Um homem de 47 anos foi espancado até a morte em Olinda (PE), na noite de sexta (3), por moradores que o confundiram com um suspeito de estupro. De acordo com a Polícia Civil, a vítima dormia em um terreno baldio quando foi linchado. Ele chegou a ser levado para o hospital, mas não resistiu.
Já tratei do tema neste blog, mas vou voltar a falar sobre o assunto toda a vez que uma turba idiota resolver fazer justiça com suas próprias mãos linchando alguém, ignorando o pacto que os membros da sociedade fizeram entre si para poderem conviver minimamente em harmonia. Abrimos mão de resolver as coisas por nós mesmos para impedir que nos devoremos. O sistema não é perfeito, longe disso, mas – no curto prazo, enquanto não temos consciência para podermos nos autogerir – a melhor saída é fazê-lo funcionar.
A vítima não teve direito à defesa ou à recurso. Foi julgado e executado pela estupidez humana. Se com o devido processo legal, inocentes amargam anos de cadeia devido a erros, imagine sem ele?
O Brasil não tem pena de morte. Oficialmente, é claro. Porque muitos governos e suas polícias fingem que não sabem disso. E, não raro, turbas tratam de agir.
Em 2010, um outro homem foi espancado até a morte e teve a casa incendiada e o bar destruído após ser acusado de ter sido o responsável pela morte de uma adolescente em Marília (SP). A investigação, contudo, mostrava que a jovem poderia ter morrido por outro motivo. A turba idiota não quis saber e rolou, ladeira abaixo, uma bola de neve de rumores, fofocas e maldizeres, decidindo que ele era culpado. Ao final, questionado pela barbárie, um dos participantes da loucura declarou: “Se a gente fez, ele deve. Alguma coisa ele deve”.
E quando a massa decide ou é levada a crer sobre algo, mudar a posição é difícil – mais difícil que formá-la. Se a decisão é simples e plausível, melhor ainda. Por que imaginar que a vida real é complexa se as novelas nos ensinam a simplificar?
(“Levada a crer” porque nós, jornalistas, temos uma parcela grande de responsabilidade nisso. Sob a justificativa de estarmos prestando um serviço de informação à sociedade, muitas vezes incitamos a massa contra um suspeito ou um flagrante culpado de algo – principalmente quando somos sugados pelo círculo vicioso da busca pela audiência. Há jornalistas bons nesse negócio de destruir reputações e dar matéria-prima para incendiar a massa, mesmo sem querer. Afinal de contas, quantas vezes temos paciência e competência para checar informações antes de distribuí-las, seja nos veículos tradicionais, nos alternativos, nas redes sociais? Ou pensar nas consequências de nossos atos?)
Adoraria discordar de Oscar Wilde. Mas, nesse caso, ele cai como uma luva: “Há três tipos de déspotas. Aquele que tiraniza o corpo, aquele que tiraniza a alma e o que tiraniza, ao mesmo tempo, o corpo e a alma. O primeiro é chamado de príncipe, o segundo de papa e o terceiro de povo”.
De vez em quando, não sei de quem tenho mais medo. Da polícia, dos bandidos ou de nós mesmos.
O que me lembra o genial Monty Python, em “A Busca do Cálice Sagrado”:
Estudo divulgado nos Estados Unidos mostrou que a malária matou quase o dobro (1,2 milhão de pessoas) do que o total apontado no relatório da Organização Mundial da Saúde (655 mil) para o ano de 2010 em todo o mundo. Pesquisa do Institute for Health Metrics and Evaluation da Universidade de Washington, divulgado na revista Lancet, aponta que as estatísticas das Nações Unidas não consideraram a maior parte das 78 mil crianças e jovens entre 5 e 14 anos e das 445 mil pessoas com mais de 15 anos mortas por este motivo em 2010 – a maioria no continente africano. Eles também utilizaram como fonte de informação relatórios verbais de autópsias, que não são levados em conta pela OMS.
Diante disso, os coordenadores do estudo consideram que a erradicação da doença será mais difícil do que o imaginado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a doença é endêmica em mais de 100 países, na quase totalidade, regiões pobres do planeta, e pode atingir centenas de milhões de pessoas.
Como já disse aqui, acompanho com interesse notícias sobre a maleita desde que peguei a dita duas vezes em reportagens no Timor Leste e em Angola. Sorte que tive acesso a médicos, diagnósticos, remédios e tudo o mais. Mas e a maioria da população, que não tem esses recursos e é obrigada a esperar por tratamento nem sempre à mão, nem sempre rápido? Ou, pior, que não tem, ao menos, informação.
O financiamento contra malária foi de US$ 1,7 bilhão, em 2010, e US$ 2 bilhões, em 2011. Em dezembro passado, a OMS informou que o número de casos caiu drasticamente devido a recursos financeiros que permitiram acesso a prevenção e tratamento. Mas ainda é pouco. A organização estima que se fossem aportados, por ano, algo entre US$ 5 bi e US$ 6 bi, poderíamos zerar as mortes pela doença.
