Participação popular e a vergonha de protestar
A esquina das ruas Apinajés e Capital Federal, em Perdizes, é uma das mais perigosas de São Paulo. Acidentes ocorrem ali quase diariamente, fazendo com que a vida dos taxistas do ponto que fica exatamente no cruzamento seja tudo, menos um tédio. Dia desses, vi o exato momento em que um carro atravessou e arrastou mais três – por sorte, dessa vez, ninguém morreu. Solicitações e petições assinadas pelos moradores para a instalação de um semáforo já foram feitas à administração municipal, mas até agora nada.
Porém, há algo mais. Três das quatro ruas dessa esquina são ladeiras, pirambeiras para falar a verdade, em que os automóveis podem quebrar a barreira do som se descerem na banguela. Motoristas com o mínimo de inteligência reduzem, param e olham antes de seguir, mas muitos optam por brincar de roleta russa, confiando na proteção de forças sobrenaturais. Feito uma transa sem camisinha. Afinal, merda só acontece com os outros.
Fossemos nós um pouco mais cientes de nossos deveres e direitos, iríamos evitar que as frustrações do dia-a-dia caminhassem para o pé do acelerador, causando danos aos outros e, ao mesmo tempo, já teríamos preparado uma pequena manifestação trancando o dito cruzamento até que o poder público ouvisse e atendesse a reivindicação por um semáforo. Mas fechar cruzamento, ocupar rua, protestar com faixas, é coisa de periferia. Não combina com um bairro nobre. Pior, atrapalha a fluidez do trânsito – que, convenhamos, é mais importante que a segurança das nossas crianças.
Exagero? É só lembrar que quando uma favela é invadida por uma enchente de esgoto ou quando uma ocupação ilegal é removida a bala e moradores, cansados de tanto reclamar e não serem escutados, resolvem ocupar uma avenida, o assunto que vai para a mídia é o trânsito e não o problema que gerou o protesto.
Há veículos de comunicação que dão manchetes para o congestionamento e relegam ao segundo plano a tragédia humana que ocorreu. Colocam depoimentos de motoristas reclamando que perderam a hora para alguma coisa, xingando os “baderneiros”, mas não se ouve os moradores. Eles aparecem na tela para mostrar o “drama” e desaparecem quando já deram audiência suficiente. “Ah, mas o congestionamento afetou a vida de mais gente, por isso é a notícia mais importante.” O conceito de relevância jornalística se perde em justificativas como essa, desumanizando a situação. Os dois fatos são notícia. Milhões de pessoas conseguiriam se reconhecer nessas histórias se elas fossem retratadas corretamente pela imprensa. A discussão é longa.
Um cruzamento é algo tão pequeno e insignificante. Mas capaz de revelar que nós não nos sentimos donos da cidade em que vivemos. Acreditamos que somos ocupantes provisórios. Caso tivéssemos essa necessária sensação de pertencimento, participaríamos realmente da vida da metrópole e das decisões dos seus rumos.
Ao mesmo tempo, quem rompe a barreira do conformismo e protesta é criminalizado ou reduzido a um mero causador de congestionamentos. Para esses insurgentes, que não entendem que a cidade é um organismo autônomo que lhes presta um favor por deixarem nela viver, só gás de pimenta nos olhos resolve.


Sakamoto, gostei do texto. A partir da análise de um caso específico, subjetivo, você coloca em pauta um dos principais problemas das nossas cidades. Falta de gente que se preocupa, ninguém se engaja para mudar os problemas. E quem se engaja, recebe críticas.
Caro Sakamoto!
Sou seu fã. Sei que poucos jornalistas tem a capacidade de expor a verdade como vc. Continue assim.
Você foi muito feliz em seu texto.Protesto dá a imprensão para os brasileiros de que sejam atos da periferia ou baderna , e com isso vamos só tomando e engulindo goela abaixo o que nossos ( nobres e honoraveis políticos) pensam.
Não sei qual a seu conhecimento sobre o uma lei que está para ser aprovada no congresso por nome de ATO MÉDICO.Esta palhaada já foi aprovada na comissão de justiaa da câmara de nossos( filhos da pátria) ou seja ! NOBRES DEPUTADOS.
Este ato corporativista fere diretamente o direito de 14 profissões e causará um caus total na saúde pública que já está uma merda.Para se ter uma ideia do perigo, para que o ciddadão tome uma injeão é será obrigatório passar por uma consulta médica.isto ainda é uma coisa simpleso resto do horror vem depois.
