisa: nunca fui autuado, porque cumpro a legislação trabalhista.

      Quem diz isso deve ser também um dos apaniguados que vive do indústria do MTE.

    • abulafia disse:

      De fato, Renata, você tem razão, nem todo mundo tem discernimento para distinguir se o emprego é decente. Concordo. Mas você acha que existem trabalhadores ingênuos hoje? Que desconhecem o básico da legislação trabalhista?

      Em que mundo você vive?

  12. ABULAFIA disse:

    Sakamoto, parabéns pelo seu blog. Acho o seu trabalho de grande importância, sobretudo porque nos dá oportunidade de fazer o contraditório.

    • Marcela disse:

      Abulafia, seus comentários e críticas a respeito do MTE são típicos de empregadores que descumprem a legislação trabalhista e exploram trabalhadores, demosntrando apenas que sua revolta provavelmente se deve a autuações que você já deve ter sofrido por parte de fiscais do Ministério do Trabalho. Já pensou, se por alguma reviravolta que às vezes acontece na vida da gente você se vê em situações semelhantes aos trabalhadores que são ludibriados acreditando e aceitando trabalhar em condições degradantes ou sem ter garantidos seus mínimos direitos, a quem você poderia recorrer a não ser aos fiscais que tanto deplora? E olha que eu não sou fiscal do trabalho.

    • abulafia disse:

      Marcela, eu não preciso recorrer a concursos para arranjar sinecuras, pois tenho competência para atuar na iniciativa privada.

      Nunca sofri autuações, o que não me impede de me indignar com a indústria do MTE e seus auditores.

  13. Antenor disse:

    Prezados colegas;
    Realmente devo admitir que sou um neófito por aqui. Devo parabenizar as discussões e os conteúdos levantados por este blog e o trabalho de seu coordenador.
    Agora é impressionante a reação contrária das pessoas; parece que vivem na Suíça!
    Abraço a todos!

  14. luiz santos disse:

    A lei deveria ser punitiva como cotas de terras da fazenda em que o indivíduo sofreu a escravidão. Essa pena tiraria o poder desses latifundiários

  15. Paulo Menezes disse:

    Sakamoto & admiradores,

    Trabalho escravo não; demonizar o agronegócio, também não!
    Meninos, mais cuidado com a ideologia que ferve em vossas veias. Ela exala pelos poros e se mostra de longe. Assim vocês perdem credibilidade. Aliás, estou começando a achar que o UOL caprichou na escolha dos blogueiros (devem ter em casa camiseta com a imagem de Che…).
    “Libertação, exploração capitalista, etc.”
    Vamos ser imparciais, amigos. E democráticos.
    Abraços

    • Roger disse:

      “Libertação”, “exploração capitalista” são termos anti-democráticos? Não consigo imaginar outra maneira para denominar esse tipo de abuso.

      E dizer que exibir um ponto de vista à esquerda torna o UOL parcial é no mínimo impensado. Muito pelo contrário, o portal é um dos poucos que ainda tem entre seus membros pessoas com esse tipo de visão.

      E isso é essencial para o debate, necessário para que sejamos “democráticos”.

      Por favor, tentem não confundir “Democracia” com “Liberalismo”, assim como hoje não mais se confunde “Comunismo” com bem estar social.

    • Renato disse:

      Como o próprio texto do Sakamoto destacou, a quantidade de empresários que se utilizam de trabalho escravo é ínfima em comparação com os que trabalham de maneira regular.

      Acredito ser muito justo retirar a posse da terra de alguém que se utilizou de outros seres humanos como seus trabalhadores escravos. Pq ao usá-los com este propósito este criminoso retirou o segundo bem + precioso do ser humano, que é a sua liberdade (o 1º é a vida).

    • Cláudia disse:

      Desculpe-me mas não dá para ser imparcial quando se trata de trabalho escravo. E trata-se sim de libertação, sem as aspas, uma vez que os trabalhadores muitas vezes não tem como deixar o local onde trabalham pela impossibilidade de locomoção bem como, em muitos casos, pelas dívidas ilegais que tem com os ditos “patrões”.
      Abraços
      Cláudia

  16. neto disse:

    Tem que fazer a distinção, FUNDAMENTAL, entre “trabalho-escravo” e “condições inadequadas de trabalho”. esta distinção voce não faz, e continua a falar em libertação de 37.000 “escravos no brasil! É bullshit!
    Se vistoriarem 3 obras de construção civil, em qualquer cidade do interior, em 2 vão achar condições inadequadas de trabalho, e neste caso, ninguém fala em “trabalho escravo”….é preconceito contra o produtor rural que produz e carrega este país nas costas, há anos!!!

