Violência contra indígenas não é crime por aqui

17 Comentários »

A Polícia Militar do Distrito Federal retirou, na marra, indígenas que estavam acampados no gramado da Esplanada dos Ministérios, desde o início do ano, para protestar contra mudanças administrativas na Funai. Estes, por sua vez, reclamam do uso de violência, incluindo até spray de pimenta (ele, que é o grande amigo da participação popular…), na ação policial, ocorrida na manhã deste sábado (10).

A Funai soltou uma nota oficial dizendo que “após esgotadas as negociações para retirada voluntária dos remanescentes no acampamento indígena localizado na Esplanada dos Ministérios, a 6ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal decidiu pela retirada dos indígenas”. Segundo a fundação, as negociações haviam resultado na “retirada voluntária de 186 índios do local, lá remanescendo outros que não representam qualquer etnia”.

(Dúvida: se os indígenas não pertencem a nenhuma etnia, eles vieram de onde? São índios criados independentemente? Geração espontânea? Pasteur já havia provado que isso é impossível um tempinho atrás…)

Mas nada mais pertinente que uma expulsãozinha básica para comemorar o relatório divulgado oficialmente ontem (9) pelo Conselho Indigenista Missionário apresentando dados referentes às violações aos direitos dos povos indígenas em 2009. Assassinatos, ameaças, torturas, falta de assistência de saúde, expulsão de terras, além, é claro, do lento genocídio em curso contra os Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul, o povo mais vilipendiado, esquecido e violentado deste país. Dos 60 assassinatos de indígenas no ano passado, 33 foram no Estado.

Não vou dizer que as denúncias de uso de violência no Distrito Federal deveriam ser apuradas com rigor porque, no Brasil, violência contra indígenas é jogada para baixo do tapete da ignomínia e por lá deixada.


  1. Proftel disse:

    Por nada não mas….

    EU TRABALHO, pago impostos escorchantes como a maioria por aqui.

    Tanto os índios como os sem-terra, os sem-”onde morar” e coisa e tal já estão “pulando o corguinho” dá vontade de me juntar a eles, juro prôceis.

    Não há em nenhum lugar do mundo com almoço sem serviço, o infeliz precisa trabalhar prá comer e, pagar pela comida, é praxe no Capitalismo (que também distribui aos pobres -não tão pobres assim (os acima).

    Os indígenas – fato comprovado pela antropologia – migram. Quiçá que migrem entre Reserva e outra e parem de encher o saco.

    Outra coisa, policial mal pago “achaca”, bem pago bate e mata, pensem bem nisso antes de falar merda.

    A saída para o Brasil está na História, copiemos e implantemos uma “Era Meiji” por aqui (a merda é que não querem pagar salário digno aos professores – sou Professor concursado mas não sei o que é uma sala-de-aula a sete anos – sei bem do que estou falando).

    Se alguém quizer encarar o papo (difícil) sobre Educação eu topo e, darei porradas mil, podem crer (do Federal ao Estadual, municipal e até nas faculdades/universidades federais/estaduais onde já ministrei aula).

    Venham que a briga é boa.

    :-/

    • FDA disse:

      O Proftel pirou de vez!

      “Copiemos e implantemos uma “Era Meiji” propõe o leitor/comentarista!
      Queres ser guilhotinado também Proftel?

      Vc acha que membros de um povo que tratam alguém como “Japa fedido”, “povo nojento” vai entender o que é um “regime” dito “iluminado”?

      Acorda Proftel! Como dizia Nietzsche: tem que ser um oceano poderoso para receber um rio sujo e não se sujar, viu!

      O povo chama de “cultura” até corrida de burro contra jumento, caro confrade!

    • Gaudêncio disse:

      Ô… Proftel, tem alguma coisa errada neste seu comentário. Se você é mesmo acadêmico e sabichão em educação como diz, então você é (ou deveria ser) um humanista. Assim, você deve saber muito bem e muito melhor do que eu sobre comunidades tradicionais e etc.
      Outra coisa, a expressão “reaça” que fala seu interlocutor (ou seria interdigitador?) é coisa dos anos 60/70 do século passado, só falta ele falar também que “Coca-Cola é a água suja do capitalismo americano”… rs…
      Mas o que se discute aqui não é o fato de tirar os índios daquela praça pública, o que incomodou você… mas a violência organizada (organizadíssima!) contra o índio (ou ameríndio seria?).
      Você saiu do assunto. Foi de propósito?
      Está defendendo quem ou o que, o governo?
      Mas vamos lá:
      Um amigo indigenista ligado à Universidade Rural do Rio de Janeiro, esbraveja aos quatro cantos: “A política indigenista do Brasil é não ter política indigenista…” e por aí vai, com o que eu concordo.
      Na realidade, o que temos aqui:
      Um país que absolutamente não respeita seu povo indígena!
      Uma vergonha nacional!
      A história da praça é só um pinguinho d’água, o assunto é um oceano…