Foi feito um manifesto dia 27 de fevereiro passado em São Paulo. e advinha o que aconteceu? Este manifesto foi feito no Ibirapuera onde a sociedade não ficaria nunca sabendo do que se tratava. Ou seja! Um perigo para a sociedade e não sabemos nem nos manifestarmos.
PELA SUA COMPETENCIA PROCURE SE INFORMAR PELA LEI DO ATO MÉDICO.vC PODERÁ EM MUITO ABRIR OS OLHOS DA SOCIEDADE.
Meu cedilha falhou.
O autor foi muito feliz, descreveu a atitude conformista, eu chamaria tambem de descaso dos brasileiros diante dos fatos que incomodam aos outros, os outros que resolvam ou se desgastem .
È generalizado, nos edifícios,ruas, cidades, tudo é transferido para os outros, chatos, briguentos , enquanto isso, os males, grandes e pequenos, perduram.
Gostei do texto, Sakamoto. Realmente quem tem uma postura diferenciada que, reclama, questiona ou simplesmente solicita uma informação mais pormenorizada e visto como um causador de problemas, isso em todas as esferas da sociedade.É uma pena que somos tão poucos e poucos com uma visão como a sua, pois sabemos que os meios de comunicação tem um grande poder, principalmente de influência. Mas por outro lado ainda bem que nós existimos, pois bem ou mal as poucas transformações ocorrem porque existem pessoas como nós, não conformistas ou chatos como os outros nos preferem chamar.
Dessa vez, o texto foi realmente muito feliz. Mostra, perfeitamente, o q é a democracia brasileira, e estamos falando da maior cidade do país, onde vivemos. Vivemos numa pseudodemocracia, na qual os políticos eleitos mandam e desmandam, e os eleitores dizem amém. É claro, há associações de bairros, de moradores, outras organizações semelhantes q reivindicam direitos legítimos da população q representam, mas isso é minoria. A grande maioria das pessoas simplesmente reclama para si, ou para amigos, dos problemas q enfrenta graças à inoperância do poder público. E td fica do jeito q está. Esse é o maior problema da sociedade, ou melhor, do povo brasileiro: passividade. Omissão. Comodismo. Para o brasileiro, em geral, tudo está bom, conforma-se com muito pouco. Não pode ser assim. Uma organização social não pode existir e persistir nesse tipo d relação com o mundo. E há também essa questão do individualismo, da falta d coletividade do brasileiro, q não vê q aquilo q prejudica alguns pode causar danos a si também. Enfim, esse comportamento é secular, histórico, vem da colonização, e para mudar, depende d uma evolução cultural, q necessita d anos d prática e desenvolvimento intelectual, ou seja, passa necessariamente (e mais uma vez) pela educação, algo tão precário em nosso país.
Sobre a questão das manifestações em si, a minha opinião pessoal é q o brasileiro, qdo decide protestar, o faz d forma equivocada. Sair as ruas, travar o trânsito, queimar pneus, prejudica a vida d um monte d gente (e não é + do q outra mostra d falta d consciência em relação aos demais q compartilham o msm espaço em q vivem). Há formas d se chamar a atenção do msm jeito, e sem prejudicar as outras pessoas, como protestar nos locais onde a corja q nos governa “trabalham”, pois são lugares públicos, e além do mais, eles estão lá para satisfazer as vontades do povo, e não o contrário. Mexer naquilo q tanto prezam – o dinheiro q arrecadam – vinculando o pagamento mediante ferrenha fiscalização, ou, uma atitude + drástica, sob pena d boicotes (no caso, isso teria q ser coletivo, algo inimaginável, hj, no Brasil). Enfim, o dito popular qdo diz q o povo unido nunca é vencido é extremamente verdadeiro, afinal, o q são, sei lá, 5000 políticos contra 190 milhões d pessoas exigindo os seus direitos?
Concordo com vc, principalmente na questão da sensação de pertencimento. Qdo mudei pra São Paulo, vinda de Porto Alegre e de 16 anos de orçamento, realmente, participativo, fiquei impressionada como as pessoas daqui não se sentem, e não se fazem, donas da sua cidade. Parece que todos estão em trânsito e ninguém pode se comprometer com nada. Efetivamente, não é de bom tom ter opinião, se posicionar e participar das decisões sobre a cidade, mesmo que indiretamente. Uma pena, pois não há sensação melhor do que não permitir que uma antena de telefonia se instale em local indevido, ou que escolas sejam fechadas, ou mesmo a de conseguir que um semáforo seja rapidamente providenciado em local necessário. A gente se sente respeitado na nossa cidadania, mesmo que nem tudo sejam flores. Adoro o seu blog e já tenho vários comentários seus guardados para indicar a leitura em momentos necessários. Com o devido crédito, é claro.
