Se o frio mata até boi, imagine como estão os índios no MS

17 Comentários »

Mais de 2,7 mil bois morreram devido ao frio intenso no Mato Grosso do Sul na última semana, principalmente em áreas próximas à fronteira com o Paraguai. Bois magros e bezerros foram as principais vítimas das temperaturas perto de zero após experimentarem um calor de mais de 30 graus Celsius dias antes.

Pobres bois… Mas enquanto a morte do gado, que gerou prejuízos na casa dos milhões para os produtores do estado, ocupou manchetes, não vi o mesmo espaço ser dedicado à situação das populações indígenas ou trabalhadores rurais que acampam na beira da Estrada na espera pela terra. Um barraco de lona pode ser uma verdadeira geladeira nessas condições metereológicas.

Faço meu o questionamento de Egon Heck, do Conselho Indigenista Missionário: “Quando ligo a TV, vejo quase uma centena de gado que deixou de viver por hipotermia, ou seja, morreu de frio. No mesmo instante uma série de imagens começa me esquentar a mente. Como estarão os milhares de acampados embaixo da lona preta, índios e sem terra, por essas bandas de fronteira? Seu Farid, de Laranjeira Nhanderu, foi procurar uns pedaços de lenha molhada, difícil, pois jogados à beira da estrada estão proibidos de buscar lenha nas “propriedades”, fazendas da região. Talvez mal consigam aquecer o corpo, no meio do frio e da lama. Além do mais estão revoltados pela recente decisão do Tribunal Regional Federal, que negou o pedido de retornarem ao local donde foram expulsos. Lá ao menos estariam protegidos por árvores e teriam lenha para aquecer seus corpos. Uma outra pergunta me perturba.

Se nessa região, conforme afirmação do Kaiowá Anastácio, “um boi vale mais que uma criança e um pé de soja vale mais que um pé de cedro, e assim por diante”, certamente se bois morrem de frio, viram notícia, mas se algum índio, um indigente nas beiras de estrada ou calçadas da região, morrer de frio, será simplesmente uma morte, mas não uma notícia.”

Vale sempre lembrar que os guarani kaiowá do Mato Grosso do Sul enfrentam a pior situação entre os povos indígenas do Brasil, apresentando altos índices de suicídio e desnutrição infantil. O confinamento em pequenas parcelas de terra é uma das razões principais para a precária situação do povo, alijados de seus territórios tradicionais pela expansão do agronegócio. Sem alternativas, tornam-se alvos fáceis para os aliciadores de mão-de-obra e muitos acabaram como escravos em usinas de açúcar e álcool no Estado nos últimos anos.


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  2. Rodrigo Freitas disse:

    Revoltante esta situação, Sakamoto. Somos capazes de nos indignar por pés de laranjas derrubados, bois que morrem de frio, mas incapazes de reconhecer a luta dos oprimidos brasileiros. Seu texto foi capaz de dar um nó na garganta.
    E quais são as propostas dos candidatos para os povos tradicionais e para a reforma agrária? Quais candidatos a deputado estão dispostos a defender a causa indigena? Ao invés de parlamentares que defendam o ser humano, temos katia abreu que defende a terra com extensão indefinida, pois a ganancia vai além.
    Tenho na mente uma frase do livro “Rompendo as cercas” (que retrata a história do MST). “Quando um homem corta o primeiro arame farpado, ele não é mais o mesmo” (não ipsis literis, mas o sentido é este). Vai chegar o momento em que os excluídos experimentarão como é cortar a cerca. Assim esperamos…

    • Gerci Monteiro de Freitas disse:

      Rodrigo Freitas, devemos acelerar a reforma agrária, pois nos últimos anos o processo de reforma agrária arrefeceu, não sei porque. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso talvez tenha sido o presidente que mais trabalho fez nesse sentido, fazendo uma reforma agrária até certo ponto considerável. O Lula, apesar do discurso, não avançou nessa área, aí eu não sei porque.

  3. Gerci Monteiro de Freitas disse:

    Sakamoto, no caso dos índios concordo plenamente com você, agora, já os sem terras, bem, aí eu não tenho uma opinião bem formada sobre o assunto. Diria que tem muito sem terra realmente querendo um pedaço de terra, quanto aos demais, não creio que o real objetivo seja ter um pedaço de terra para poder produzir, aí eu acho que cabe mais o lado político da coisa, nós não somos bobo e sabemos que há um grande esquema político por trás disso. Você sabe e eu sei!

    • Rodrigo Freitas disse:

      Gerci, acho uma tremenda sacanagem o que fazem aos Sem Terra. Querem que todos os sem terras sejam honestos, bonzinhos e gente boa. Isso é irreal, isso é balela. Em todos os setores da sociedade (igreja, senado, prefeitura, peladinha de futebol, televisão e qualquer outro setor) existem pessoas ruins e pessoas boas. Porque no MST todo mundo tem que ser honesto?

      E a reforma agrária não significa tirar terra de quase ninguém, mas apenas de uns poucos que usurpam a terra sem nada fazer.

    • Felipe disse:

      Então deixa morrer só pq é MST né? uaehaeuhae Patético

    • Gerci Monteiro de Freitas disse:

      Rodrigo, concordo com você e é por isso que proponho uma reforma agrária de verdeda e não apenas falácias.