  2. Abulafia disse:

    Olha aí, FDA, o que diz o seu “confrade”!!!
    E vc diz que o “reaça” sou eu. kkkkk

    Abraço

    • FDA disse:

      Caro Abulafia,

      Sakamoto e o leitor/comentarista Proftel são acadêmicos e homens de campo, que falam com as suas respectivas experiencias de campo!

      Quer vc queira quer não, os professores são a esperança da Nação Brasileira!

      Para se convencer basta ler o post anterior do Sakamoto! O autor afirma que:“a esperança de São Paulo é que uma nova geração (..) consciente com relação ao meio ambiente e aos direitos sociais e civis (..) consiga emergir com força”!

      Acrescentaria, a esperança do Brasil esta nesta proposta-solução.

      No entanto, se vc ler os 738 comentários, veras que entre eles existe uma asserções de uma comentarista que diz o seguinte: “que (seus) filhos (nova geração) já ostentam orgulho em serem paulistanos”!

      Como muitos ostentam o orgulho de serem brasileiros!

      Mas atenção! Tem orgulho de serem brasileiros mesmo na exclusão ou na discrimação do “outro” brasileiro.

      Ou seja, do “Japa fedido”, do “Povo nojento”, das “classes C e B”, dos “nós outros”, ou seja, “todos os Brasileiros”, dos “INUTEIS E DESPRESIVEIS”, “os sem história, os destituídos de perspectivas próprias, os “alijados do progresso”, os “aproveitadores do progresso promovido pela locomotiva” paulistana, dos “nordestinos”, dos pertencentes a uma pretendida raça impura por oposição a uma “raça-pura”,etc.

      E, como vc pode constatar neste novo post do Sakamoto, na exclusão dos povos ameríndios!

      O que há de pior é de ler que a “violência contra” os povos ameríndios “não é crime”! Só falta o Brasil reabrir a “controvérsia de Valladolid”!

      Tai a realidade das estruturas mentais que enfrentam os “professores” e acadêmicos do Brasil de hoje!

      Compreendo a postura do Sakamoto e do Proftel pois fiz uma experiencia há dois anos de aceitar um convite para dirigir um ensinamento em uma Universidade Federal Brasileira!

      A experiencia so durou 15 dias: nunca mais, never again, JAMAIS!

      Portanto, para min. é normal de ler um post ou um comentário, que segundo sua visão das coisas, pode ser considerado como “reaça”!

      O que é anormal para mim é de ler um comentário onde um comentarista encontra nesta situação atual em que vive o Brasil, um objeto de ironia, de cinismo!

      O que é anormal para mim, Abulafia, é que um comentarista como vc, com as origens que vc tem, com os dramas históricos vivido pela sua civilização, aproveita da situação atual para descreditar instituições brasileiras como vc fez no seu pedido o “fim do Ministério do Trabalho”!

      Isso para mim é o fim da picada “reaça”….

      Abraços!

    • Abulafia disse:

      É, de fato, FDA, você tem razão. Aquela minha proposta não encontra ressonância nem no mais empedernido direitista. Perdoe-me o radicalismo inconsequente. Veja você que não recebi nenhum apoio, em um blog por vezes recheado de radicais.

      Somente quem paga salários e arca com os chamados encargos sociais sabe o que é isso, como é difícil. E, ao final do vínculo empregatício, não raro, ainda pode ser intimado pela justiça trabalhista, a responder a reclamações injustas. Digo isso mas nunca fui objeto de nenhuma ação, pois sempre cumpri a legislação.

      O problema é que a legislação que é aplicada para uma grande empresa é a mesma para a pequena. Esse é o drama.

      Aquela foi uma reação natural minha, que sofro as agruras da iniciativa privada, vendo um novo funcionário que, mal entrou no ministério do trabalho – uma sinecura – com um salário inicial (absurdo dos absurdos) de 13 mil por mês, já entrar reivindicando novos privilégios para a sua classe de privilegiados, que, trabalhando ou não, não precisam se preocupar com as contas ao final do mês.

      Abraço

    • Proftel disse:

      FDA:

      Grato!

      Olha, não é fácil sobreviver com aproximadamente 800 dólares por mês como professor aqui em Goiás (e olha que sou Geógrafo!).