Excelente texto. Compartilho os mesmos sentimentos.
Isto pode ser um problema, sim. Mas nessa mesma regiao há alguns botecos que colocam som acima do legal, tarde da noite. E aparentemente não há protestos. Há até um lugar que, aparentemente, funciona como local de festinhas ou ensaios de banda onde ocorre a mesma coisa. Sem protestos, aparentemente, já que telefonei certa vez para a polícia, reclamando e me trataram como marciano.
O esquema é fazer umas ações diretas, igual ao Clube da Luta. Batizar o nome dessa esquina com alcunha do Subprefeito botando o em uma foto constrangedora…
olá, porque se clicarmos no “banner” do blog, não é encaminhado aos outrs textos? É necessario acessarmos texto a texto? abcs
Esta é a cidade de Kassab e dos subalternos do pensamento motorizado e egoísta. Aqui a passividade é um alento à “classe mérdia”, que só reclama dos impostos e esquece do resto, fecha o vidro de seu carrinho e já era.
Estou debutando no comentário mas já te leio faz tempo. E gosto muito.
De um simples cruzamento, o que não faz uma mente pensante!
Vc tem razão!
Muitas vezes é “de um simples cruzamento” de ideias que fazem a força de uma “mente pensante”!
E quem sabe se não seria dessas “mentes pensantes” que “nós” nos fazemos “um pouco mais cientes de nossos deveres e direitos” de cidadãos resposáveis: sujeitos de nossas ações para a construção de bem comum quotidiano?
Mais um grande bravo para o excelente texto do Sakamoto!
Caro Saka (desculpe-me a intimidade).
Ozires Silva certa vez, numa magnífica demonstração de lucidez, disse que é atávica a subserviência do cidadão brasileiro ao Estado. Coisa que vem do nascimento da Terra Brasilis.
Parabéns por teu comentário. Bato nessa tecla na rede de meus amigos há muito tempo. Ninguém tem tempo para protestar; largar o trabalho e sair às ruas num protesto pacífico, mas que seria significativo se o número de participantes também o fosse, nem pensar (ai que vergonha sair na televisão protestando).
A mídia sabe disso e faz de conta que não sabe. Porque? Afinal é uma concessão do Estado, daí…
Daí “que não vamos dizer tudo que precisa ser dito porque um governo mais truculento pode até nos cassar, alegando que estamos incitando o povo contra o governo” (duvida? Lembrai-vos de Tiradentes).
Então, o brasileiro continua sendo o que sempre foi: um revolucionário de mesa de bar.
Esse é o canal, o único a meu ver, para que possamos mudar o rumo da democracia brasileira. Os outros já estão contaminados, meu caro Sakamoto.
Vamos nessa que eu te acompanho.
um abraço.
Gostei muito do texto e vou repassá-lo. Na verdade as pessoas, mesmo as de classe média, não têm noção do que seja cidadania e por isso não exigem seus direitos de cidadãos.
Muito boa a matéria, concordo contigo, fico indignado com tanto conformismo do povo brasileiro, são poucos os quem tem coragem para expor e reevindicar melhorias para todos, felizmente temos pessoas que nao têm medo de reenvindicar.
SO TEM UMA COISA QUE REUNE TANTO BRASILEIRO PARA PROTESTAR… UMA PARTIDA DE FUTEBOL, gosto de assistir mas, nao sou fanatico, e fico triste em pensar que nosso povo da mais valor a uma partida do que para o bem estar de todos, acho que é ate por isso que estamos nessa situaçao… no dia em que conseguirmos reunir metade que um amistoso de futebol consegue, so para reenvidicar algo para nosso bem, nao existira mais reeleiçao…
Sakamoto isso me remete ao nosso vizinho Argentina, nossa única rivalidade é o futebol, mas o cenário é muito parecido, no entanto quem não se lembra do “Panelaço”? Comprar sem se vender num país onde quem protesta é exonerado ou exumado é desencorajador. É o mesmo que testar a eficácia da classe dirigente no Brasil onde o poder passa de pai p/ filho.