O Brasil tem desenvolvido importantíssimas pesquisas nesse assunto e é referência no tema. Globalmente, contudo, seguimos na velocidade de investimento de pesquisa de doença de pobre (não é câncer, que também afeta a ricos, por exemplo). O mais triste é que não está se pedindo tanto assim. Tanto do ponto de vista de prevenção (os baratos mosquiteiros, por exemplo), quanto para tratamento e informação à sociedade.
Chocado? Mas por que? Não é novidade para ninguém que parte irrisória da população mundial tem acesso à boa saúde, da prevenção ao tratamento, enquanto a gigantesca xepa acostumou-se a esperar – em filas de hospitais, sonhando com remédios inacessíveis, convivendo com a falta de saneamento e a inexistência de ações preventivas.
Os mais pobres, por mais que tenham força de vontade e queiram continuar vivendo, não necessariamente conseguem a façanha de esticar a corda. Vão apenas sobrevivendo, apesar de tudo e de todos, ajudando com seu trabalho e, algumas vezes, como cobaias de indústrias farmacêuticas, os que ganharam na loteria da vida a terem uma existência mais feliz.
O Brasil pode até ser um país que defende a paz no cenário internacional. Mas não deixa de ganhar um bom dinheiro com a venda de armas a outros Estados, principalmente armas leves – aquelas que podem ser carregadas por uma pessoa, como revólveres, pistolas, rifles e fuzis. O foco do comércio tem sido a Ásia e a África, onde se encontram graves conflitos armados em curso.
O jornalista Daniel Santini, editor da Repórter Brasil, desenvolveu uma extensa pesquisa sobre a produção e exportação de armas leves brasileiras, fruto de uma pós-graduação em jornalismo internacional. O estudo deve ser publicado em livro neste ano, mas pedi a ele um texto para o blog. Segue o texto:
A produção nacional de armas leves disparou no final da última década. De 2005 a 2010, as indústrias venderam 8.822.720 milhões de unidades, praticamente metade no Brasil (4.339.846) e metade no exterior (4.482.874).
Só no mercado interno, as vendas anuais chegaram a mais do que dobrar no período. O número de peças comercializadas no país saltou de 469.097 em 2005, para 831.616 em 2010, incluindo um pico de 1.001.549 em 2009, de acordo com levantamento feito pelo Exército a pedido da reportagem. O valor das exportações também cresceu significativamente. De US$ 109, 6 milhões em 2005, o valor movimentado pelas vendas passou para US$ 293 milhões em 2011, com um pico de US$ 321,6 milhões em 2010, de acordo com dados Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Não há dados referentes à evolução da venda de armas ano a ano no exterior, apenas o total de armas comercializado no período.
Os números sobre a produção nacional são inéditos e fazem parte de uma série especial de reportagens da Agência Pública, baseados no estudo que realizei, da qual participaram também as repórteres Natalia Viana e Jessica Mota. Os textos completos podem ser acessados a partir deste link. Trata-se da primeira vez que dados referentes à venda de armas leves foram divulgados por órgãos governamentais. O setor é marcado pela falta de transparência e as indústrias relutam em repassar dados sobre a produção alegando preocupação com segurança.
A fabricação disparou nos últimos anos muito em função de incentivos previstos na Estratégia Nacional de Defesa, promulgada em 2008, e que determinou, entre outras medidas, a criação de linhas de crédito especial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. O principal conjunto de diretrizes das Forças Armadas determina que o governo incentive exportações e ajude na conquista de novos mercados. Tal política teve início com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi mantida na gestão da presidente Dilma Rousseff.
Mesmo com a substituição de Nelson Jobim por Celso Amorim no Ministério da Defesa, o apoio à expansão da produção e exportação de armas foi mantido e até ampliado. Em 30 de setembro do ano passado, o Governo Federal anunciou a Medida Provisória 544, que prevê regime especial de tributação e novos incentivos. Com apoio do governo, as perspectivas de ganhos são tão altas que até grupos empresariais sem tradição na área criaram linhas de “defesa” para produção de armas, tais como a Odebrecht. A Embraer, que já produz equipamentos militares, aumentou seus investimentos, desenvolvendo o departamento de defesa e associando-se a empresas estrangeiras. O peso desses gigantes pode alterar a configuração do setor, com a instalação de mais fábricas para a produção de armas pesadas, tais como mísseis, submarinos e aviões de combate.
África e Ásia – Por enquanto, é na venda de armas leves que o Brasil se destaca. O país é considerado o quarto maior exportador do planeta e as indústrias brasileiras traçam metas de conquistar novos mercados e, desta forma, seguir expandindo as linhas de montagem. Reunidos no Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria de Defesa (Comdefesa), organizado pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), os industriais organizaram um Grupo de Trabalho de Exportação, que estabeleceu em reunião realizada em fevereiro de 2009 que a prioridade devem ser “países que realmente tenham condições de negociar com as indústrias do setor de defesa brasileiras sem apresentar restrições, exigências, ou mesmo sofrerem imposições de organismos aos quais fazem parte”.