      Foi mais um desabafo.

  3. Andre Silva disse:

    O orgulho que só inclui o conveniente ao orgulhoso.

    Desconhecer a nossa história propicia a impunidade contra os primeiros donos dessas terras.

    • Ciro Lauschner disse:

      Essa matéria não explica o que os indios estavam reinvindicando,
      não explica de onde eram. Não explica também se eram de longe quem os trouxe a Brasilia e com dinheiro de quem.Do contribuinte? Dos simpatizantes da causa indígena?0u de ” contribuição” internacional?
      Se estavam há tanto tempo, quem os sustentava? Nós, os pagadores de impostos?
      Eles não precisam trabalhar para sustentar suas famílias? A caça e a pesca e sua cultura foi esquecida enquanto reinvindicavam?
      Só depois de explicado tudo isso, podemos analizar se tiinham razão ou se foram expulsos com razão. Coisas que essa reportagem não diz.

  4. [...] This post was mentioned on Twitter by Alexandre Branco and others. Alexandre Branco said: RT @blogdosakamoto: Violência contra indígenas não é crime por aqui: http://is.gd/dnOh2 [...]

  5. Luiz Carlos disse:

    Acampar em praça pública é ilegal. Certamente, os ”ocupantes” da esplanada foram retirados por força de uma decisão judicial. A polícia cumpre a determinação da justiça e, se não o fizer comete crime.
    É bom lembrar que, Índios aculturados, já não se beneficiam mais da excludente criminal prevista em lei, estão, portanto, sujeitos à imposição legal exigida de todos os cidadãos.
    No cumprimento do dever legal, a polícia usa os meios necessários para a execução da ordem; se for necessário o uso da força, esta será usada. O que determina o grau de violência é a resistência imposta pelo infrator.
    Democracia não é sinônimo de anarquia.

    ”A primeira máxima de todo cidadão tem de ser a de obedecer as leis e costumes de seu país, e em todas as demais coisas governar-se segundo as opiniões mais moderadas e mais afastadas do excesso.” René Descartes

  6. Luiz Carlos disse:

    Os índios segundo o estatuto do índio, não são, nem absolutos e nem relativamente incapazes, conforme o CC. Mas há regras definidoras que são claras: ” Estatuto do Índio classifica os índios segundo seu grau de integração à sociedade:
    “I – Isolados- Quando vivem em grupos desconhecidos ou de que se possuem poucos e vagos informes através de contatos eventuais com elementos da comunhão nacional;
    II – Em vias de integração – Quando, em contato intermitente ou permanente com grupos estranhos, conservem menor ou maior parte das condições de sua vida nativa, mas aceitam algumas práticas e modos de existência comuns aos demais setores da comunhão nacional, da qual vão vez mais para o próprio sustento;
    III – INTEGRADOS:-QUANDO INCORPORADOS À COMUNHÃO NACIONAL E RECONHECIDOS NO PLENO EXERCÍCIO DOS DIREITOS CIVIS, AINDA QUE CONSERVEM USOS, COSTUMES E TRADIÇÕES CARACTERÍSTICOS DA SUA CULTURA”

    De acordo com o Inciso III, portanto, se gozam direitos da comunhão, o são também, sujeitos aos deveres para com esta.

  7. Gerci Monteiro de Freitas disse:

    Só digo uma coisa cadê o governo das minorias, hein?

  8. Lis disse:

    Tem uma coisa que eu não entendo: ser índio no Brasil dá direito de fazer o que bem entende?

    Minha mãe trabalhou pra FUNASA, junto da FUNAI, durante um tempo e te digo: nenhum funcionário queria ir até as aldeias como medo real de ser sequestrado no afã deles de fazer reivindicações. Alguns colegas de trabalho dela foram detidos em aldeias “para negociação”.

    Agora, me diga você (ou quem quiser): sequestro não é crime? Ameaça de morte por arma branca ou de fogo não é crime? Se eu pegar uma faca na minha cozinha e trancar meu síndico no meu apartamento “para negociar” eu não vou ser presa? Por que índio pode?

    É uma situação delicada separar os indígenas que ainda mantém sua cultura e que tentam manter suas tradições – e que merecem nosso respeito – dos que apenas se aproveitam da etnia para fazer o que bem entendem.

    Direitos e deveres iguais pra todos. Não é o que diz a constituição?

  9. geovana disse:

    a gente tem que ter responsabilidide nunca fazer isso com os indios

  10. carina disse:

    isso mesmo nunca faza isso

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