As pessoas que exercem a cidadania, fazem protestos, usam os Serviços de Atendimento ao Consumidor, ouvidorias, defensoria pública, juizados, entre outros mecanismos de proteção aos direitos são duplamente prejudicadas: primeiro porque são consideradas e tratadas como chatas e inconvenientes, segundo porque para reclamar precisam dispor de tempo para montar processos, conseguir provas, aguentar filas, e esperar, esperar e esperar. As vezes dá vontade de fazer o que os políticos e aqueles que nos lesam diariamente esperam: desistir. Eleger representantes para fazerem isto e ir assistir novela, sem a menor criticidade. É o que muitos fazem. Não reclamamos para não nos chatearmos e nem perdermos tempo. Mas perdemos muito com isto. Perdemos além de dinheiro, a dignidade, a autonomia para decidirmos o que queremos. Por que querem nos fazer crer que reivindicar direitos é coisa de pobre? A quem interessa esta postura? Interessa a todos que não cumprem seus deveres, aos que nos roubam, aos que têm privilégios.
O Sakamoto pegou um exemplo pequeno, corriqueiro, da nossa imobilidade, mas temos muitos e com conseqüências muito mais profundas. É o caso da saúde pública. A classe média e os ricos pagam seus planos de saúde. Os que não podem pagar se sujeitam passivamente ao péssimo atendimento médico dos hospitais públicos. Por que se sujeitam? Se houvesse maior mobilidade a situação estaria como está?
A imobilidade é também uma postura política. É o posicionamento dos que acham não ter direitos, dos que desconhecem os direitos que têm, dos que têm medo dos poderosos, dos que acham que fazer movimento reivindicatório é prejudicar o outro, é coisa de subversivo (e ser subversivo parece ser crime por princípio), dos que estão cansados de tanta labuta. E assim uma determinada ordem social é perpetuada, mesmo que esta ordem nos fira até a alma, nos coloquem nomes de santos (grande parte dos brasileiros tem nome de santo: Maria, José, João, Cristina, dado por nossos colonizadores católicos) e nos impeçam de termos nossos sobrenomes (Alguém ai tem sobrenome de índio ou negro?). Nossos colonizadores nos marcaram como bois e nos colocaram no que achavam ser o nosso lugar e estamos com enorme dificuldade em sair dele, em mostrar nossa autonomia. Temos que agir.
Olá, Leonardo! Ótimo texto e você é gatíssimo (não poderia deixar de falar isso).
Boa tarde
Não sabia que eramos vizinhos. Desde 2004 (quando me mudei do Tatuapé para as Perdizes) aprendi com os cruzamentos deste bairro que aqui não vigora a lei de ruas preferenciais e todo cruzamento se torna altamente perigoso, quando você o associa às íngremes ladeiras que o cruza.
Moro em próximo ao cruzamento da Rua Campevas x Rua Wanderley e desde que 2008, quando o trânsito de uma rua paralela deixou de ser dupla mão, todo o fluxo do trânsito que vem para a Pompéia passa pela Rua Wanderley. Conclusão: já presenciei mais de trinta (sim, trinta) abalroamentos, dois dos quais muito graves. Eu, em iniciativa própria, tentei colher assinaturas na vizinhança para que se instalassem semáforos de segurança no cruzamento. Disse a CET que era inviável, porque na rua de baixo já havia um, comprometeria o fluxo etc… etc… etc…
O que fizeram? Quase um ano para espetar uma placa de “Pare” e outro par de meses para pintar no asfalto o mesmo imperativo. Desde então acidentes continuaram a ocorrer.
Sempre comento que “nuestros hermanos” argentinos, neste ponto, são muito mais civilizados e politizados. Há panelaços quando querem protestar e o fazem na frente da Casa Rosada (sem contar as bravas “Madres de la Plaza de Mayo”.
Fanatismo esportivo à parte, sinto inveja deles.
Somos um povo realmente individualista, egocêntrico e desprovido dessa propalada solidariedade de senso comunitário.
Abraços, vizinho ao som de http://www.racksandtags.com/purplemanfrombrasil/1272957/Flower-Travellin%27-Band-Satori
PAZ!
AMOR!
ALEGRIA!
Sakamoto, concordo e assino embaixo. Acho que isso é um problema de falta de cidadania, das pessoas não enxergarem que as partes fazem o todo. E o pior é que realmente muitos têm medo de fazer diferente e acabarem marginalizados. Vejo isso no meu dia-a-dia de empreendedora social. Até mesmo quando você propõe a um empresário uma ação ganha-ganha, eles têm dificuldade em sair da sua zona de conforto e fazer diferente. Isso, na minha opinião, porque não entendem que existe uma responsabilidade socioambiental que pode e deve ser assumida por todos. Parabéns aos que, como você, pensam e agem porque sabem que fazendo diferente, também estão fazendo melhor.
Assine o manifesto cultura viva como política de Estado:
http://www.culturaviva.org.br/index.php
Caro Sakamoto!