A relação original feita pelos fabricantes de armas de países com mercados a serem conquistados incluía Bahrein, Líbia e Somália. O Ministério das Relações Exteriores, no entanto, fez restrições a alguns nomes e, na relação final, apresentada em março de 2009, foi determinado que, com apoio do governo, as indústrias tentariam conquistar (como aparece na lista): “Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Venezuela, Equador, Peru e México, na América Latina; África do Sul, Angola, Namíbia, Tunísia e Zimbábue, na África; Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kuwait, Marrocos, Oman, Qatar, no Oriente Médio (sic); Indonésia, Malásia, Paquistão, Sri Lanka e Tailândia, no Extremo Oriente”.
Tal política traçada em 2009 têm tido continuidade, conforme explicou Jorge Py Velloso, vice-presidente da Taurus, principal indústria do setor, durante a entrega do 39º Prêmio de Exportação da Associação dos Dirigentes de Marketing e Vendas do Brasil (ADVB/RS) no ano passado. “O mercado americano continua estável, com previsão de estabilidade pelos próximos três anos. O mercado global, principalmente na África, está crescendo; na Ásia também, e nós estamos procurando abrir mercado”, declarou.
Entre os alvos da indústria de armas nacional estão países como o Zimbábue, que tem pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo, e campeões de violações de direitos humanos como a Arábia Saudita, cujo governo, segundo o último relatório da Anistia Internacional, tem reprimido e torturado sistematicamente cidadãos que fazem qualquer tipo de oposição.
A responsabilidade dos governos que financiam a produção e exportação de revólveres, pistolas e fuzis para países pobres tem sido tema de debate de alguns dos principais acadêmicos do planeta, e avançam as negociações para a construção de mecanismos internacionais para restringir e controlar o envio de armas para tais regiões. O que a indústria nacional pensa a respeito? Com a palavra, Jairo Cândido, presidente do Comdefesa, da Fiesp, em entrevista ao autor:
“Você não vai ter organizações mundiais cuidando do mercado. Cada nação é soberana. Seu povo merece respeito e tem o direito da sua autodeterminação. Tenha lá um ditador sanguinário ou não, o povo merece”.
Atualizado às 9h30 do dia 02/02/2012. A informação sobre a Embraer, que ficou incorreta por erro de edição, foi corrigida. Obrigado aos leitores pelo alerta.
Quatro pessoas morreram devido à liberação de um gás tóxico em um curtume da indústria de alimentos Marfrig em Bataguassu (MS). Dos 16 que foram hospitalizados com intoxição, três permaneciam internados até a manhã desta quarta (1). O Corpo de Bombeiros informou que o acidente ocorreu durante o descarregamento de um composto à base de sulfidrato de sódio, usado para despelar o couro.
Quem trabalha em um frigorífico se depara com uma série de riscos que a maior parte das pessoas sequer imagina. Procuradores do Trabalho ouvidos por este blog consideram o trabalho em indústrias de processamento de carne e derivados uma das atividades mais insalubres hoje no país. Em contraste com isso, o setor de exportação de carnes vai de vento em popa. De acordo com o ranking de maiores empresas exportadoras da Análise Editorial, Brasil Foods, JBS e Marfrig/Seara estão entre os 20 maiores exportadores brasileiros. Dados de 2010 mostram que país exporta US$ 6,4 bilhões em aves, US$ 4,8 bi em carne bovina, US$ 1,8 bi em couro, US$ 1,3 bi em carne suína e US$ 659 milhões em bovinos vivos.
As quatro mortes são novas, mas não foram as primeiras. Vamos a um breve histórico.
Em outra unidade do Marfrig no Mato Grosso do Sul, em Porto Murtinho, o faqueiro Valdecir Elias da Cruz foi atingido por 20 barras de ferro de 6,5 metros de comprimento e 35 quilos cada. Ele ajudava na manutenção das instalações do frigorífico. De acordo com o Ministério Público do Trabalho, naquele momento, só havia um ginecologista à sua disposição.
Os pesados canos atingiram Valdecir, que estava numa pequena carreta junto com o material, após o desequilíbrio provocado pelo afundamento dos pneus do trator que puxava a carga em solo arenoso. Para o MPT, o acidente era “previsível”. Para completar, quando o poder público foi verificar a ficha do trabalhador, descobriu que a Marfrig estava exigindo atestado de antecedentes criminais para contratação, o que é ilegal. O procurador do Trabalho Heiler Natali afirmou que empregados do frigorífico também vinham sendo induzidos a assinar advertências em branco para utilização em casos de faltas, atitude que pode ser caracterizada como assédio moral.
Em fevereiro de 2008, o mecânico Cláudio Freitas Cruz, casado e pai de uma menina de dois anos, trabalhava na solda de um corrimão na então unidade de Alta Floresta (MT), do frigorífico Quatro Marcos. Recebeu um choque elétrico enquanto manuseava o equipamento e sofreu uma queda fatal. Ele estava sem luvas, capacete e cinto de segurança, equipamentos de proteção individual que devem ser fornecidos obrigatoriamente pela empresa. A necropsia apontou que o choque não foi a causa da morte e sim a queda do local onde estava. Se tivesse o equipamento não teria caído e quebrado o pescoço. Segundo testemunhas ouvidas na época, Cláudio reclamava sempre que a empresa não disponibilizava equipamentos de proteção sob a justificativa de contingenciamento de gastos.