    • Cláudia disse:

      O verdadeiro produtor rural também indigna-se (ou deveria indignar-se) com esse tipo de trabalho sem qualquer vínculo e sem pagamento dos mínimos direitos trabalhistas. Como bem colocou Sakamoto, os produtores rurais deveriam ver a concorrência desleal que está ocorrendo quando alguém aumenta desleal e ilegalmente seus lucros por não cumprir as leis trabalhistas que pretendem assegurar um mínimo de dignidade ao trabalhador.

  17. Sergio Zanella disse:

    Sou favorável a que sejam confiscadas para a reforma agrária as terras de quem não respeita o ser humano naquilo que ele tem de mais sagrado, que é a sua vida e dignidade. Só que temos um grande problema,pois só quem já foi fiscalizado pelo “Ministério do Trabalho” e seus fiscais sabe como é, normalmente eles já chegam com o preço pronto, ou se você não pagar te autuam por qualquer coisa, já que o emaranhado de leis é tão grande que você não conhece todas, além de vir uma leva de fiscais atrás da outra, com você ainda se recuperando da “fiscalização” anterior. Não estou inventando, porque passei por isto de achei melhor pagar, pois a denuncia não adianta, pois tentei, mas a propina é de cima à baixo nos orgãos públicos. No caso do trabalho escravo a mudança deverá ser legal, para acabar com a impunidade, que alías é o foco da maioria das nossas mazelas, se o cara tiver certeza de que será punido, vai pensar duas vezes.

    • Renato disse:

      Entra em contato com a TV de sua preferência (Globo, Record, Band) e combina 1 flagrante de cobrança/entrega de propina, que o fiscal vai se ferrar bonito.

      Tem que ser + experto que essa corja de fiscais fajutos. Mas não podemos demonizar toda 1 categoria por causa de alguns poucos que agem de má fé, do mesmo jeito que não podemos achar que todo proprietário de terra se utiliza de trabalhadores escravos.

    • Marcelo disse:

      Você também pode ter sido enganado por falsos fiscais. Veja o link a seguir sobre o tema: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u729614.shtml

  18. Milton disse:

    Se foram libertos 37.000, deve haver o dobro que ainda encontra-se em regime de escravidão. Alguns dos fazendeiros são políticos aliados do governo, e por isso intocáveis.
    Enquanto isso, puxamos o saco de países africanos e asiáticos onde a escravidão não foi abolida na prática.

  19. Ines disse:

    Sakamoto,
    Belíssima matéria, pois revela de forma transparente uma realidade tão suja e triste deste País. Voce faz um trabalho muito importante e assim contribui com o MTE de forma especial, pois nem sempre conseguimos colocar em um relatório todo o horror com que nos deparamos e muitas vezes um horor maquiado, disfarçado de pequenas infrações. Pela aprovação da PEC, sim!

  20. Francisco Maciel disse:

    “Acabar com a escravidão não nos basta; é preciso destruir a obra da escravidão”
    .Esta frase está no site da Fundação Joaquim Nabuco, o cara. A ação está no teu blog, Leonardo Sakamoto. Tem um poema do Pablo Neruda que começa com o verso: “Sucede me canso de ser hombre”. Parece simples, mas dá traduzir de muitas formas. “Acontece que me canso de ser homem”. “Acontece que me canso de ser humano”. “Acontece que me canso de ser negro”. “Acontece que me canso de ser assalariado”. “Acontece que me canso de ser subbempregado” “Acontece que canso de ser desempregado”. “Acontece que me canso de ser brasileiro”. Acontece que você não deve se cansar de fazer esse trabalho que enche de orgulho pessoas que ainda acreditam que é preciso destruir a obra da escravidão. Abraço forte de um negro velho. De um nego véio. rs

  21. Cláudia disse:

    Sakamoto,

    Tem sido uma grata supresa ler seus artigos instigantes, suas análises inteligentes e brilhantes. É muito bom saber que há, no Brasil, jornalistas que fazem a diferença. Sinto-me reabastecida a cada vez que visito seu blog; vejo que vale a pena continuar a lutar por uma sociedade mais justa e igualitária.
    Parabéns, saiba que apesar dos “reacionários” fazerem muito alarde, somos muitos os que pensamos como você e o apoiamos, ainda que tímida e siilenciosamente.
    Abraços,

  22. jaime krochik disse:

    Reforma agrária já, controle de natalidade já
    vamos por os escravocratas trabalhando no chicote já
    explorou trabalho escravo, prisão perpetua e expropriação não só dos bens como até das cuecas sujas.
    E tenho dito!

  23. Zé Brasil disse:

    Esta falsa defesa do trabalhador, é, nada mais, nada menos, do que uma política implementada por governos estrangeiros que utilizam ONGs e blogueiros internacionais para enfraquecer a economia do Brasil.
    É a guerra comercial em franco desenvolvimento.

  24. De onde voce tirou que a gente escraviza eles, a gente só nao da condiçoes para eles sobreviverem.E esse blog é muito chato

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