Gosto da sua sensibilidade para com a falta de cidadania que temos no Brasil. Esse seu texto toca em uma questão que nós brasileiros procuramos colocar para baixo do tapete. Digo, temos uma séria de problemas em todas as áreas da vida de um cidadão. Mas preferimos ignorar e sofrer com esses problemas todos os dias. Reclamar, protestar, tentar ser ouvido e mostrar que precisamos de socorro, é visto como algo de pobre e outros preconceitos. Uma pena, pois somos um país sem distribuição de renda e, em alguns casos, vivemos pior que muitos países africanos. Moro atualmente na Escócia e um fato que me chamou a atenção aqui, quando me mudei, foi como as pessoas reclamam de um serviço que não gostam, seja privado ou público. Achava estranho. Hoje entendo porque os hospitais funcionam aqui, as escolas ensinam, as ruas não são esburacadas, a polícia ou a ambulância chegam quando são chamadas. Isso ocorre, porque, além de pagarmos muito imposto aqui, as pessoas reclamam quando não são bem atendidas e os governantes tem a preocupação de atender as reinvidicações da comunidade. Não quero dizer que aqui seja o paraíso, pois tem muitos problemas. Mas digo, que muitos outros porblemas que ainda temos no Brasil, já foram superados aqui. Continue escrevendo, estarei aqui para ler. Um abraço e tudo de bom. Ivanilson
Caro Sakamoto,
Adorei o texto! Sinto falta de textos como o seu no universo da informação, principalmente em blogs, onde muito se fala e não há fala com conteúdo…Parece-me que que neles a necessidade por dividir “paixões” subverte a disseminação da informação. Em um momento no qual as “paixões” estão alinhavadas ao conceito de liberdade, entendo o quanto seja difícil para um indíviduo perceber que outro faça parte do seu cotidiano. A sociedade está dividida em pequenas ilhas e ninguém está tomando nota que se nada for feito o espaço no qual se vive irá tornar-se os próprios limites do corpo, com estruturas de autoridade infinitas entre o indivíduo e seus direitos e responsabilidades. Na verdade, é preciso que nos responabilizemos pelo cenário em que estamos inseridos e trabalhemos em mudanças concretas, sem mais delegarmos a função e a culpabilidade pelos efeitos aos outros.
PROFESSOR LEONARDO SAKAMOTOLI O SEU TEXTO ATENTAMENTE ,ESTA DE PARABENS.MAS,GOSTARIA DE FAZER ALGUNS COMENTARIOS ,REFERENTES AS RESPOSTAS DADA DE SEUS OUVINTES.ELES ESTAO CHEIO DE RAZAO O PUBLICO CONTRIBBUINTE TEM MEDO DA IMPRENSA,DA TELEVISAO,MEDO DOS POLITICOS POR ATO DE PERSEGUIÇAO POR ACHAREM TODO PODEROSO E ASSIM POR DIANTE. PROFESSOR SAKAMOTO NAO ESTA NA\ HORA DE SE CRIAR UMA ONG. NAO POLITICA PARA TRATAR DOS TEMAS NO SEU COTIDIANO [ EU SEI QUE E UM TRABALHO DE FORMIGUINHA] EU CREIO QUE NAO TEMOS OUTRA ALTERNATIVA.ESTOU A SUA DISPOSIÇAO,MUITO OBRIGADO PELA OPORTUNIDADE DADA.JOSE CARLOS BRANDAO PRESIDENTE DO SINDICATO DO COMERCIO VAREJISTA DE PRODUTOS FARMAÇEUTICOS DE RIBEIRAO PRETO/SP AGUARDO RESPOSTAS.GRATO BRANDAO
Respeito muito sua cruzada anti trabalho escravo!!! Por isso, acho que vc está perdendo seu precioso tempo com o “modus-vivendi” da cínica e hipócrita classe média paulistana!! Não tão nem aí…querem mais…deixe essas ninharias comportamentais, essas aberrações sociais importadas…se vacilar passam com o carro do ano por cima…sou mais eu o resto é bosta…sou o cara…kkkkkk…lamento Sakamoto…isso tá de mal a pior…não tenho motrivo para ser otimista…reclamam por aqui…mas temo só em pensar no que fazem…boa sorte…(não precisa publicar)…abraço!!
Respeito muito sua cruzada anti trabalho escravo!!! Por isso, acho que vc está perdendo seu precioso tempo com o “modus-vivendi” da cínica e hipócrita classe média paulistana!! Não tão nem aí…querem mais…deixe essas ninharias comportamentais, essas aberrações sociais importadas…se vacilar passam com o carro do ano por cima…sou mais eu o resto é bosta…sou o cara…kkkkkk…lamento Sakamoto…isso tá de mal a pior…não tenho motivo para ser otimista…reclamam por aqui…mas temo só em pensar no que fazem…boa sorte…(não precisa publicar)…abraço!!