O procurador do Trabalho Rafael Gomes participou de uma inspeção, juntamente com auditores fiscais do trabalho, dias depois do ocorrido e flagrou a falta de EPIs, ausência de proteção para os níveis excessivos de ruído e mau cheiro no setor de graxaria – em que os resíduos de bovinos são processados. Foram registrados casos em que trabalhadores cumpriram 10 horas extras num só dia. Ironicamente, Cláudio havia sido eleito representante da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) e morreu um dia antes de tomar posse.
Em 2007, o juiz do Trabalho João Humberto Cesário chegou a interditar a unidade de Vila Rica (MT) do Quatro Marcos por causa de um vazamento de gás, em que pelo menos 14 pessoas foram intoxicadas. Segundo o Ministério Público do Trabalho, esse já tinha sido o quarto acidente com gás ocorrido somente naquele ano. As pessoas que inalaram o produto apresentaram sintomas como vômito, desmaios, dormência em várias partes do corpo, dificuldade de respiração e fraqueza, mas não tiveram sequelas.
Já naquela época, em sua decisão, o juiz João Humberto classificou como “estarrecedora” a notícia de que os mesmos acidentes vinham se repetindo: “nenhuma pessoa de bom senso poderá defender que bens sublimes como a saúde, a integridade física e a vida dos trabalhadores continuem a ser sistematicamente desprezados pelo requerido, como se os seus empregados se equiparassem aos bovinos diariamente sacrificados no frigorífico em que trabalham”.
Por fim, há também um dano silencioso, mas que se faz presente com muita dor. Pois, por mais que a exposição a instrumentos cortantes, gases e a um ambiente de trabalho inseguro sejam a parte gritante do problema, a realização de movimentos repetitivos – que podem gerar graves lesões e doenças – e a pressão psicológica para dar conta do intenso ritmo de produção é o que vêm inutilizando mais trabalhadores e gerando mais dor. Os depoimentos, abaixo foram tirados do documentário “Carne, Osso” sobre a situação trabalhista nos frigoríficos, que ajudei a produzir:
“Cerca de 80% do público atendido aqui na região é de frigoríficos. O trabalhador adoece e vem pro INSS. Ele não consegue retornar, fica aqui. E as empresas vão contratando outras pessoas. Então já se criou um círculo que, agora, para desfazer, não é tão rápido e fácil” – Juliana Varandas, terapeuta ocupacional do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) de Chapecó (SC).
“A gente começou desossando três coxas e meia. Depois, nos 11 anos que eu fique lá, cada vez eles exigiam mais. Quando saí, eu já desossava sete coxas por minuto” – Valdirene Gonçalves da Silva, ex-funcionária de frigorífico.
“Tu não tem liberdade pra tu ir no banheiro. Tu não pode ir sem pedir ordem pro supervisor teu, pro encarregado teu. Isso aí é cruel lá dentro. Tanto que tem gente que até louco fica” – Adelar Putton, ex-funcionário de frigorífico.
“O trabalho é o local em que o empregado vai encontrar a vida, não é o local para encontrar a morte, doenças e mutilações. E isso no Brasil, infelizmente, continua sendo uma questão séria” – Sebastião Geraldo de Oliveira, desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região.
“Esse é um problema de interesse do conjunto da sociedade, não é só de um setor. O Estado tem que se posicionar. Não se pode fazer de forma tão impune ações que levam ao adoecimento e à incapacidade tantos trabalhadores” – Maria das Graças Hoefel, médica e pesquisadora.
“Basicamente, é conscientizar essas empresas para reprojetar essas tarefas. Introduzir pausas, para que exista uma recomposição dos tecidos dos membros superiores, da coluna. Em algumas vai ter que ter diminuição de ritmo de produção. Nós estamos hoje chegando só no diagnóstico do setor. Mas as empresas ainda refratárias a esse diagnóstico” – Paulo Cervo, auditor fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego.
A Brasil Foods foi multada em R$ 4,7 milhões por descumprir decisão judicial que a obrigava a conceder pausas para recuperação de seus empregados em Capinzal (SC). O procurador do Trabalho Sandro Sardá afirmou que a empresa investiu cerca de R$ 50 milhões em automação de seus processos industriais na unidade mas “os empregados continuam submetidos a um ritmo de trabalho intenso e incompatível com a saúde física e mental, com a realização de 70 a 120 movimentos por minuto, quando estudos apontam que o limite de 30 a 35 movimentos por minuto não deve ser excedido”.
De acordo com o MPT, estudos realizados pelo Programa de Reabilitação Ampliado da própria BRF Brasil Foods, em outra unidade, a de Videira, mostram que 68,1% dos empregados do setor de aves e 65,31% do setor de suínos sentem dores causados pelo trabalho; 70,89% dos postos precisam de intervenção ergonômicas no setor de aves e 95,5% no de suínos; 30,24% dos empregados manifestaram dormir mal no setor de aves e 33,18% no setor de suínos. E, o mais alarmante: 12,26% dos empregados informaram que, alguma vez, pensaram em acabar com a sua vida no setor de aves e 13,46% no setor de suínos.