    • Marcos disse:

      É claro que existe gente honesta no MST, mas a liderança é formada inteiramente por comunistões safados que usam os poucos que são honestos (afinal, todos sabem que invasão é crime) como massa de manobra.

  4. gabriel disse:

    Sakamoto, não tem a ver com seu texto atual, mas eu queria lhe sugerir (não sei se você já viu) o excelente texto do mestre Ab’Saber sobre o novo Código Florestal:

    http://revistaforum.tempsite.ws/noticias/2010/07/20/do_codigo_florestal_para_o_codigo_da_biodiversidade/

  5. Ciro Lauschner disse:

    Passar frio, assim como fome são coisas horriveis.
    Acho que os índios do Mato Grosso do Sul, por morarem na região há centenas de anos certamente tem suas maneiras de se defenderam do frio. Caso não tenham, o CIMI que alega ser o grande defensor dos índios, no minimo poderia fazer uma campanha de agasalho ou a FUNAI providenciar alguma proteção.
    Quanto ao sem terra, acho que a liderança do movimento tão esperta em arrumar recursos para invadir propriedades, com certeza acharia um meio de não causar tanto sofrimento aos seus afilhados se assim o quisessem.
    E aproveitar a deixa para atacar os agricultores na suposição de que o progresso deles estaria trazendo a desgraça alheia é nada mais do que discurso ideológico, merecedor de uma análise mais inteligente.

  6. José Carlos disse:

    Ou o Sakamoto se faz de besta ou ele é a própria.

  7. FDA disse:

    Falando sério, Sakamoto,

    Que pais é esse onde “um boi vale mais que uma criança e um pé de soja vale mais que um pé de cedro, e assim por diante” (Kaiowá Anastácio)?

    Concordo com os “milhares de acampados”, com as populações indígenas, com o leitor/comentarista Rodrigo Freitas: a situação é “revoltante”!

    Revoltante de constatar que as populações indígenas e trabalhadores rurais sofrem de frio na indiferencia completa de milhões de brasileiros e das mídias de comunicação!

    Revoltante de saber que o governo brasileiro não coordenou nenhum plano de Ação, um programa de planejamento e de intervenção visando a proteger essa parte da população brasileira contra as variações climáticas!

    Revoltante de saber que a pobreza, a desigualdade e a exclusão social continuam fazendo misérias na população brasileira!

    Revoltante de saber que no ambiente democrático das eleições presidências, os candidatos a presidência não tenham manifestado nenhum interesse pela situação vivida pelos povos indígenas e trabalhadores rurais!

    Revoltante que os candidatos não façam nenhuma proposta que permitiria ao país de avançar nas políticas socio-alternativas visando a tomar em consideração os problemas enfrentados pela população indígenas como a “desnutrição infantil”, a “precariedade”, da “expansão do agronegócio” nas terras tradicionais indígenas.

    Dai a questão de saber se “Nos” brasileiros, somos humanamente sensíveis?

    Atenção compatriotas: a revolta é próxima do desespero! E quando a revolta chega ao ápice do desespero, a revolta é mobilizadora.

    E quando ela torna-se mobilizadora, a revolta é um perigo!

    A revolta pode revolucionar uma NAÇÃO!

    • Proftel disse:

      FDA:

      Já falei aí prá cima e d’outras vezes coisa parecida mas, especificamente sobre a violência.

      Verá você um dia em que, a população invadirá a porretes grandes penitenciárias, não sairá de lá um vivo.

      É só botar alguns políticos dentro que a coisa entorna. kkk.

      Estou dizendo isso a ano e meio, ninguém se toca kkkk.

      Quanto ao posto do sakamuito, seguinte:

      O gado não é nativo os índios sim.

      O gado morrer de frio, que se lixe.

      Os índios migravam hoje não mais (foram fixados nos moldes gringos em territórios).

      Por mim, se fosse “cacique” d’uma tribo brigaria por “trocas federais” a saber:

      “Sou d’uma reserva indígena Guaraní, divisa do Brasil com Paraguai, troco um pedaço igual da minha reserva lá no Paraná pelo Parque Estadual da Serra do Mar em, tal lugar, de igual tamanho na troca. No verão a minha tribo vai prá lá pegar marisco, no inverno a gente volta pra divisa que é mais quente, sempre fizemos isso até vocês chegarem em 1.470 em Cananeia”.

      Sei que não é assim, os poucos “Tupis” do litoral paulista não topam os Guaranis que falam espanhol e teimam em plantar trigo/tocar flauta doce. kkk mas, a idéia do parágrafo acima serviria pra alguma coisa visando amenizar o frio da turma né?.

      hehe.

  8. Nival Júnior disse:

    Desde quando índio precisa de cobertor?

    • Gerci Monteiro de Freitas disse:

      Nival Junior,

      Se estão acampados na beira da estrada é porque a muito tempo perderam parte de suas raízes, já não são como antes e obviamente precisam de ajuda, um cobertor com certeza.

  9. Marcos disse:

    E, por acaso, não fazia frio antes de 1500? Os índios fazem hoje, no frio, o que faziam há 500 anos. Sei lá o que é, mas têm seus métodos.

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