MUITO BEM SAKMOTO.EU CHEGO A TER VERGONHA DE SER BRASILEIRO.O POVO AQUI SÓ SABE PROTESTAR QUANDO SEU TIME PERDE,AGORA EM EPOCA DE COPA TODOS SÃO PATRIOTAS MAIS HORA QUE PASSAR A COPA AI A MAIORIA DOS BRASILEIROS VÃO VENDER O VOTO.ETA POVO SEM CIDADANIA,SEM CENSO CRITICO ETC.
Caro Sakamoto,
Acho que seria mais eficaz se protestassem na prefeitura, exigindo uma audiência com o prefeito ou então na casa dos vereadores.
Faz tempo que não lia seu blog. Continua sensacional!
Eu admiro muito os atos jornalistico, porq
O jornalista em qualquer parte do mundo é uma profissão de risco. Estou associando uma parte que li, que diz “Simão Pedro criticou uma famosa dançarina” sendo que essa dançarina fora convidada do rei e após sua apresentação, ele gostou tanto da dança que ofereceu realizar qualquer desejo. A vingança fora seu pedido: A cabeça de Simão Pedro. Eu hoje analiso tantas represália que ja sofri por reivindicar certos direitos, estou me acovardando neste pais da violência. Sr. Leonardo, solicito o conselho de amigo. Que conselho o senhor me daria?
Atenciosamente
Vicente dantas
Vicente Dantas, bom dia.
Foi João Batista que teve sua cabeça entregue em bandeja de prata pela cortesã Salomé do reinado de “h”erodes.
Abraços ao som de http://www.racksandtags.com/purplemanfrombrasil/1273979/Rainbow-Long-Live-Rock-%27n%27-Roll
PAZ!
AMOR!
ALEGRIA!
Não gostei dessa vez não. Todo mundo elogiou… Concordo com muito do que o Sakamoto escreve, e com algumas coisas não. Mas eu fico surpreso com o contraste de opinião das pessoas. Tem coisas que eu custo a acreditar, como algum leitor pode pensar de certo jeito! E o cara não é burro, só porque eu não o entendo! Cada um tem sua experiência, a sua formação. Eu tento respeitar. Às vezes dá, às vezes não. Mas, dessa vez, os leitores concordaram demais. E eu também.
Léo, foi uma boa reflexão, e necessária! Mas também gosto de ler as opiniões dos leitores. Vamos voltar aos temas mais cabeludos?
Concordo com vc Lucas! Não sobre o texto mais sobre a atitudes dos leitores/comentaristas. E é aqui que interpelo o Sakamoto.
Caro Sakamoto,
Seus textos são ótimos! Estou começando a fazer comentários no seu blogue agora, porem, faz muito tempo que leio seus textos como leitor/observador passivo.
Se tomei a decisão de torna-me um leitor participativo é porque alguns temas que vc trata aqui me intrigam e me interpelam!
Primeiro é o fato que seus textos dão a impressão de um exercício de um “paternalismo” jornalístico- político estupefato!
A impressão que se tem, é que sua análise sobre a questão do “participação popular” e a “vergonha de protestar” faz unanimidade. A tal ponto que o tema faz emergir uma visão uniforme de um pensamento único onde se condensa uma visão de um “maître à penser” (mestre a pensar), um “guru jornalista” face a um grupo de leitores que se reconhecem no “bom” conhecimento, no “bom” saber do “mestre” pensante.
Mas as coisas não param por ai: o que há de decepcionante na leitura dos comentários dos comentaristas de seu blogue é o sectarismo que reina!
Tudo é analisado de forma consensual. Os julgamentos de valores veiculados pelo “mestre a pensar” influenciam sobre a visão sociopolítica, sobre o “bem” e o “mal”, a “verdade” e o “falso”. Eles recebem uma aprovação unanime sem nenhum julgamento critico. 36 Comentários para expressar o “fanatismo”, o “prazer”, a “felicidade” que o leitor/comentarista tem de receber a leitura de seus textos!
Vc não acha essa atitude estranha da parte de leitores/comentaristas?
A questão principal é então de saber se um texto politico tem por objetivo de despertar um paternalismo, uma admiração narcísica, uma paixão partidária no leitor, a tal ponto de aliena-lo ou se ele tem por objetivo de despertar seu jugamento crítico. As questões secundárias seriam de saber se não esta na hora relevar a questão sobre o significado da «emancipação» do leitor/comentarista.