A Marfrig, dona da Seara, e palco de onde ocorreu a intoxicação de gás desta terça disputa com a JBS Friboi o posto de maior empresa processadora de proteína animal do planeta. Ela foi multada em R$ 1 milhão pela Polícia Militar Ambiental pelo ocorrido, que ainda será investigado.
A única certeza que já se tira do episódio é de que o Brasil tornou-se referência global na produção de carne, mas não está conseguindo garantir segurança e qualidade de vida a quem torna isso possível, lá na base.
As quatro mortes são novas, mas não foram as primeiras. E, pelo visto, nem serão as últimas.
Dilma Rousseff teve uma reunião de portas fechadas com movimentos e organizações sociais durante o Fórum Social, em Porto Alegre (RS). A Repórter Brasil teve acesso ao áudio do encontro e este blog reproduz, abaixo, trechos de sua participação na conversa. É claro que os presentes a questionaram com relação ao novo Código Florestal, aprovado no Congresso Nacional e que tem sido alvo de críticas de cientistas e parte da sociedade civil por flexibilizar a legislação de proteção ambiental, uma vez que a principal temática do Fórum foi o desenvolvimento sustentável.
Diante das reclamações, ela defendeu uma solução de consenso: “Não será, adianto pra vocês aqui, o sonho dos ruralistas. Não será também um código ambiental perfeito. Tem ruralista e tem ruralista, como tem pequeno agricultor que tem horror ao Código Florestal. Principalmente no nosso Sul Maravilha. No Sul Maravilha, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde tem o maior número de agricultores familiares, há um movimento forte pra impedir que tenhamos reserva legal em uma pequena propriedade. Vocês sabem disso. Nós vamos ter clareza disso”.
Na conversa, Dilma afirmou que “num país desigual como esse, você tem que crescer a mais para poder distribuir renda”. Retoma, dessa forma, a fórmula econômica de Delfim Netto, ministro do Planejamento do general João Batista Figueiredo, de “fazer o bolo crescer para depois dividi-lo”. Esse modelo foi exaustivamente alvejado pelo Partido dos Trabalhadores quando não estava no poder, mas as críticas foram deixadas de lado com o passar dos anos. Em 2004, o então ministro do Planejamento do primeiro governo Lula, o atual ministro da Fazenda Guido Mantega também afirmou algo parecido: “Precisamos, primeiro, conseguir essas taxas de crescimento e, segundo, adotar um estilo de crescimento que distribua essa riqueza” – referindo-se às taxas de crescimento da Índia.
Abaixo, outros destaques da conversa de Dilma com os movimentos e organizações sociais, obtidas pela jornalista Verena Glass, da Repórter Brasil. Para ler a íntegra da transcrição, clique aqui.
Rio + 20 - “Eu considero essencial na Rio + 20 discutir um outro paradigma nos seguintes termos: eu não acredito que dê pra ser dentro do Fórum governamental um outro paradigma anti-capitalista. Não dura cinco segundos. (…) Então vocês discutam os novos paradigmas, se vocês quiserem, anti-capitalistas. Agora, nenhum país fará isso. Nenhum país. Nem-um-único! Porque não pode fazer isso. Não pode porque nós temos uma coisa terrível: todos os governantes temos o compromisso de entregar a coisa amanhã. Não é daqui há 10 anos. O meu governo tem que entregar amanhã, tem que ter eficiência sim. (…) Hoje, quando nós conseguimos constituir uma nova classe média, nós temos obrigação de ser eficiente. E não é tecnocrata, é política”.
Projeto de governo - “Eu queria dizer pra vocês que eu represento um projeto que está sendo levado a cabo desde a eleição do presidente Lula. Este é um projeto que tem alguns desafios e uma grande missão, que é ter um país em que a desigualdade social não seja tão avassaladora como foi desde a sua formação. (…) Essa é uma ambição que explica um pouco o que é a nossa diferença em relação a visões que vocês e a ONU chamam de economia verde. Pra nós não há possibilidade de desenvolvimento sustentável sem redução da desigualdade social. (…) Num país desigual como esse, você tem que crescer a mais para poder distribuir renda. Porque senhores, nós tratamos de questões práticas. Eu tenho que distribuir renda. Tem 190 milhões [de pessoas] que nós não podemos deixar na situação que estão. (…) Trata-se de fazer, de fato, com que este país tenha capacidade de ter um nível de desenvolvimento que lhe permita distribuir riqueza”.
Reforma agrária - “Eu concordo com o [João Pedro] Stedile [coordenador nacional do MST] que é necessário a gente retomar a reforma agrária num ritmo eficaz. Agora, Stedile, eu quero te dizer uma coisa: eu não vou aceitar que o nível dos assentamentos seja o que é. Quando nós tratarmos do Brasil sem Miséria, eu quero assentamentos decentes neste país. (…) Eu quero produtores, eu quero pessoas vivendo da sua renda. Porque nós sabemos que nós temos, da época do neoliberalismo, uma reforma agrária que deixa extremamente a desejar”.
Mudanças climáticas - “Eu queria dizer pra vocês o seguinte: esse país foi um dos poucos que foi sério na questão da mudança do clima. Eu estive me Copenhague, eu sei como era a discussão entre os Estados. Se a China não está comprometida com tanto, bastiões da defesa ambiental não fazem reduções de 30% da emissão de gases de efeito estufa. Fazem 20%, senão perdem competitividade. Nós assumimos a redução voluntária de 36 a 39%. Nós somos um dos poucos países que não tem matriz energética fóssil. Todos eles [países desenvolvidos] têm problemas. Vendem aos países africanos, por exemplo, que é importante ter energia solar. Energia solar é caríssima. Fazer isso num país africano é crime. Vendem porque suas empresas controlam a energia solar ou eólica, quando alguns deles podem perfeitamente explorar a hidroeletricidade”.
Também estiverem presentes acadêmicos como os sociólogos Boaventura dos Santos Souza, Edgardo Lander e Lílian Celiberti. Eles reclamaram de um suposto neocolonialismo na política externa brasileira e de uma suposta tendência de volta ao neoliberalismo na política interna.
Fico assustado com a quantidade de informação mal checada e precipitada que circula pelas redes sociais, principalmente em momentos de grande comoção. Fofoca sempre existiu, mas agora é transmitida em massa por conta das novas tecnologias da comunicação. As redes sociais, principalmente o Twitter, são plataformas que estão mudando o modo como nos comunicamos e fazemos fluir informação pela sociedade, alterando – consequentemente – as estruturas tradicionais de poder. Mas se elas ajudam a formar, também desinformam.
Com a ajuda de alguns colegas jornalistas, fizemos uma breve lista com dez conselhos para quem assume a função de distribuir notícias nas redes sociais. Alguns podem nos achar malas sem alça, outros bradarem que estamos fazendo o jogo de X ou de Y com essas regrinhas que tolhem a liberdade. Bem, prefiro acreditar que uma informação errônea ao ser divulgada pode causar um impacto negativo contrário maior do que sua intenção. Ou pior, com o tempo, a credibilidade de quem divulga sem checar tende a ir para o ralo. Como já disse aqui anteriormente, acredito piamente que um diploma não faz um jornalista, mas sim o comprometimento e a ética que a pessoa assume ao exercer essa função.
Os Dez Mandamentos para Jornalista nas Redes Sociais
1) Não tuitarás notícia sem antes checar a informação.
2) Não divulgarás notícias relevantes sem atribuir a elas fontes primárias de informação.
3) Tuítes “apócrifos”, sem fonte, jamais serão aceitos como instrumento de checagem ou comprovação.
4) Não esquecerás que informação precede opinião.
5) Não matarás – sem antes checar o óbito.
6) Lembrarás que mais vale um tuíte atrasado e bem checado que um tuíte rápido e mal apurado. E que um número grande de retuítes não garante credibilidade.
7) Serás assertivo apenas naquilo que tens certeza do que diz.
8 ) Não se esquecerás da apuração in loco, por telefone e/ou por e-mail.
9) Não terás pudores de reconhecer, rapidamente e sem poréns, o erro em caso de divulgação ou encaminhamento de informação incorreta.
10) Na dúvida, não retuitarás. Pois, tu és responsável por aquilo que repassas. Ou seja, se der merda, você é culpado.
Porto Alegre – Durante o debate “Com trabalho escravo, não há desenvolvimento sustentável”, realizado na tarde deste sábado (28), no Fórum Social, Maria do Rosário, ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, informou que a prioridade legislativa para o governo federal em direitos humanos, neste ano, é a aprovação da proposta de emenda constitucional que prevê o confisco de propriedades em que trabalho escravo for encontrado (PEC 438/2001) e as destina para a reforma agrária.
Aprovada em dois turnos pelo Senado e em primeiro pela Câmara dos Deputados, a PEC está engavetada desde 2004, por pressão de membros da bancada ruralista e por falta de articulação por parte do próprio governo federal, que consegue levar à votação matérias de seu interesse, mas não foi capaz de furar o “bloqueio” imposto à proposta.
Segundo Maria do Rosário, Dilma Roussef considera que é necessária a aprovação de uma medida “dura” contra quem se utiliza desse tipo de mão-de-obra, para que sirva de exemplo. A chamada “PEC do Trabalho Escravo” faz uma alteração ao artigo da Constituição que já contempla o confisco de áreas em que são encontradas lavouras de plantas usadas na produção de psicotrópicos. E, se considerarmos as versões anteriores do projeto, está tramitando no Congresso Nacional desde 1995.
Isso significa que o Planalto vai comprar uma boa briga com um grupo relevante de parlamentares que tem força e peso econômico e tem sido extremamente crítico às ações de combate ao trabalho escravo contemporâneo desenvolvidas pelo Estado nos governos Fernando Henrique e Lula.
Uma das principais críticas de movimentos e organizações sociais é de que o Palácio do Planalto não tem dedicado energia suficiente pela aprovação da emenda. Ou seja, deixou a desejar.
A indústria automobilística remeteu 5,58 bilhões de dólares em lucros e dividendos ao exterior no ano passado. O valor – equivale a 19% de todas remessas desse tipo e é 36% superior ao montante enviado em 2010 – foi tema de boa matéria de Pedro Kutney, nesta sexta no Uol.