Se sua frase-afirmação “Fossemos nós um pouco mais ciente de nossos deveres e direitos” tem algum sentido, alguma significação, como seria então possível a tomada de consciência dos direitos de deveres dos leitores-cidadões na participação real “da vida da metrópole” e “das decisões sobre o bem comum” se o leitor não desperta nenhum senso crítico sobre os seus próprios textos?
E é aí que à questão da “emancipação” me interpela!
No fundo, os comentários no seu blogue dão a ver uma visão consensual: os leitores tecem elogios aos seus textos. Porem, existe um fato que não pode ser desconsiderado: o que ele subentende seria uma atittude despolitizada da vida social, no sentido que os comentários no blogue se dirigem-se ao “mestre”, elas não mobilizam discussões que contribuem para alargar o universo dos possíveis da ação politica entre os comentaristas.
E isso não lhe interpela?
“Afinal, merda só acontece com os outros.”
Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política.
FDA, nem sempre há unanimidade quanto as idéias lançadas pelo Sakamoto. Já li algumas discussões em que os leitores não se dirigem somente ao Sakamoto, mas aos outros internautas também. Porém ainda não me deparei com um debate daqueles de ferver a cabeça. Sobre o assunto de agora temos muitos elogios ao Sakamoto (pessoal) e as suas idéias. Mas tem alguns assuntos, que por falta de contra-argumentos os internautas tentam desqualificar tanto o trabalho, quanto ao próprio Sakamoto. O que acho lamentável, visto que não se pensa sobre o assunto em pauta. Acho que isto é um indício de que não estamos acostumados a discutir idéias, o que nos coloca em situação de passividade.
Cara Cristina,
A ideia não é tanto de abrir “um debate daqueles de ferver a cabeça”!
A ideia seria que no “cruzamento” de ideias se cria uma força da “mente pensante”! Questionar um texto, é ler os subentendidos que libera um autor sobre a sua percepção do mundo.
Por exemplo, na proposição-afirmação “um pouco mais cientes de nossos deveres e direitos” não houve questionamento dos leitores.
Porem, foi dela que tirei minha ideia da visão paternalista do autor! Qualquer leitor avisado teria constatado que na ordem ontológica social toda pessoa vem ao mundo social com certos “direitos” e não com “deveres”. Direito a vida, direito a liberdade, etc.
Uma leitura atentiva teria mostrado certos atos falhos do autor que são reveladores da visão do mundo e da sua maneira de se relacionar com os outros!
E para isso não é necessário “ferver a cabeça” é tão evidente que so um cego não ver!
Além disso, isso faz parte de nossos direitos e deveres de leitores/comentaristas de afirmar seu desacordo com o autor sobre tudo quando essas pequenas confusões quotidianas podem induzir grandes “sofrimentos” sociais e individuais!
Mas tem aqueles que aceitam uma relação “paternalista” numa boa e isso é um direito subjetivo!
Porem, isso se argumenta de maneira simples sem queimar a cabeça!rss
Caro FDA,
O problema é que você não consegue se expressar de uma forma simples.
Escrever bem também é escrever para muitos de uma forma que se faça entender – e não apenas meia dúzia de iluminados em uma masturbação acadêmica sem fim. Nesse processo, é claro que há simplificação, mas ela tem uma finalidade. Seria interessante discutir justiça distributivista com o povão sem que ele saia que tem direitos. A pseudo-social-democracia brasileira (PSDB) tentou isso e não consegue falar com a maioria da sociedade até hoje.
Abra um blog, seja feliz.
Abraço.
Há muitos anos atrás presenciei uma enorme manifestação de médicos, em Paris. Eles foram todos de uniforme branco e tomaram conta de um conhecido boulervard. Vocês podem imaginar médicos protestando no Brasil? E sabe qual era o motivo? O governo queria mudar o corresponde deles ao nosso INSS!
No Brasil, quem protesta é pobre e esquerdista. É isso que está no imaginário do povo. Além disso, me parece que aqui as marcas de distinção são muito importantes. Pode-se imaginar mulheres profissionais chegando do trablaho e limpando a casa? Não, ter empregada doméstica e fundamental, entre outras razões, para marcar a distinção frente àqueles que fazem trabalhos braçais.
Concordo com os leitores que dizem que temos muito que aprender com nossos vizinhos da Argentina, da Bolívia, do Peru, do Chile… Esses povos já tem uma aprendizagem maior de exercício da cidadania e da luta que isto implica.
Rosi,
Tem uma expressão francesa que diz que os franceses estão de acordo para sempre discordar!
Manifestar na França é a coisa mais natural do mundo! Tem até manifestação de crianças. Um exemplo, 31 de março teve uma manifestação de 200 crianças para denunciar a atitude do governo francês que decidiu de expulsar uma criança que estudava em uma escola francesa e que era de origem da Europa do Leste (Kosovo)!
Pois bem, as crianças entre 13 e 3 anos tomaram a iniciativa de sair na rua, colaram afixes, bandeiras na mão, gritando: “solidariedade” com essa criança, “nos temos vergonha de ser francês”! A reivindicação das crianças era a anulação da expulsão e uma estrutura de acolho para integração das crianças vindas de famílias estrangeras!
Foi muito impressionante ver isso! Porem, dar para ver a dimenção da coisa na França!
No Brasil existe também uma tradição ligada a manifestação popular e o direito a manifestar é subentendido na Constituição Brasileira! Não vou mais longe no argumentario sobre as grandes manifestações na história brasileira.
O exemplo mais recente é movimento “Diretas Já” que foi um movimento civil de reivindicação (1983-1984) que uniu os brasileiros en torno de uma reivindicação comum: as eleições presidências e assinou o fim da Ditadura Militar.
Prova necessária que sua afirmação segundo a qual “no Brasil, quem protesta é pobre e esquerdista. É isso que está no imaginário do povo” si ela é sincera, denota um pouco um complexo de consciencia de classe e esta muito longe da verdade…
Outra coisa, por ter uma história sociopolítica contextualizada e singularizada, discordo completamente com vc e os outros leitores que “dizem que temos muito que aprender com nossos vizinhos da Argentina, da Bolívia, do Peru, do Chile”!
Esse tipo de afirmação é contra produtivo e não vejo realmente nem por que e com que o Brasil teria que “aprender” com os nossos vizinhos!
O que vc faz da soberania e da autodeterminação do Brasil?
Caro Yuri Sevcenko,
Me expresso como sei e como posso!
Outra coisa, vc mostra um certo hebetismo quando me sugere de “abrir um blog”!
Ora, ora, saia de sua hebetação: o direito a expressão é um direito universal adquirido que reivindico sem complexo: não vejo então por que abriria um blog se existe milhares de blogues na net que me dão o direito de me expressar livremente!
Saiba que tem varias maneira de ser idiota!
Pelo visto escolheu aquela que é menos dolorosa: a intolerância!
Portanto quando se chama “Yuri Sevcenko” vc esta demonstrando SER aquilo que nunca deveria ser, não?
Tá vendo, é exatamente essa incapacidade de escrever de forma coloquial que atrapalha a vida de vocês, tucanos. Vocês não são ruins, apenas não conseguem vir ao nível dos resto de nós, mortais. Desce do pedestal, homem!
Qual é sua Yuri Sevcenko?
Se vc conhecesse melhor o Art. 5º da Constituição Brasileira viria que: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações (..)” não afirmaria tal asneira!
As palavras-chaves aqui são: “igualdade”, “liberdade” e indistinção de qualquer natureza relacional entre indivíduos!
Demostração que sua afirmação fundada em uma consciência individual e de classe é puro produto da sua percepção do mundo: se vc coloca barreiras entre vc e os “outros” quando afirma que “apenas não conseguem vir ao nível dos resto de nós, mortais. Desce do pedestal, homem” é um um problema!
Se vc que que não consegue se liberar destes velhos esquemas neo colonizadores, isso também é um outro problema!
Mas não projete suas incapacidades sobre os outros: isso é injusto e mal-honesto e os partidos políticos não são por nada nesta sua atitude!
Por que tucano não gosta de ser chamado de tucano? Durante o governo colaboracionista francês, também se usava discursos rasos para justificar o entreguismo…
Meu caro, todo rico é cúmplice ate que tenha provado o contrário em um pais de fanfe desigualdade como este. Pelo seu texto, você tema se provar a todo o instante. Que tal botar a mão na massa?
E porque os vagabundos fazendo protesto não fazem o tal protesto direito..??…
qual o impacto..? em interditar uma rua;..? nenhum.. somente o sujeito que é “um pouco menos pobre” que os tais miseraveis em situação horrivel, é que se ferram..
se é que me entende…. os veiculos de comunicação e os governos estão cagando e andando.
Incrível a falta de atenção das autoridades para estes assuntos locais, acredito que uma sociedade participativa deveria ser ouvida com maior atenção, já que, esta está a frente dos problemas da sua região.
Parabéns pelo texto.