Lucro pode se traduzir em empregos, geração de renda, impostos e tudo o mais. Contudo, quando ele surge em um ambiente com problemas sociais, ambientais e trabalhistas não resolvidos, deveria ser melhor avaliado.
Por exemplo, as montadoras não colocaram em prática, até o ano passado, certas ações importantes para garantir qualidade de vida ao brasileiro, como a adaptação da frota nacional para um diesel com menos enxofre na sua composição e que, portanto, mataria menos os moradores das grandes cidades. Ou um controle mais rígido sobre sua cadeia produtiva. Hoje, ao comprar um carro, você não tem como saber se o aço ou o couro que entrou na fabricação do veículo foram obtidos através de mão-de-obra escrava e trabalho infantil ou se beneficiando de desmatamento ilegal – ilegalidades que vêm sendo apontadas pelo Ministério Publico Federal e pela sociedade civil.
Alguns “especialistas” repetem que é irracional a solicitação de contrapartidas à indústria, uma vez que o aumento nas vendas gira a economia e gera empregos. Afirmam que as empresas não podem operar esquecendo que estão inseridas em uma economia de mercado, buscando uma taxa de lucro para continuar sendo viável. E que se problemas existem é pela falta de fiscalização do governo.
Ou seja, o Estado tem que garantir e ajudar o funcionamento das empresas, mas as empresas não podem sofrer nenhuma forma de intervenção em seu negócio – mesmo se ele for vetor de problema. Um liberalismo de brincadeirinha.
E recordar é viver: durante o pico da crise econômica de 2008, a General Motors demitiu 744 trabalhadores de sua fábrica em São José dos Campos (SP) sob a justificativa de “diminuição da atividade industrial”. Mesmo após ter recebido apoio da União e do governo do Estado de São Paulo no sentido de facilitar a compra de seus produtos por consumidores.
Se o Estado pensar só com cabeça de planilha, vai continuar fazendo do Brasil um suporte para as empresas automobilísticas de outros países durante épocas de crise, deixando o nosso meio ambiente e nossos trabalhadores pagarem a conta por isso.
Sugestão: quando constatados problemas na cadeia produtiva das montadoras, que tal taxar o lucro delas a ser remetido e usar o montante para cobrir esses danos ao homem e ao meio? OK, a idéia é quase impossível (por aqui, a dignidade é relativa, enquanto a propriedade é absoluta). Mas por isso mesmo deliciosamente interessante imaginarmos as reações.
“Ah, isso afastará os investidores internacionais”, dirão xororôs do mercado.
Vai não… Eles precisam de nós. Mais do que precisamos deles.
Pelo terceiro ano consecutivo, entidades públicas e organizações civis realizam na última semana de janeiro atos e debates para marcar o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo (28 de janeiro). Assim como em 2010 e 2011, atividades estão programadas em vários estados do país para chamar atenção sobre o problema e mobilizar por avanços na erradicação do trabalho escravo contemporâneo.
Este ano, a mobilização inclui atividades no Fórum Social, em Porto Alegre (RS), onde está marcado um debate com a presença da ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, e o procurador geral do Ministério Público do Trabalho, Luís Antônio Camargo, mediado por este que vos escreve, para analisar a relação entre o trabalho escravo e os danos ao meio ambiente. O Fórum Social, este ano, será temático e irá preparar terreno para a Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, prevista para junho.
Além da discussão no Rio Grande do Sul, também foi lançado o Manual de Combate ao Trabalho em Condições Análogas ao de Escravo, em Brasília, com participação do ministro interino do Trabalho e Emprego Paulo Roberto Pinto no dia 24. E há atividades programadas em, pelo menos, em mais oito Estados. O Ceará já realizou seu evento nesta quarta (25), através de um debate para criação da Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo, organizado pela Coordenadoria Especial de Políticas Públicas dos Direitos Humanos.
O dia 28 de janeiro foi oficializado como Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo como uma forma de homenagear os auditores fiscais do trabalho Erastóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva, e o motorista Ailton Pereira de Oliveira, assassinados nesta data em 2004, durante fiscalização na zona rural de Unaí (MG). Entre as atividades previstas para este ano também estão manifestações exigindo o julgamento dos envolvidos na “Chacina de Unaí”, como ficou conhecido o episódio. Quatro réus se encontram em liberdade, beneficiados por habeas corpus, e outros cinco (acusados de participar da execução) permanecem presos.
Programação:
Evento Nacional
28/01/2012 Com trabalho escravo, não há desenvolvimento sustentável Debate com a participação de Maria do Rosário, ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; Luís Antônio Camargo, procurador geral do Ministério Público do Trabalho; Daniel Avelino, procurador da República no Pará; Jônatas Andrade, magistrado da Justiça do Trabalho no Pará. A mediação será feita por Leonardo Sakamoto, diretor da ONG Repórter Brasil. Local: Auditório do Centro Administrativo “Fernando Ferrari”, Avenida Borges de Medeiros, 1501, Térreo – Porto Alegre (RS) Horário: das 14h às 16h Organização: Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) com o apoio da Procuradoria Geral do Estado do Rio Grande do Sul
Bahia 01/02/2012 Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo – palestras e debates Local: Auditório da Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos – Quarta Avenida, nº 400, 1º andar, Centro Administrativo, Salvador (BA) Horário: 14h às 17h Organização: Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae) da Bahia
Maranhão
26/01/12 Assinatura de Termo de Cooperação Técnica para enfrentamento ao trabalho escravo, palestras e encerramento com apresentação do Grupo de Teatro Quilombagem
Local: Auditório do Tribunal Regional do Trabalho da 16 Avenida Vitorino Freire, 2001, Areinha, São Luís (MA) Horário: Das 9h às 16h Organização: Grupo de Articulação Interinstitucional de Enfrentamento ao Trabalho Escravo, do qual fazem parte o Tribunal Regional do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho e o Ministério do Trabalho e Emprego, junto com o Centro de Defesa dos Direitos Humanos e da Vida de Açailândia.
27/01/12 Apresentação das Ações do Plano Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo, apresentação do Projeto Marco Zero de Intermediação Rural e lançamento da Cartilha contra o Trabalho Escravo
Local: Auditório do Tribunal Regional do Trabalho da 16 Avenida Vitorino Freire, 2001, Areinha, São Luís (MA) Horário: Das 8h às 11h30 Organização:a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Cidadania (Sedihc) / Comissão Estadual pela Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae-MA)
Mato Grosso 31/01/2012 Seminário “Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo: Desafios e Perspectivas para a Erradicação do Trabalho Escravo Contemporâneo”Local: Plenário “Licínio Monteiro” da Assembléia Legislativa de Mato Grosso Horário: 13 às 18h Organização: Comissão para a Erradicação do Trabalho Escravo do Mato Grosso.
Minas Gerais 27/01/2012 Manifestação pelo julgamento dos acusados e em homenagem aos servidores mortos na “Chacina de Unaí” Local: Em frente ao Tribunal Regional Federal (TRF): avenida Álvares Cabral, 1.805, Bairro Santo Agostinho, Belo Horizonte (MG) Horário: 10h Organização:Sindicato Nacional Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait)
Pará 27/01/2012 II Seminário Alusivo ao Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo
Local: Auditório do Tribunal Regional do Trabalho em Belém – Travessa D. Pedro I, 750, Bairro Umarizal, Belém (PA). Inscriçoes e informações: (91) 3224-6577 (Amatra 8 ) Horário: A confirmar Organização: Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 8a Região
Piauí 27/01/2012 Exposição e manifestação, com apresentação de ações governamentais e não governamentais, e coleta de assinaturas em favor da Proposta de Emenda Constitucional 438, a PEC do Trabalho Escravo.
Local: Teresina (PI) Horário: A confirmar
Organização: Secretaria de Assistência Social e Cidadania do Piauí
São Paulo 27/01/2012 Primeira reunião da Comissão Estadual para a Erradicacão do Trabalho Escravo de São Paulo Local: Secretaria de Justiça, Salão dos Anjos – Pátio do Colégio, 184, 1o andar, Centro, São Paulo (SP) Horário: 9h30 às 11h30 Organização:Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania de São Paulo
Tocantins
30/01/2012 Palestra de membros da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) e apresentação da peça teatral Quilombagem
Local: Auditório da UFT, em Palmas (TO) Horário: 19h30
Organização: Comissão Estadual pela Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae-TO)
31/01/2012 Palestra de membros da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) e apresentação da peça teatral Quilombagem
Local: Auditório da FACDO, em Araguaína (TO) Horário: 16h
Organização: Comissão Estadual pela Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae-TO)
Amo São Paulo. Por isso mesmo dói ouvir certas aberrações da boca dos meus conterrâneos.
Todos os criados neste caldo e que não foram devidamente conscientizados para o contrário não estão imunes a propagar preconceitos. Acreditem, é um trabalho diário, do qual não me excluo, para garantir que nossa boca não seja mais instrumento de opressão. Pois essas frases não são coisas inofensivas ou engraçadinhas, mas ajudam a renovar a segregação.
Preconceito existe em todo o lugar, não é monopólio paulistano. Mas em cada região, há ódios que se sobressaem mais do que outros. Com a ajuda de amigos jornalistas e baseado também nos comentários dos posts deste blog – fonte inesgotável de posições bisonhas – elencamos frases carregadas de ódio, arrogância e inversão de valores que, vira e mexe, são ouvidas ou lidas na Paulicéia.
O “paulistanismo”, o nacionalismo paulista, funciona como uma espécie de seita radical para os seus adeptos. Mesmo as pessoas mais calmas viram feras, libertando uma fúria bandeirante que parecia, historicamente, reprimida dentro do peito quando se vêem diante de críticas à cidade (reflexão é algo que não faz muito sucesso por aqui). Bandeirantes, aquele pessoal que virou nome de avenida, escola, praça, escultura, Palácio de Governo, homenageados por terem dizimado gente. O fato de São Paulo tê-los escolhido como heróis diz muito sobre o espírito do nosso estado.
Neste 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, uma pergunta: somos capazes de nos desconectar do passado e construir um futuro mais justo ou vamos fica repetindo idéias e frases que carregam em si uma visão ridícula de mundo?
Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Professor de Jornalismo na PUC-SP, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.